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Ano 5 - Edição 108
10/maio a 31/maio
Deerfield Beach, FL USA
Cotações e Bolsas.

O aspecto econômico do Festival de Cinema

Adriana Dutra ao lado da Atriz Betty FariaQuando você entra numa sala de exibição é tomado por um misto de encantamento e enlevo que tem o poder de abstrair a realidade e levar você ao mundo dos sonhos. Este, aliás, é o objetivo do cinema. Mas por trás dos belos cenários, dos truques de animação e das interpretações dos atores e atrizes há uma azeitada indústria que movimenta bilhões de dólares.

Hollywood é mesmo sinônimo de diversão e muito dinheiro. Porém, o cinema brasileiro segue pela mesma trilha? Ele é viável economicamente ou serve apenas para alguns cineastas exercitarem suas doses exacerbadas de ego? As respostas a estas perguntas são dadas por Adriana Dutra, diretora executiva do Festival do Cinema Brasileiro de Miami nesta entrevista.

Na verdade, Adriana fala de dois conceitos diferentes mas complementares, integrados pelos festivais de Miami e de Nova York, também promovido pela Inffinito Foundation: “O Festival de Miami é a porta de entrada para os produtos brasileiros serem comercializados nos mercados americano e latino. E o Festival de Nova York serve como vitrine para criar visibilidade para o produto audiovisual brasileiro”.

No Festival de Miami, que terá sua nona edição em junho, a proposta é que ele se transforme num centro de difusão de negócios. Por isso, além dos convidados e dos representantes dos filmes (diretores, produtores e atores brasileiros), as organizadoras do evento trazem produtores, distribuidores e exibidores dos Estados Unidos. Eles são inclusive membros do júri, “até porque são obrigados a assistir todos os filmes para poder votar nas diversas categorias que concorrem ao prêmio Lente de Cristal”, destaca Adriana.

Market Place – Há alguns anos, a Inffinito Foundation vem realizando o Market Place, uma feira de produtos audiovisuais e uma série de palestras voltadas para debater as tendências do segmento cinematográfico, sobretudo aquelas que envolvem o cinema brasileiro e sua inserção no mercado americano.

O Market Place não foi montado no ano passado, depois de quatro anos seguidos. A explicação de Adriana Dutra para o fato foi o corte de verbas, que impossibilitou sua realização nos padrões estabelecidos pelas organizadoras. “Para fazer algo mal feito preferimos cancelá-lo em 2004. Mesmo sem o suporte do Market Place, foram comercializados cerca de 200 filmes para a América Latina, Estados Unidos, África e Portugal”, afirma a diretora da Inffinito.

Este ano, porém, o Market Place volta revitalizado e com a intenção de fomentar muito mais contato e aproximação entre os realizadores do cinema brasileiro e os distribuidores americanos. E são contatos em alto nível, pois do Brasil virão membros do Ministério da Cultura e da Ancine, além dos cineastas, produtores e atores. Dos EUA, garantiram presença os principais distribuidores de filmes do país e representantes da Motion Pictures Association of America (MPAA), entre outros.

As organizadoras asseguram que o Festival de Miami vem atingindo seu objetivo. “Quem vem aqui sempre consegue estabelecer algum tipo de negócio ou fechar contratos, que vão desde comercialização de produtos até co-produções, passando por participação em outros festivais de cinemas e outros tipos de contatos. Além do mais, contribuímos para fomentar novas platéias para o cinema brasileiro”, diz Adriana, revelando que o evento movimenta cerca de US$ 500 mil em negócios. E vem crescendo percentualmente entre 20 e 30% por ano.

Como será o Market Place em 2005 – Com base na experiência anterior, as organizadoras do Festival de Cinema perceberam que o formato de feira de negócios não estava sendo tão efetivo como se esperava. Por isto, este ano, o foco está concentrado nos debates, “porque nosso negócio é mais visual do que físico”, esclarece Adriana.
Dessa forma, os debates estão programados para o período de 13 a 16 de junho, na Cinemateque (512 Española Way, Miami Beach), sempre das 2h30 às 4h30 da tarde. A programação será aberta, no dia 13, com o painel “Como Atrair Produtores Americanos para Filmar no Brasil”. O painel discutirá as várias possibilidades do Brasil servir como cenário para filmagens de longa metragens e comerciais, como já vem ocorrendo, principalmente no estado do Amazonas, graças ao trabalho da Amazonas Film Commission, e no Rio de Janeiro. As razões para se escolher o Brasil, de acordo com os profissionais, são a diversidade racial, as belas paisagens, a excelente ilumiação natural durante o dia, profissionais de alta qualidade e custos de produção que representam economia de até 50%. Mas há muito mais a ser feito e isto será debatido neste painel.

