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Ano 10 - Edição 311

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Opinião

Baixaria na campanha eleitoral
 

* Antonio Tozzi

O clima eleitoral ficou quente e os candidatos se acusaram mutuamente, cada um mostrando as fraquezas e as vicissitudes do outro a fim de conquistar a simpatia dos eleitores. E os comerciais na TV não pouparam denúncias chamando os adversários de comportamentos altamente questionáveis no gerenciamento dos assuntos públicos e privados.

Engana-se quem pensa que estou falando da campanha presidencial brasileira e dos candidatos de partidos adversários. Isto ocorreu na Flórida, onde candidatos do mesmo partido lançaram acusações contra seus correligionários a fim de atrair os votos necessários para se qualificar como o candidato oficial do partido para vencer as eleições programadas para novembro.

As eleições de novembro, conhecidas como mid term election, provocarão um impacto sobre o governo, uma vez que renovarão 1/3 do Congresso Nacional. Os especialistas apostam que o Partido Republicano poderá voltar a ser maioria nas duas casas: o Senado e a Câmara Federal,

Além das cadeiras legislativas, em alguns estados também haverá eleições para a escolha de governador. Este é o caso da Flórida. O atual governador Charlie Crist está deixando o governo e é candidato ao Senado. Aqui também vale um comentário: Crist é (ou era) republicano e, portanto, o candidato natural do partido para ocupar uma cadeira no Senado Federal. No entanto, uma pressão absurda promovida por grupos ultraconservadores, que afirmam não ser Crist suficientemente conservador praticamente o expeliram do partido. Resultado: ele vai concorrer como independente e, segundo as pesquisas atuais, é o favorito para vencer a eleição. De quebra, deve alinhar-se mais aos democratas nas votações no Congresso Nacional.
E parece que o Partido Republicano não aprendeu a lição. A poucos dias da convenção partidárias, os candidatos Bill McCollum e Rick Scott realmente jogaram sujeira no ventilador. O Tea Party, um movimento conservador que se opõe firmemente ao governo de Barack Obama, escolheu Scott para apoiar. Afinal, ele tinha as credenciais perfeitas para os líderes do Tea Party: oriundo da empresa privada, ousado, inimigo dos impostos e a favor da pequena intervenção do estado na vida das pessoas.

Seu opositor foi Bill McCollum, o atual advogado geral do Estado. Ele deveria ser ungido como o candidato natural dos republicanos. No entanto, a campanha milionária de seu opositor abalou as estruturas. Scott atacou McCollum, chamando-o de liberal – um epíteto que se tornou um anátema para os conservadores americanos. Ele passou a se defender e até mesmo esboçou uma lei nos moldes da Lei SB 1070 para punir os imigrantes ilegais que vivem na Flórida. Esta foi a resposta de McCollum às acusações do grupo de Scott que chamavam McCollum de “amigo de ilegais”.

Em contrapartida, o pessoal de McCollum denunciou Scott, um ex-CEO de empresas de saúde de grupo, de beneficiar-se de esquemas de corrupção. O próprio Scott admitiu ter havido “mau gerenciamento” de recursos, mas afirmou que isto foi feito por seus subordinados e ele “não sabia de nada” – até parece certo presidente sul-americano no caso Mensalão...

Mas quem se divertiu mesmo com esta guerra fratricida foi Alex Sink, a candidata do Partido Democrata ao governo da Flórida. Ela lidera as pesquisas e a Flórida pode voltar a ter um governo democrata depois de 12 anos de domínio republicano.




* Originalmente publicado no site diretodaredacao.com


 


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