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'América',
caleidoscópio dos sonhos
América, a nova novela das
oito que estréia no próximo dia 14 pela Rede Globo, abordará, dentre outros
temas, a cleptomania (compulsão desenfreada para o roubo), as dificuldades
encontradas pelos deficientes visuais – campanha social da novela, o
universo rural dos rodeios, a vida após a morte e a imigração ilegal aos
Estados Unidos, tão familiar para a nossa comunidade.
Uma obra que engloba temas polêmicos e ao mesmo tempo distantes exigiu uma
preparação frenética, tanto da consagrada autora Gloria Perez (O Clone,
Barriga de Aluguel e vários sucessos) como também do aclamado diretor Jayme
Monjardim (Terra Nostra e o filme Olga, entre outros) e de todo o elenco. No
início de novembro, os atores participaram de um workshop que durou dois
dias.
O intuito desta primeira etapa era familiarizá-los com os temas da trama
através de intensas palestras feitas por especialistas e pessoas que vivem,
na vida real, o que será mostrado na telinha. Após esta primeira fase, o
elenco foi encaminhado para aulas específicas de cada núcleo. Dança,
equitação, cerâmica, pesquisas e contato com deficientes visuais, imigrantes
ilegais, médicos e espiritas estudiosos da EQM (experiências de quase
morte), peões de rodeio, entre muitos outros fizeram parte do rico e vasto
laboratório de América.
Imigrantes “quase” ilegais - Jayme Monjardim viveu na pele a tão
famosa dura da “salinha”, temor de tantos imigrantes. Abordado por agentes
da imigração, quando voltava de uma pesquisa de locação em Ciudad Juarez, no
México, para El Paso, no Texas, com Thiago Lacerda e mais dois integrantes
da produção. “Eles saíram lá de dentro com cachorros, com uma agressividade,
como se, em vez de uma câmera, estivéssemos segurando uma arma. Levaram o
Jayme lá pra dentro para checar o conteúdo da fita. Tentamos ir junto com
ele, mas os agentes não permitiram. Tivemos de esperar nossa vez para sermos
revistados”, contou Thiago Lacerda, durante a coletiva de imprensa na Globo
Internacional em Nova York, no dia 1º de março. O ator que viverá um coiote
(pessoa que ganha a vida atravessando imigrantes ilegais) afirmou também que
o episódio, que durou seis horas, serviu para enriquecer ainda mais suas
pesquisas para a próxima novela do horário nobre.
Durante a entrevista, o desafio de trabalhar temas tão polêmicos e até mesmo
ignorados foi questionado. Gloria Perez afirmou ser a cleptomania um dos
mais difíceis desta trama. A autora pediu a Christiane Torloni, a qual
viverá a personagem portadora da doença que explicasse um pouco as
dificuldades de se tratar um assunto tão pouco falado. “É mais fácil as
famílias assumir que têm um alcóolatra, um viciado em drogas ou até em
jogo... Elas não assumem um cleptomaníaco, por considerá-lo um ladrão, que
encontra em si e em seus familiares nada além da vergonha”.
Gloria também ressaltou a dificuldade de relatar a imigração ilegal aos
Estados Unidos. Há muitas formas de entrar no país. A travessia pela
fronteira com o México é uma das mais perigosas e é apresentada na trama de
maneira a desestimular este tipo de imigração: “As cenas da travessia pela
fronteira são muito realistas e marcantes. O público entenderá com clareza
os perigos aos quais essas pessoas estão expostas. Isto significa fome,
sede, roubo, estupro, violência, exploração, abandono e morte”.
Além da forma como os imigrantes entraram no país, a autora mostrará como
eles se relacionam entre si, estabelecem novos valores longe da família e de
sua cultura. Para isso, ela criou a pensão da mexicana ilegal Consuelo
(Claudia Jimenez), por onde vários personagens passarão e conviverão com
imigrantes de diversas nacionalidades da América Latina. A chamada “Pensão
dos Imigrantes” servirá como um grande intercâmbio cultural com uma coisa em
comum: “O sonho americano”.