“As Tendências do Novo Mercado nos EUA para a Indústria Cinematográfica Brasileira – Distribuição” é o nome do painel programado para terça-feira, dia 14. Serão discutidas as maneiras como os filmes brasileiros podem aumentar sua fatia no maior mercado do planeta.

Na quarta-feira, dia 15, o tema será “Novas Tecnologias: Audiovisual na Internet, Telefones Celular e em Videogames”. Durante este painel, os convidados discutirão o impacto das novas tecnologias na indústria cinematográfica. Um exemplo foi o destaque que os telefones celulares como mídia cinematográfica tiveram na Milia MIPTV 2005, reallizada em Cannes, na França. Diariamente cinco bilhões de músicas, filmes e jogos são baixados da Internet, constatando o potencial destas mídias interativas.

O encerramento está previsto para quinta-feira, dia 16, com o painel “Como os Festivais de Cinema Podem Promover os Filmes Brasileiros”, presidido por Cláudia Dutra e tendo como convidados representantes de festivais de cinema. A cada ano são realizados centenas de festivais de cinema nos EUA, alguns dos quais alcançaram grande prestígio, como Sundance Film Festival, Chicago Latin Film Festival, Tribeca Film Festival e New York Film Festival. Os participantes debaterão a importância destes festivais como veículos de divulgação dos filmes brasileiros nos EUA.

Vale lembrar que todos os debates são abertos ao público e após o encerramento de cada painel será servida cerveja Brahma para os convidados e para os espectadores.

Brahma escolheu o Festival de Cinema – A tão aguardada entrada da cerveja Brahma no mercado americano vai acontecer por meio dos Festivais de Cinema Brasileiro de Miami e de Nova York. A marca brasileira que ganhará status de marca mundial ocorrerá em grande estilo, com distribuição na abertura do evento, na praia, no dia 10 de junho, e com a montagem do Camarote Brahma, onde diariamente convidados do Festival e espectadores podem encontrar-se para conversar saboreando cerveja Brahma. Outra novidade é que cada noite um artista será o DJ. Um dos nomes confirmados é o do ator Rodrigo Santoro – que, por sinal, anda em alta no cinema americano.
Na verdade, a Brahma é o mais novo patrocinador do evento, que já conta com o patrocínio e apoio da Petrobras, Kodak, TAM, MinC, Ancine, Itamaraty, Consulados de Miami e Nova York, Rio Filmes, Prefeitura de Miami Beach, Miami Dade County, GMCVB, Governo da Flórida, Confiança, Comcast, Interlearning Center, Piola, AcheiUSA e Acontece.com. E no caso de Nova York tem ainda o apoio do CityParks Foundation, integrando, portanto, o circuito de eventos de verão da cidade.

Em Nova York, o festival será realizado entre os dias 8 e 16 de julho. É um festival com características diferentes, pois mescla música com cinema – se apresentarão por lá Gabriel, O Pensador e Nação Zumbi - e não tem o caráter competitivo do de Miami. É apenas uma mostra de cinema.

Para quem pensa que é fácil fazer um festival de cinema, um aviso: “Batalhamos bastante para chegar aonde chegamos. Hoje, o festival é um evento oficial do governo brasileiro e trabalhamos com a Lei Rouanet (que permite deduções fiscais às empresas que investem em cultura). Faço cerca de duas mil reuniões anuais para captar recursos”, revela Adriana.

Tanto empenho está rendendo frutos. Além dos festivais de Miami e Nova York, já estão acertados o Festival de Barcelona, em dezembro deste ano, e o Festival Internacional de Cinema da Bahia – parceria entre Inffinito Films, Oriente Filmes (maior exibidor do Nordeste) e TV Globo da Bahia – em abril do próximo ano. “Estamos tentando transformar este festival no maior do Brasil, com a exibição de 300 filmes”, finaliza Adriana.

 


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