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Ano 5 - Edição 99
de 12/janeiro a 26/janeiro
Deerfield Beach, FL USA
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Silair de Almeida: 'O fiel tem de saber escolher'

“Saiba separar o joio do trigo.” Este provérbio bíblico resume com exatidão como os fiéis devem fazer para identificar qual igreja evangélica devem escolher para freqüentar, na opinião de Silair de Almeida, pastor da Primeira Igreja Batista Brasileira da Flórida. Além disto, ele acumula a presidência da Associação de Pastores Evangélicos da Flórida.

Sem querer ser a palmatória do mundo, Silair admite que há grandes diferenças no amplo espectro das chamadas igrejas evangélicas. Logicamente, defende sua denominação, a Batista, que tem 50 mil congregações somente nos Estados Unidos e está presente em quase todos os países do mundo.

Como é o sistema da Igreja Batista – O pastor reconhece que a Igreja Batista é conservadora, e por isto mesmo vem mantendo sua consistência através dos tempos. Para se tornar um pastor da Igreja Batista, Silair explica que há um processo a ser seguido. Primeiro, é preciso tornar-se membro, ser batizado e depois revelar sua vocação, percebida pela própria pessoa e identificada por outros membros da igreja.

Após ter recebido o chamado, o possível candidato a pastor faz um curso de Teologia, com duração de quatro anos, nas universidades mantidas pela própria congregação. Durante o curso, o aluno estuda psicologia, sociologia, antropologia, história, arqueologia etc, para se preparar adequadamente para exercer suas funções espirituais.

Cumprido o período de estudos, o formando submete-se a um exame junto ao Concílio dos Pastores Batistas, onde a vida pessoal, familiar, religiosa e profissional do candidato é escrutinada. Silair conta o caso de um pretendente a pastor que foi reprovado pelo Concílio quando seus integrantes descobriram que ele não pagava a pensão para seus filhos. A conclusão dos religiosos foi lógica: “Se você não cuida de sua própria família, como pode querer orientar as famílias dos outros”. Silair, baiano de Vitória da Conquista, porém, foi aprovado no exame e ordenado pastor.

Depois de ordenado, o novo pastor é indicado para algumas igrejas, onde eles podem mostrar suas condições. Faz, então, sua pregação e espera a avaliação dos dirigentes daquela igreja. Se aprovado, chega o momento de acertar as bases salariais e começar a trabalhar. É importante destacar que, de acordo com as determinações da Igreja Batista, cada igreja que integre sua congregação precisa manter-se por sua própria conta, de modo a sustentar seu corpo de religiosos e promover eventos e ações sociais.

Como funciona a Igreja Batista Brasileira – Silair é pastor sênior remunerado e tem uma equipe de oito auxiliares. “Recebo um salário compatível ao que ganha os brasileiros aqui na região. Tenho uma casa financiada por 30 anos e um automóvel, não sou, portanto, rico”, garante.

Ele pode não ser rico, mas a igreja em 14 anos possui um patrimônio respeitável. O dinheiro arrecadado junto aos fiéis possibilitou a construção de um prédio avaliado em US$ 2,5 milhões. Se computados os equipamentos instalados, o valor sobe para US$ 3,5 milhões. E tudo está em nome da First Brazilian Baptist Church, significando que o pastor é transitório, mas a igreja é perene. A cada três meses, o relatório das contas da igreja é apresentado diante de uma comissão que examina ou reprova as contas. Este encontro é aberto a todos e apenas o diretor financeiro e o tesoureiro são quem assinam os cheques, e não o pastor.

Além disso, o trabalho dos pastores e dos voluntários visa fornecer assistência à comunidade brasileira que vive no Sul da Flórida. A Igreja Batista Brasileira tem 28 ministérios (Ação Social, Crianças, Adolescentes, Assistência Jurídica, Eventos etc.), cada qual com seu orçamento, determinado no início de cada ano, para administrar da melhor maneira possível. Ou seja, a igreja funciona como uma empresa, tendo inclusive auditoria.

Como toda igreja evangélica, a Igreja Batista Brasileira é mantida graças ao dízimo cobrado de seus fiéis. No entanto, o pastor Silair faz questão de destacar que a igreja tem seu lado humanitário. “Não faz sentido cobrar de quem não tem. Neste caso, a igreja até mesmo colabora para mitigar o sofrimento dos menos favorecidos fornecendo roupas, alimentos, pagando aluguéis, pagando passagens aéreas para a pessoa ir ao Brasil em casos de emergência etc.”, explica.

A igreja abre suas portas a toda a comunidade, independente de serem ou não membros da igreja. Assim, é possível praticar esportes (futebol de salão, judô, jiu jitsu, caratê, aeróbica), participar de espetáculos teatrais, usar os serviços do Consulado, que funciona uma vez por semana no condado de Broward e outras atividades.

Indagações a serem feitas – Como presidente da Associação dos Pastores, Silair diz que as chamadas doutrinas essenciais não são questionadas, como, por exemplo, a de que Cristo é o Salvador. Entretanto, as doutrinas não essenciais podem variar: cultos mais contidos ou mais espalhafatosos, batismo por imersão ou aspersão e por aí vai.

Pregador da tolerância religiosa – não só entre os evangélicos, mas também com as outras religiões -, Silair sugere àqueles que pretendem adotar uma nova religião a se fazer algumas perguntas e também a ir a diferentes igrejas antes de se decidir.

As pessoas possuem capacidade para discernir, sabendo inclusive para onde vai seu dinheiro. Para identificar se uma igreja é séria ou não, os fiéis devem perguntar-se: Há uma comissão financeira que administra os recursos? Ou o dinheiro vai direto para as mãos do pastor? Há projetos de ação social ou programas dirigidos a crianças e adolescentes? A igreja se preocupa com todos os segmentos da sociedade? O patrimônio está em nome da igreja ou do pastor? O pastor é bem preparado para ministrar um culto?

Isso é muito importante. Da mesma maneira que ninguém deve confiar sua saúde a um médico inabilitado ou uma causa jurídica a um advogado despreparado, não se pode depositar seu aconselhamento espiritual a quem se denomina ministro de Deus mas não reúne as mínimas condições de ser um orientador. “Isto pode ser prejudicial e até mesmo confundir a cabeça das pessoas”, assegura Silair.

Ele cita um exemplo de um casal que se amava e já estava de casamento marcado. Um “pastor” aproximou-se do rapaz e disse que ele não deveria casar-se com aquela moça porque o casamento não daria certo. Silair ainda tentou dissuadi-lo, pois eles se amavam e eram adequados um ao outro. O rapaz, porém, acabou rompendo o noivado. Resultado: a moça casou-se com um homem divorciado, com filhos, e ele está infeliz até agora à procura de uma substituta em seu coração.

Silair condena os maus pastores, mas também não poupa críticas a seus seguidores: “Aqueles que procuram este tipo de igreja estão na verdade querendo fazer uma negociação, ou seja, dão o dízimo em troca de uma vida mais confortável, com dinheiro e bens materiais. Há má fé das duas partes”. A Igreja Universal do Reino de Deus, na opinião de Silair, é um exemplo bem acabado de uma igreja evangélica que promete o bem estar na Terra e a salvação eterna, mas quem está mesmo conseguindo os bens materiais são seus pastores. Já a salvação eterna pode ser mais difícil. Para encerrar, nada como recorrer a outro provérbio bíblico: “Jesus disse, ai daqueles que usam o nome de Deus para se locupletar. Estes falsos profetas serão punidos exemplarmente”.

 

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