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Ano 8 - Edição 198

Moto Society

Por Luigi Avalloni                                          

Rota 66 - A história (Parte Final)

Um dos pontos mais surrealistas da 66 é chamado de Cadillac Ranch. Stanley Marsh II, milionário texano amante das artes, certa vez disse: “Para mim, o sonho americano é uma viagem de Cadillac, com uma loira, até as praias da Califórnia”, e pediu ao grupo de arquitetos experimentalistas The Ant Farm, que criassem uma obra de arte representando este sonho americano. O resultado foi a obra de arte conhecida como Cadillac Ranch, constituída por 10 Cadillacs diferentes, produzidos entre 1948 e 1964, enterrados no deserto Texano.  Eles estão lá há muito tempo, totalmente grafitados e já apareceram até no programa “Acredite se Quiser”.
 
A fachada do Route 66 Dinner, em Albuquerque, New Mexico, um típico restaurante no estilo “diner” dos anos 50. O menu lá é ótimo, há desde sanduíches com fritas e super milk shakes até pratos completos. As garçonetes usam roupas tipo anos 50, estão sempre mascando chiclete e cada uma tem um nome de personagens de cinema ou de quadrinhos (Betty Boop, Olivia Palito, etc). Ponha uma moedinha na Juke Box (aquelas antigas máquinas de tocar discos) e escute sua canção preferida: A seleção inclui Only You, Smoke Gets in Your Eyes, e outros hits da época. Evite pedir de sobremesa a torta de maçã, pois a massa parece pedra de tão dura. Fora isto o lugar é ótimo.

A Reconstrução do famoso Forte Apache e a tenda índia em Yellow Horse no Arizona, são verdadeiras obras de arte dos ante-passados americanos. Os trailers e um número cada vez maior de automóveis no país fizeram aumentar ainda mais o movimento nas estradas, e como conseqüência, o turismo, a economia e a produção de automóveis. Era um ciclo que se auto-alimentava.

O tráfego constante de pesados caminhões somado ao aumento do número de automóveis no país começou a sinalizar o saturamento da rota 66. As estradas existentes eram muito estreitas, as pavimentações estavam cada vez mais deterioradas, e principalmente, elas não comportavam mais o volume de tráfego entre as diversas regiões do país.

New Mexico

Na cidade de Albuquerque, New Mexico a 66 corta a cidade, e chama-se Central Avenue. Grande parte é ocupada por firmas que vendem casas pré fabricadas, com tudo pronto para morar, inclusive instalações elétricas, hidráulicas, etc. É só assentar no seu terreno e entrar para morar. Você decide o tipo de casa que quer e eles entregam em qualquer lugar do país

Grand Canyon Caverns

A entrada da Grand Canyon Caverns, em Peach Springs, Arizona, bem em frente à 66. É o ponto inicial de um passeio por cavernas 20 andares abaixo da superfície. A descida é feita por elevador. Foram encontrados vários esqueletos de dinossauros nesta região, o que talvez explique a decoração existente na entrada do lugar...Ao final da guerra o governo americano ficou impressionado com o sistema de auto-estradas que havia sido construído pelos alemães. Suas Autobahn eram um prodígio em termos de estradas. Não foi preciso muito para perceber que os Estados Unidos precisariam construir algo semelhante se quisessem ter um verdadeiro sistema nacional de auto-estradas. Já era o prenúncio do fim da 66.

A Entrada do Metro Diner em Tulsa, Oklahoma, outro restaurante no estilo dos anos 50. Enquanto a 66 ficava cada vez mais deteriorada, um novo conceito de auto-estrada começava a surgir. Deveria unir conforto, velocidade e segurança. Era uma nova revolução em termos de transporte e que traria profundas mudanças na economia e grande desenvolvimento ao país. Isto condenava à morte a rota 66. Na década de 70 praticamente todos os trechos da rota 66 haviam sido substituídos por modernas e largas auto-estradas de 4 ou 6 pistas. Partes destas novas vias foram construídas passando exatamente por cima da velha 66. Ninguém queria mais viajar por ela se agora podia ir de um lugar a outro com mais velocidade e conforto. Lojas, motéis, postos de gasolina, restaurantes e dinners à beira da estrada ficaram sem qualquer movimento e foram obrigados a fechar. Cidades foram abandonadas porque as pessoas não tinham mais trabalho nestes lugares. A América crescia, mas ironicamente, o custo desse crescimento era o abandono de algo que tinha sido essencial ao seu crescimento.

O posto de gasolina abandonado em Shamrock, Texas. Hoje pode-se dizer que a rota 66 ligou a América do passado, aquela dos anos 20, à América de nossos dias, desenvolvida, industrializada, e com um sistema de transportes e malha rodoviária sem igual em nenhum outro país do mundo.  Apesar de tudo, a rota 66 ainda sobrevive. Seja em alguns trechos semi-abandonados, seja nas plaquinhas à margem das modernas highways, indicando para turistas algum trecho remanescente, seja nos prédios como este da foto, ou principalmente na mente das pessoas de tantos lugares, que vem para cá tentando reencontrar o fascínio que esta tira de asfalto ainda exerce.

Desaparecimento da 66

Em determinados momentos, roda-se sobre trechos mais conservados da estrada, entre Seligman e Nelson, no Arizona. Refazer o caminho rumo oeste pela route 66 é algo que necessita atenção e paciência. Às vezes a estrada some e só muito adiante vai aparecer novamente.

 Grande parte da 66 desapareceu embaixo das modernas auto-estradas, outros trechos foram transformados em ruas de cidades, e outros estão completamente abandonados e são intransitáveis. No entanto, diversas associações lutam pela preservação do que sobrou da Route 66, assim como continuam a cultivar toda a histórica mística desta estrada, e do que ela representou para a America. Se você um dia decidir encarar esta aventura esteja preparado para ver um lado fascinante e meio escondido da America, e principalmente mantenha na cabeça o que já dizia aquela antiga canção: When you make that California trip, get your kicks on Route 66.


 

 


Luigi AvalloniLuigi Avalloni, nascido em Palma Nova - Itália, naturalizado brasileiro, atualmente empresário do setor de Turismo, viveu no Brasil a maior parte de sua vida. Com formação acadêmica em Propaganda e Marketing, atuou durante 10 anos na área de criação e publicidade, logo depois como coordenador de eventos e, como agente de viagens no que também se especializou. Fanático por motos desde os 12 anos, participou de alguns campeonatos brasileiros de motovelocidade, especializado em coordenação e dirigibilidade de motos, é presidente do MOTOSOCIETY – RIDERS ASSOCIATION OF THE USA (Since 1999)

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