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Cuidado com os estereótipos
Por Antonio Tozzi *
Recentemente, recebi um
e-mail com um texto atribuído a Nizan Guanaes, intitulado “Baianidade”, no
qual ele exalta a força de trabalho e a luta dos baianos em contraposição ao
famoso estereótipo de que o baiano é um povo folgado e não gosta de
trabalhar. No texto, o publicitário demonstra que os baianos são
injustiçados porque eles são dedicados e, sim, muito trabalhadores.
Em termos de Brasil, muita gente também aponta os cariocas como folgados, a
exemplo dos baianos. E regionalmente, os pernambucanos e paulistas são os
contrapontos aos baianos e cariocas, como povos diligentes e trabalhadores.
Na verdade, tudo isto não passa mesmo de estereótipo, que, a meu ver, é o
primeiro patamar de algo maior: o preconceito.
E o preconceito se
manifesta de várias maneiras e indistintamente contra todos os povos, raças
e etnias. Vivendo aqui nos Estados Unidos, é comum ouvir de brasileiros e
hispânicos que o americano é um povo frio e pouco comunicativo. O detalhe é
que, na maioria das vezes, os comentários são feitos por estrangeiros que
não falam inglês, portanto, fica muito difícil fazer um juízo de valor sobre
comunicação, uma vez que eles não conseguem comunicar-se com os nativos.
O oposto também se
verifica. Diversos americanos julgam os estrangeiros, sobretudo os
hispânicos, pela aparência e concluem tratar-se de pessoas preguiçosas e,
para os mais radicais, até mesmo seres inferiores, em razão de sua
descendência. Nos dois casos, brotam os estereótipos que servem como
fermento do preconceito.
Exemplos não faltam:
brasileiros taxam portugueses de burros; italianos de porcos; judeus de
sovinas; negros de vagabundos; argentinos de arrogantes; alemães de frios e
insensíveis, e por aí vai. Todos querem julgar e não admitem ser julgados. A
colega de site, Leila Cordeiro, abordou em uma de suas colunas o preconceito
que muita gente – estrangeiros e até mesmo brasileiros - tem contra as
mulheres brasileiras, que recebem a alcunha de prostitutas sem uma base
científica. O julgamento é feito apenas por puro preconceito.
Evidentemente, ninguém
pode desconsiderar o meio ambiente no qual vivem determinados grupos sociais,
que colaboram para moldar certas catacterísticas coletivas. Entretanto,
ninguém também pode desprezar a individualidade, exatamente o que faz a
diferença no ser humano. Ora, se as pessoas aprendessem a controlar os
desejos de colocar rótulos nos outros, haveria menos estereótipos sobre
povos e, por conseguinte, menos possibilidades de se germinar o ódio e o
preconceito.
A intolerância e o
preconceito, aliás, são correias de transmissão de conflitos, brigas e
guerras. E elas podem manifestar-se de várias maneiras: por aparência
estética (as pessoas bonitas sempre têm mais vantagens do que as feias), por
classe social (os ricos predominam sobre os pobres), por reconhecimento (os
famosos são melhores tratados do que os anônimos) e até mesmo por posição
ideológica – conservadores e progressistas não se toleram.
Só mesmo rezando para
ver se a humanidade pode chegar a um consenso e diminuir o estereótipo e o
preconceito para que o mundo possa viver melhor. Mas, aqui surge outro
problema: rezar para o Deus dos cristãos? Para o Alá dos muçulmanos? Para o
Jeová dos judeus? Para o Brahma dos hindus? Para o Buda dos budistas? Para
Oxum dos umbandistas? Pensando bem, se não há consenso nem mesmo na religião
como podemos esperar que haja entre os homens que as seguem?
* Originalmente publicado no site diretodaredacao.com
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