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Rota 66 - A história (Parte Final)
Um
dos pontos mais surrealistas da 66 é chamado de Cadillac Ranch.
Stanley Marsh II, milionário texano amante das artes, certa vez
disse: “Para mim, o sonho americano é uma viagem de Cadillac,
com uma loira, até as praias da Califórnia”, e pediu ao grupo de
arquitetos experimentalistas The Ant Farm, que criassem uma obra
de arte representando este sonho americano. O resultado foi a
obra de arte conhecida como Cadillac Ranch, constituída por 10
Cadillacs diferentes, produzidos entre 1948 e 1964, enterrados
no deserto Texano. Eles estão lá há muito tempo, totalmente
grafitados e já apareceram até no programa “Acredite se Quiser”.
A fachada do Route 66 Dinner, em Albuquerque, New Mexico, um
típico restaurante no estilo “diner” dos anos 50. O menu lá é
ótimo, há desde sanduíches com fritas e super milk shakes até
pratos completos. As garçonetes usam roupas tipo anos 50, estão
sempre mascando chiclete e cada uma tem um nome de personagens
de cinema ou de quadrinhos (Betty Boop, Olivia Palito, etc).
Ponha uma moedinha na Juke Box (aquelas antigas máquinas de
tocar discos) e escute sua canção preferida: A seleção inclui
Only You, Smoke Gets in Your Eyes, e outros hits da época. Evite
pedir de sobremesa a torta de maçã, pois a massa parece pedra de
tão dura. Fora isto o lugar é ótimo.
A Reconstrução do famoso Forte Apache e a tenda índia em Yellow
Horse no Arizona, são verdadeiras obras de arte dos ante-passados
americanos. Os trailers e um número cada vez maior de automóveis
no país fizeram aumentar ainda mais o movimento nas estradas, e
como conseqüência, o turismo, a economia e a produção de
automóveis. Era um ciclo que se auto-alimentava.
O tráfego constante de pesados caminhões somado ao aumento do
número de automóveis no país começou a sinalizar o saturamento
da rota 66. As estradas existentes eram muito estreitas, as
pavimentações estavam cada vez mais deterioradas, e
principalmente, elas não comportavam mais o volume de tráfego
entre as diversas regiões do país.
New Mexico
Na cidade de Albuquerque, New Mexico a 66 corta a cidade, e
chama-se Central Avenue. Grande parte é ocupada por firmas que
vendem casas pré fabricadas, com tudo pronto para morar,
inclusive instalações elétricas, hidráulicas, etc. É só assentar
no seu terreno e entrar para morar. Você decide o tipo de casa
que quer e eles entregam em qualquer lugar do país
Grand Canyon Caverns
A entrada da Grand Canyon Caverns, em Peach Springs, Arizona,
bem em frente à 66. É o ponto inicial de um passeio por cavernas
20 andares abaixo da superfície. A descida é feita por elevador.
Foram encontrados vários esqueletos de dinossauros nesta região,
o que talvez explique a decoração existente na entrada do lugar...Ao
final da guerra o governo americano ficou impressionado com o
sistema de auto-estradas que havia sido construído pelos alemães.
Suas Autobahn eram um prodígio em termos de estradas. Não foi
preciso muito para perceber que os Estados Unidos precisariam
construir algo semelhante se quisessem ter um verdadeiro sistema
nacional de auto-estradas. Já era o prenúncio do fim da 66.
A Entrada do Metro Diner em Tulsa, Oklahoma, outro restaurante
no estilo dos anos 50. Enquanto a 66 ficava cada vez mais
deteriorada, um novo conceito de auto-estrada começava a surgir.
Deveria unir conforto, velocidade e segurança. Era uma nova
revolução em termos de transporte e que traria profundas
mudanças na economia e grande desenvolvimento ao país. Isto
condenava à morte a rota 66. Na década de 70 praticamente todos
os trechos da rota 66 haviam sido substituídos por modernas e
largas auto-estradas de 4 ou 6 pistas. Partes destas novas vias
foram construídas passando exatamente por cima da velha 66.
Ninguém queria mais viajar por ela se agora podia ir de um lugar
a outro com mais velocidade e conforto. Lojas, motéis, postos de
gasolina, restaurantes e dinners à beira da estrada ficaram sem
qualquer movimento e foram obrigados a fechar. Cidades foram
abandonadas porque as pessoas não tinham mais trabalho nestes
lugares. A América crescia, mas ironicamente, o custo desse
crescimento era o abandono de algo que tinha sido essencial ao
seu crescimento.
O posto de gasolina abandonado em Shamrock, Texas. Hoje pode-se
dizer que a rota 66 ligou a América do passado, aquela dos anos
20, à América de nossos dias, desenvolvida, industrializada, e
com um sistema de transportes e malha rodoviária sem igual em
nenhum outro país do mundo. Apesar de tudo, a rota 66 ainda
sobrevive. Seja em alguns trechos semi-abandonados, seja nas
plaquinhas à margem das modernas highways, indicando para
turistas algum trecho remanescente, seja nos prédios como este
da foto, ou principalmente na mente das pessoas de tantos
lugares, que vem para cá tentando reencontrar o fascínio que
esta tira de asfalto ainda exerce.
Desaparecimento da 66
Em determinados momentos, roda-se sobre trechos mais conservados
da estrada, entre Seligman e Nelson, no Arizona. Refazer o
caminho rumo oeste pela route 66 é algo que necessita atenção e
paciência. Às vezes a estrada some e só muito adiante vai
aparecer novamente.
Grande parte da 66 desapareceu embaixo das modernas auto-estradas,
outros trechos foram transformados em ruas de cidades, e outros
estão completamente abandonados e são intransitáveis. No entanto,
diversas associações lutam pela preservação do que sobrou da
Route 66, assim como continuam a cultivar toda a histórica
mística desta estrada, e do que ela representou para a America.
Se você um dia decidir encarar esta aventura esteja preparado
para ver um lado fascinante e meio escondido da America, e
principalmente mantenha na cabeça o que já dizia aquela antiga
canção: When you make that California trip, get your kicks on
Route 66.
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