A imigração legal não poderia estar de fora. Ela é mostrada com o casal de
classe alta Glauco (Edson Celulari) e Haydée (Christiane Torloni), obrigados
a deixar o Brasil por causa da violência. Eles formam um núcleo diferente de
imigrantes e mais um tema a ser discutido: a violência extrema das grandes
cidades no Brasil.
Atores e figurantes estrangeiros - A produção contou com locações
internacionais como o Rio Grande, que divide o México dos Estados Unidos -
onde os atores enfrentaram até quatro graus negativos, o Parque Nacional Big
Bend, as cidades Las Lajitas, Presidio, Terlingua, El Paso, diversas áreas
de Miami como Ocean Drive, Little Havana e Downtown dentre outros. Destas
gravações, participaram atores mexicanos e americanos e mais de 150
figurantes.
Mas as participações internacionais não param por aí. Na trama, há um
personagem chamado Nick, interpretado pelo ator americano Lucas Babin.
Trata-se de um peão boiadeiro que vai ao Brasil para disputar grandes
rodeios como o de Barretos. Para interpretar este papel, o ator teve aulas
de português.
Com tantos universos distintos a serem tratados em América, surge uma grande
curiosidade: Como todos esses personagens e histórias vão se entrelaçar?
Onde eles se cruzam? E é exatamente onde pensamos não haver nenhuma relação
entre os universos que está a moral da história. Os protagonistas Deborah
Secco e Murilo Benício que viverão Sol e o peão Tião se apaixonam
intensamente. Ela é uma moça pobre do Rio de Janeiro que cresceu com o sonho
de tentar a vida nos Estados Unidos e ele é uma pessoa que sempre respirou o
clima dos rodeios e sonha desde criança em ser um campeão. Ambos têm certeza
de que encontraram o grande amor de suas vidas. Fazem planos e sonham com um
futuro juntos. Mas aí surge seu primeiro e talvez maior obstáculo: Suas
metas e ambições são incompatíveis.
Para ficar juntos, um teria de abrir mão do grande sonho de sua vida. Esta é
a grande questão que une os diversos temas da trama: O que as pessoas são
capazes de fazer em nome de um grande sonho?
Gloria Perez destacou que América contará histórias de diferentes classes
socias, culturas, idades, polêmicas e aventuras, onde os personagens viverão
conflitos, frustrações e realizações. Mas, mais do que isso, a força que
move o indivíduo a vivê-las, a vontade de cada um, o que faz com que uma
pessoa lute, enfrente dificuldades e obstáculos, às vezes abra mão de algo
ou até de tudo. A autora diz que esta é uma trama de personagens sonhadores,
na qual cada um terá sua história para contar e desafia: “Será que sonhar
não custa nada?”
Por Iara
C. Carnauba
Festa de Lançamento
de “América”
A festa de lançamento de América, realizada em uma grande casa noturna de
São Paulo, recebeu 1.200 convidados. Além do elenco e produção da nova obra
de Gloria Perez, com direção de Jayme Monjardim, participaram todos aqueles
que contribuíram para o grande laboratório de América.
Com cenografia assinada por Chris Ayrosa, da super produção do evento
fizeram parte salões decorados de acordo com os temas da novela. O salão
México, por exemplo, teve mais de duas mil flores de papel crepon, 200
metros de bandeiras típicas, pratos tradicionais e até show de mariachis. Em
outro ambiente, os convidados passavam por um túnel de 80 metros que imitava
o deserto com 30 toneladas de areia até chegar a uma árvore de quatro metros
de altura por quatro metros de diâmetro. Em seus galhos, símbolos
representando os sonhos. Plumas brancas no chão e projeções de nuvens no
teto.
A protagonista Deborah Secco e Edson Celulari foram os mestres de cerimônia
da grande festa de lançamento. Gloria Perez não escondeu a emoção de fazer
parte deste grande projeto.
Todos os convidados receberam um escapulário com as imagens de Nossa Senhora
Aparecida (padroeira do Brasil e protetora dos peões) e Nossa Senhora de
Guadalupe (padroeira do México e protetora dos imigrantes)
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