O Yorùbà e o Candomblé - parte 2
O Candomblé nasceu da necessidade dos negros escravos em
realizarem seus rituais religiosos que no princípio eram proibidos pelos
senhores de escravos. E para burlar essa proibição, os negros faziam seus
assentamentos e os escondiam, preferencialmente fazendo um buraco no chão,
cobrindo-os e por cima colocavam uma imagem de um santo católico. Então eles
cantavam e dançavam para seus Òrìsà, dizendo que estavam cantando e dançando
em homenagem àquele santo católico; daí nasceu o sincretismo religioso, que
foi abandonado mais tarde pela maioria dos adeptos do Candomblé tradicional,
com o “término” da escravidão e mais concretamente quando o Candomblé foi
aceito como religião com a liberdade de culto garantida pela Constituição
Brasileira.
À primeira vista para os leigos, o Candomblé é uma coisa só. Mas, não é bem
assim. Existem vários grupos, onde o mais expressivo, sem dúvida, é o grupo
Yorùbá (na atualidade). Na época do tráfico de escravos, vieram muitos
negros oriundos de Angola e Moçambique: os Bantos, Cassanges, Kicongos,
Kiocos, Umbundo, Kimbudo, de onde se originou o “Candomblé Angola”,
facilmente reconhecido por quem é da religião, pela maneira diferente de
falar, cantar, dançar e percutir os tambores, o que é feito com as mãos
diretamente sobre o couro com ritmos e cadências próprios, alegres e
ligeiros.
É o Candomblé de onde se originou o Samba, que tomou emprestado o próprio
nome, que em Kimbundo significa “oração”. É também origem do “Samba de roda”,
que era feito como recreação, principalmente pelas mulheres, após os
afazeres rituais, dançando e cantando dizeres em sua maioria jocosos e
galhofeiros. Mais tarde assimilado pelo Samba de Caboclos, aí já em sua
versão mais “abrasileirada” como um culto ameríndio que era feito pelos
Caboclos, aí já incorporados em seus “cavalos” e já em idioma aportuguesado
com versos chamados de “sotaque”. Isto, porque quase sempre eram parábolas
ou charadas que poucos entendiam. muito em voga ainda hoje.
Acha-se que este Samba de Caboclos foi o embrião da Umbanda, onde nasceu o
culto aos Òrìsà cantado e falado em português, fazendo assim a
nacionalização dos Òrìsà Africanos, que algumas pessoas faziam objeção por
causa de ter uma língua estrangeira não bem aceita pelos já nascidos
brasileiros e que foram perdendo os conhecimentos da língua ancestral,
principalmente por causa do analfabetismo.
A Umbanda é a mistura do Culto aos Òrìsà, do Catolicismo e do Kardecismo,
resultando numa religião Brasileira, que hoje em dia é até exportada para os
países vizinhos, principalmente os do cone Sul, como Argentina, Paraguai e
Uruguai, onde existem até confederações de Umbanda e onde o Brasil está para
eles, assim como a África está para nós.
A origem da força cultura Yorùbá foi demonstrada em uma das guerras havidas
entre o Dahomé e a Nigéria, mais ou menos no meado para o final do século
dezesseis, em que o Estado de Kétu, teve praticamente metade do seu
território anexado ao Dahomé como espólio de guerra após sua população
juntamente com a de Meko, ter sido saqueada e parte dela capturada como
escravos perdurando essa anexação militar até os dias atuais.
Como Resultado dessa guerra, muitos foram capturados de ambos os lados, e
foram vendidos aos Portugueses como escravos. Foi quando, já ao final do
século, começaram a chegar tantos os escravos de origem Ewe-Fon, conhecido
popularmente por Jejes, oriundos do Benin, antigo Dahomé, que foram
capturados pelos Yorùbá, com a recíproca, dos Yorùbá capturados pelos Ewe-Fon,
também vendidos como escravos. Os Yorùbá em sua maioria, eram oriundos de
Kétu, o território anexado. Mas, também vieram negros trazidos de outras
áreas Yorùbás como Òyó, Ègbá, Ilesá, Ifón, Abeokuta, Iré, Ìfé, etc.
(Continua na próxima edição)
Pergunte ao "pai"
Se você tem um problema espiritual, escreva para
jordanleite@yahoo.com
relatando o seu problema que receberá a resposta dando encaminhamento a seu
caso.
Mande sua data de nascimento, nome e endereço completo para
jordanleite@yahoo.com e poderá ser sorteado(a) e ganhar um consulta grátis
(somente pelo email acima).
Jordan
Leite mora nos EUA há 14 anos, é casado há 34, tem duas filhas e dois
netos. Foi empresário artístico de importantes nomes da música no Brasil e
na França, onde morou.Veio para Miami a convite de um amigo. Apaixonou-se
pela Flórida, onde vive até hoje.
dagandijexa@yahoo.com