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Data de publicação: 03 de junho, 2011 - Edição: 351

Crônicas

Por Roy Frenkiel                                          

My Facebook Friends – Parte 2

Na segunda parte da série sobre o Facebook, nos concentraremos em sua transformação e migração dos blogs às redes sociais. Para a análise, usamos de duas séries de Halém Souza em seu Sinistras Bibliotecas. O amante e esperto em literatura, em duas séries (Procura-se* e Blog: Uma Chatice?**) invoca algumas considerações importantes e pertinentes ao nosso texto sobre as redes sociais eletrônicas.

Souza levanta a questão do obsoletismo dos blogs, já que, conforme cita, “estes sites pessoais simplificados, diários virtuais, páginas de opinião (ou qualquer outra definição que queiram dar) estão perdendo terreno para novas formas de comunicação via computador, tornando-se cada vez mais impopulares.”

Na sequência, o bloguista recorre a algumas críticas e análises da rede virtual e de seus acessos sociais contemporâneos, como os ditos de Juca Kfouri (“”Nada me surpreendeu tanto na minha vida de mais de 40 anos na profissão do que o tal de blog. Mais: se eu soubesse, não teria feito um”) e Antonio Prata (de seu texto Quem Precisa de Opinião).

Souza menciona a preocupação de Prata sobre o “niilismo de salão” decorrente da pronta e ágil acessibilidade a espaços sociais opinativos e de opiniões alheias, cada vez menos pensadas, portanto, cada vez mais rápidas e de credibilidade mais tênue. Desse texto de Souza, podemos concluir, em parte, que o formato do blog, mais arrojado, de maior espaço para aprofundar ideias e opiniões, e que em seu tempo de origem foi mal usado pela juventude, que agora encontra melhores ferramentas sociais para formatar seus “diários” e “páginas de interesses”, está tornando-se uma chatice para essa geração de jovens imediatistas e “niilistas”.

Em outras palavras, os “twits” (e assim o método de hiper-atualização do Facebook) são mais fáceis para grunhir besteiras do que uma página em branco de tamanho ilimitado.

Continuando, Souza fala sobre o filósofo Pierre Levy e sua afirmação a respeito da blogoesfera: “a ‘emergência do ciberespaço, de fato, provavelmente terá – ou já tem hoje – um efeito tão radical sobre a pragmática das comunicações quanto teve, em seu tempo, a invenção da escrita’”. Somada a essa frase, Souza também copila a seguinte afirmação, ditando que o mundo virtual “atinge de fato uma forma de universal, mas não é o mesmo da escrita estática. Aqui, o universal não se articula mais sobre o fechamento semântico exigido pela descontextualização, muito pelo contrário. Esse universal não totaliza mais pelo sentido, ele conecta pelo contato, pela interação geral.”

O bloguista, enfim, diz-se preocupado com esse estilo de comunicação e busca de sabedorias populares, de normas cognitivas comuns, de opiniões diferenciadas, mas independentemente de suas conclusões, o que parece mais importante é que esse estilo de comunicação está em expansão e, como Souza mesmo diz em resposta a este que vos escreve, ainda não chegou à sua totalidade.

Conforme diz Jon Sobel***, mencionado por Souza, os objetivos de se manter um blog, “para alguns, são as mesmas razões de quando eles começaram: comunicação, ficar em contato com conhecidos ou manter um arquivo pessoal. Para outros é ambição: eles enxergam o blog como um caminho para as coisas maiores. Também tem gente que tem paixão pelo que faz, um interesse continuado e até uma obsessão pelo assunto do qual trata”, lembrando que “as pessoas são preguiçosas e [ao mesmo tempo] ambiciosas demais. É possível que elas estejam mais realistas sobre as chances de permanecer em um projeto como um blog”.

O Facebook tornou-se, ao lado do Twitter (ambos com características diferenciadas na era da hiper-atualização, ou hipercomunicação entre tudo e todos), em um espaço aos despreparados e preparados igualmente. No contexto atualmente vivido pela maioria de meus conhecidos e eu, essa ferramenta social serve como vitrine de artigos, artes (incluindo vídeos e música), e textos da blogoesfera refletidos por pessoas que, por algum ou outro motivo, estão ligadas ao dado perfil.

Mesmo que nem todos possam providenciar algo que justifique o encontro com a “sua tribo” (referência à outra série de Souza, sobre a tribo dos leitores e, nesse caso, de bloguistas), vocês, leitores e usuários das redes sociais, adquirem ao longo da vida o senso para discernir o que mais lhes vale. Se Souza procura “sabedoria”, tanto quanto eu ou você, precisa saber discernir qual sabedoria quer ler, e usa seus métodos, adquiridos ao longo de sua vida, para chegar a esse objetivo.

Portanto, talvez o desconforto de Souza (“Infelizmente, porém, minha trajetória na educação formal, minha formação profissional e minha construção como leitor [para além de “consumidor” de informação] foram baseadas no “fechamento semântico”, na busca pela “totalidade” [uma parte da aspiração, explícita ou implícita, das obras literárias - como, aliás, de todas as obras de arte - é estabelecer ou simular uma totalidade, ainda que provisória]”) já está resolvido no fechamento não semântico, que inclui, em sua falta de rigorosidade, a possibilidade da rigorosidade em si.

O fato de que exista a necessidade de discernir entre opiniões, no nosso contexto, não significa que o acesso a mais opiniões, mesmo as mais niilistas, não seja bem vindo com todos seus defeitos. Os defeitos da falta de acesso parecem muito mais graves, conforme veremos no próximo texto, sobre as redes sociais e a política internacional.


 


Roy FrenkielRoy Frenkiel, taurino filho de taurino, intenso por natureza. Nasceu em Israel em 1980, cresceu nos bairros de Higienópolis e Bom Retiro, em São Paulo. Freqüentou colégios judaicos e em 1996 se mudou para os EUA. Ciudadano del Mundo, cosmopolita, judeu errante, sendo que é cidadão de três países. relimelech@hotmail.com


 

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