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Baixaria na campanha eleitoral
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Antonio Tozzi
O clima eleitoral ficou quente e os candidatos se acusaram mutuamente, cada
um mostrando as fraquezas e as vicissitudes do outro a fim de conquistar a
simpatia dos eleitores. E os comerciais na TV não pouparam denúncias
chamando os adversários de comportamentos altamente questionáveis no
gerenciamento dos assuntos públicos e privados.
Engana-se quem
pensa que estou falando da campanha presidencial brasileira e dos candidatos
de partidos adversários. Isto ocorreu na Flórida, onde candidatos do mesmo
partido lançaram acusações contra seus correligionários a fim de atrair os
votos necessários para se qualificar como o candidato oficial do partido
para vencer as eleições programadas para novembro.
As eleições de
novembro, conhecidas como mid term election, provocarão um impacto sobre o
governo, uma vez que renovarão 1/3 do Congresso Nacional. Os especialistas
apostam que o Partido Republicano poderá voltar a ser maioria nas duas casas:
o Senado e a Câmara Federal,
Além das
cadeiras legislativas, em alguns estados também haverá eleições para a
escolha de governador. Este é o caso da Flórida. O atual governador Charlie
Crist está deixando o governo e é candidato ao Senado. Aqui também vale um
comentário: Crist é (ou era) republicano e, portanto, o candidato natural do
partido para ocupar uma cadeira no Senado Federal. No entanto, uma pressão
absurda promovida por grupos ultraconservadores, que afirmam não ser Crist
suficientemente conservador praticamente o expeliram do partido. Resultado:
ele vai concorrer como independente e, segundo as pesquisas atuais, é o
favorito para vencer a eleição. De quebra, deve alinhar-se mais aos
democratas nas votações no Congresso Nacional.
E parece que o Partido Republicano não aprendeu a lição. A poucos dias da
convenção partidárias, os candidatos Bill McCollum e Rick Scott realmente
jogaram sujeira no ventilador. O Tea Party, um movimento conservador que se
opõe firmemente ao governo de Barack Obama, escolheu Scott para apoiar.
Afinal, ele tinha as credenciais perfeitas para os líderes do Tea Party:
oriundo da empresa privada, ousado, inimigo dos impostos e a favor da
pequena intervenção do estado na vida das pessoas.
Seu opositor
foi Bill McCollum, o atual advogado geral do Estado. Ele deveria ser ungido
como o candidato natural dos republicanos. No entanto, a campanha milionária
de seu opositor abalou as estruturas. Scott atacou McCollum, chamando-o de
liberal – um epíteto que se tornou um anátema para os conservadores
americanos. Ele passou a se defender e até mesmo esboçou uma lei nos moldes
da Lei SB 1070 para punir os imigrantes ilegais que vivem na Flórida. Esta
foi a resposta de McCollum às acusações do grupo de Scott que chamavam
McCollum de “amigo de ilegais”.
Em
contrapartida, o pessoal de McCollum denunciou Scott, um ex-CEO de empresas
de saúde de grupo, de beneficiar-se de esquemas de corrupção. O próprio
Scott admitiu ter havido “mau gerenciamento” de recursos, mas afirmou que
isto foi feito por seus subordinados e ele “não sabia de nada” – até parece
certo presidente sul-americano no caso Mensalão...
Mas quem
se divertiu mesmo com esta guerra fratricida foi Alex Sink, a candidata do
Partido Democrata ao governo da Flórida. Ela lidera as pesquisas e a Flórida
pode voltar a ter um governo democrata depois de 12 anos de domínio
republicano.
* Originalmente publicado no site diretodaredacao.com
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