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Democracia seletiva
Por Antonio Tozzi *
Quem viu o governo
brasileiro todo solerte para condenar o “golpe” de estado em Honduras parece
não ter entendido por que motivo não se viu o mesmo empenho para condenar o
regime despótico cubano que provocou a morte do dissidente político Orlando
Zapata Tamayo na ilha de Cuba.
Coincidentemente, o
presidente brasileiro estava em Cuba quando a comunidade oposicionista
estava em comoção pela morte de Zapata, após ter morrido de inanição em
consequência de 83 dias de greve de fome para que fosse reconhecido seu
direito de ser chamado de prisioneiro de consciência e não um criminoso,
como preferia chamá-lo a ditadura castrista.
Lula, para
desapontamento da maioria dos democratas brasileiros, limitou-se a assinar
uma nota conjunta com Raul Castro lamentando a morte do dissidente. No
entanto, não se negou a fazer o beija mão a Fidel Castro e nem mesmo emitiu
uma declaração governamental condenando a ditadura que domina Cuba por 51
anos, ou sequer procurou ouvir os dissidentes para saber como o Brasil, que
pretende assumir o papel de líder latino-americano, poderia ajudar a
resolver esta questão.
O governo brasileiro
preferiu ficar com as justificativas dos ditadores cubanos que garantem
serem os dissidentes “agentes do imperialismo ianque”, como costumam se
referir os irmãos Castro e seus acólitos a todos aqueles que lutam pela
instauração da democracia na ilha caribenha. É mais fácil ficar com a visão
oficial do que descobrir que o tal “socialismo moreno” não passa de uma
farsa.
Não se ouviu uma ação
mais efetiva do Ministério das Relações Exteriores e de seu titular Celso
Amorim para que os governantes cubanos possam demonstrar mais leniência com
os oposicionistas e, mais ainda, exigir deles uma abertura a fim de que
todas as vozes da população cubana possam ser ouvidas. Aliás, em termos de
malabarismo, Amorim é mestre. O homem está no governo brasileiro desde o
tempo da ditadura militar. Depois de ter servido no governo de João Batista
Figueiredo, ele integrou o governo de Fernando Collor de Mello, em seguida
encontrou um cargo no governo Itamar Franco, trabalhou com Fernando Henrique
Cardoso em seu governo e agora é fiel escudeiro do presidente Lula. Este é o
exemplo mais bem acabado de diplomata.
E a América Latina deu
mais uma demonstração de que pretende ser um subcontinente avestruz. Em vez
de procurar reformar a OEA (Organização dos Estados Americanos), preferiu
formar a OEA do B, após reunião no México, incluindo Cuba, com seu triste
recorde de desrespeito aos direitos humanos, e excluindo Estados Unidos e
Canadá, simplesmente por serem os países mais ricos.
Evidentemente, a nova
entidade foi moldada para ser gerida de acordo com as oreintações de Hugo
Chavez, tanto que ele já entrou num bate boca com o presidente da Colômbia,
Alvaro Uribe, e está criticando acidamente a Comissão Interamericana de
Direitos Humanos por estar vigilante contra seus desmandos. A fim de se
defender, ele usou a mesma cantilena, afirmando ser a CIDH um órgão a
“serviço do imperialismo ianque”. Como já dissemos, é mais fácil recorrer a
frases prontas do que reformular conceitos e abrir espaços para a oposição,
coisas que os ditadores detestam.
E assim caminha a
América Latina…
* Originalmente publicado no site diretodaredacao.com
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