A crise americana não é novidade para ninguém. Todos sabem que os Estados
Unidos passam por um momento negativo, com uma evidente perda do poder
aquisitivo e aumento da taxa de desemprego somadas às crises imobiliária e
financeira.
Dessa maneira, é cada vez maior o número de inadimplentes no país, por conta
da desvalorização profunda dos imóveis, do endividamento com os cartões de
crédito, com o retorno da inflação e com o aumento do custo de vida,
sobretudo com os preços absurdos dos combustíveis.
Isso tudo vem se refletindo negativamente sobre a população americana, e a
conseqüência vem sendo o grande número de pessoas doentes com o chamado “mal
da crise”, que são doenças como ansiedade, ataque de pânico, enxaqueca,
palpitação e até mesmo colapso cardíaco.
A conclusão é de uma entidade médica que realizou um estudo no país e
constatou que essas doenças subiram bastante e atingiram 13% da população
após o empobrecimento dos Estados Unidos.
A crise, por sua vez, também ajuda a explicar o crescimento da xenofobia
contra os imigrantes, principalmente os indocumentados, acusados pelos
americanos de roubar os empregos que estão rareando. Os defensores dos
imigrantes, no entanto, alegam que eles desempenham um papel importante,
ocupando vagas que os americanos esnobam.
A situação atual está fazendo até mesmo com que os chamados “summer jobs”,
reservados para os estudantes universitários e colegiais estão sendo
preenchidos por jovens profissionais. Ou seja, em vez dos estudantes, são os
professores que estão pegando os trabalhos de garçons e garçonetes,
salva-vidas de parques aquáticos, instrutores para crianças menores nos
programas de verão etc.
Agora as esperanças estão depositadas no novo governo que assumirá o poder
em janeiro do próximo ano. Os dois principais candidatos estão prometendo
melhorar a economia do país. Barack Obama, é claro, diz que mudará a
política econômica de George Bush que, em sua opinião, é completamente
equivocada, enquanto John McCain, o candidato republicano, também quer se
descolar do atual presidente e jura que tudo fará para melhorar a situação
econômica dos Estados Unidos.
E, por ironia do destino, muitos daqueles que têm emprego acabam trabalhando
demais morrem jovens, como foi o caso do jornalista Tim Russert, que
acumulava as funções de chefe do escritório da NBC em Washington, de
comentarista de política da rede e um dos mais conceituados do país e de
apresentador do “Meet the Press”, um dos programas de maior prestígio da
televisão americana. Russert teve um infarto fulminante e morreu na semana
passada, aos 58 anos, após gravar um off para o programa que ele
apresentaria neste domingo. O duro é que a NBC, uma das maiores redes dos
Estados Unidos, perdeu seu principal comentarista político às vésperas da
mais importante eleição presidencial dos últimos tempos.
Segundo seu médico, ele foi vítima do stress, do fato de estar acima do peso
e de ter problemas cardíacos. Como se vê, os que não têm emprego sofrem com
o stress para dar conta de tantas atividades e os que não têm padecem com os
males da crise. Tá dura a coisa por aqui.
*Publicado
originalmente no site www.diretodaredacao.com