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Show intimista de Ivan Lins agrada
Fotos: Jefferson Simizu
A
voz pequena, roufenha, o suspirar ofegante denunciavam o desconforto de Ivan
Lins na interpretação de clássicos que se eternizaram nas vozes de cantoras
como Elis Regina e Simone, mas o carinho do público e sua simpatia
transformaram o show apresentado no Amaturo Theater, dia 12 de maio, num
espetáculo de alta sensibilidade e empatia entre público e artista.
Na verdade, o mais correto seria dizer artistas, porque o violonista
Leonardo Amoedo compôs um dueto perfeito com o tecladista Ivan Lins. Apenas
os dois instrumentistas conseguiram encher de sons o teatro e arrancar
aplausos dos presentes. Claro, se tivesse vindo uma banda completa
certamente o clima seria de mais energia.
Entretanto, os dois músicos proporcionaram momentos mágicos, com o show
puxado para o jazz e o improviso. O uruguaio Amoedo, que Ivan conheceu na
Holanda e a quem convidou para integrar sua banda, demonstrou talento
incrível, dando show ao tocar três diferentes tipos de violão e guitarra
portuguesa (considerada um dos instrumentos de cordas mais difíceis de se
tocar).
Aliás, sua ligação com músicos americanos de jazz é bastante conhecida, com
grandes nomes dos EUA tendo gravado canções de Ivan Lins ou participado como
convidados de seus discos. Por isto não foi surpresa ele ter falado o tempo
todo em inglês com a platéia, o que agradou os (poucos) americanos presentes
e foi compreendido perfeitamente pelos (muitos) brasileiros que estavam no
teatro.
Mesmo com a voz enfraquecida, o show foi longo, com direito a intervalo de
15 minutos para descanso dos artistas. Na primeira parte do espetáculo,
foram executadas músicas mais conhecidas, como “O Circo”. Depois, Ivan Lins
dividiu as canções por blocos – um dedicado às músicas que marcaram época
como resistência à então ditadura brasileira, outro reservado às canções
românticas, como “Saindo de Mim”.
Depois do intervalo, ele mostrou algumas canções novas e encerrou o show com
músicas que levantaram o público como “Dinorah, Dinorah” e “Vitoriosa”. O
grand finale, como não poderia deixar de ser, ficou por conta de “Madalena”,
com todo o teatro cantando junto “Ma, o mada, o madale, o madale-le-lena!”.
Os artistas foram aplaudidos de pé ao final do show pelos espectadores, que
deixaram o teatro cantarolando as canções que se eternizaram nas mentes e
nas almas dos brasileiros, sobretudo daqueles que têm mais de 40 anos de
idade. Ivan Lins levou a todos a uma viagem no tempo de um Brasil que ainda
permanece presente nos nossos corações.
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