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Autora de 'América'
aprofunda o tema da imigração illegal
Assessoria
de imprensa da TV Globo enviou material justificando as escolhas feitas por
Glória Perez para a novela que está no ar
Quatro temas básicos serão abordados em América. Através da personagem Sol
(Deborah Secco) será enfocada a imigração ilegal, mostrando as dificuldades
dos latinos que arriscam a vida tentando todo tipo de travessia - pelo
deserto, rio ou mar – em nome do sonho de viver nos Estados Unidos. Esses
“aventureiros” se sujeitam a qualquer coisa para não serem pegos pela
patrulha da fronteira e deportados. Passam fome e sede, machucam-se na
vegetação espinhosa, correm riscos como desidratação, picadas de animais
venenosos, estupros e maus tratos dos coiotes.
Os coiotes são participantes de um esquema que, em troca de dinheiro,
viabiliza a travessia desses viajantes ilegais. Essa rede de ilegalidade
envolve atravessadores – pessoas que formam os grupos de imigrantes,
providenciando passaportes e documentos falsos, passagens aéreas, hospedagem
provisória no México, acompanhamento na travessia e, em alguns casos, até
visto de trabalho. Os ilegais se comprometem a pagar a dívida em prestações,
o que muitas vezes envolve a conivência de amigos e familiares e compromete
o dinheiro que o imigrante ganha ao arranjar trabalho no novo país. Mas a
realidade encontrada na viagem é incompatível com a ilusão vendida. Há casos
em que os imigrantes aceitam carregar drogas em troca da chance de fazer a
travessia, e outros que nem desconfiam que estão sendo usados para o
transporte de entorpecentes. Esse esquema ilegal será mostrado através dos
personagens de Thiago Lacerda (o “atravessador” Alex), Luís Melo (o coiote
Ramirez) e Betty Faria (Pimenta, chefe de uma rede internacional).
Segundo a socióloga Bianca Freire Medeiros, que assessora Glória Perez na
pesquisa sobre o tema, “há hoje entre 600 mil e 1 milhão de brasileiros,
legais e ilegais, vivendo nos Estados Unidos”. “Além disso, o brasileiro é o
grupo que mais cresce entre os latinos que tentam cruzar a fronteira México
– Estados Unidos: nos últimos cinco anos, o número de brasileiros detidos na
fronteira passou de 500 para 8.600 em 2004. Após o atentado terrorista de 11
de setembro houve uma mudança drástica na concessão de vistos de entrada nos
Estados Unidos – de cada três pedidos, um é negado - e a travessia da
fronteira virou a alternativa mais procurada pelos que querem realizar o
sonho”, explicou Bianca.
O historiador José Carlos Sebe Meihy, autor do livro O Brasil Fora de Si é
um dos palestrantes do workshop realizado para o elenco e a equipe na fase
de pesquisas da novela, destaca que, “além dos problemas econômicos
enfrentados pelos brasileiros, há também uma motivação psicológica e
histórica que os leva a buscar uma segunda chance nos Estados Unidos”. “Eles
são seduzidos pelo ideal materialista do consumo. Há uma liderança feminina
nos grupos que tentam as travessias, e Minas Gerais já está sendo desbancada
por Goiás e Mato Grosso no número de imigrantes que tentam a sorte de entrar
ilegalmente nos Estados Unidos. Os brasileiros lá têm de trabalhar muito.
Somente em Nova York, há cerca de 600 dançarinas e 1 mil engraxates de
sapatos tentando ganhar a vida na cidade”, contou o historiador.
A fase de pesquisas para a novela começou em março do ano passado e, desde
então, Monjardim, Glória Perez e pesquisadores foram umas três vezes aos
Estados Unidos. “Colhemos vários depoimentos de pessoas que tentaram a
travessia. Com o tema da imigração, vamos mostrar uma visão real da questão.
Há os que vão e se dão bem, os que vão e se dão mal, os ilegais e os
legais”, conta o diretor .
A saudade da família e da terra natal e os conflitos e contrastes vividos
pelos que conseguem entrar nos Estados Unidos também terão destaque na
trama, no cenário da pensão dos imigrantes de Miami, que tem a mexicana
Consuelo (Claudia Jimenez) como dona. Lá vivem o brasileiro Jota (Roberto
Bomfim) e o cubano Geraldito (Guilherme Karam). A eles se juntam as
mexicanas Inesita (Juliana Knust) e Mercedes (Rosi Campos) - filha e irmã de
Consuelo, que conseguem fazer a travessia da fronteira - e o casal de
brasileiros Neto (Rodrigo Faro) e Heloísa (Simone Spoladore), com o filho
Rique (Matheus Costa). A família entrou legalmente no país, mas também
sofrerá as dificuldades de adaptação aos códigos e condutas comportamentais
dos norte-americanos, principalmente no que diz respeito à educação do
menino, matriculado em uma escola freqüentada por crianças latinas. As
diferenças são grandes, passando pela relação familiar e com o corpo, a
disciplina dos filhos, o tratamento na escola etc. Na trama, os americanos
estão representados pela especialista em línguas Miss Jane (Eva Todor), a
professora May (Camila Morgado) e o intelectual Ed (Caco Ciocler).
“O choque cultural que os imigrantes vivem no cotidiano é muito grande. O
latino tem uma forma de pensar e de ver o mundo totalmente diferente do
americano. Gravei muitas entrevistas com ilegais na fase de pesquisa e
queria que essas pessoas se reconhecessem na novela. Quem vai para lá fica
longe de suas raízes, de suas famílias e acaba formando outra família,
baseada em outros laços, de quem perdeu tudo”, comenta Glória Perez.
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