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O aspecto econômico do
Festival de Cinema
Quando
você entra numa sala de exibição é tomado por um misto de encantamento e
enlevo que tem o poder de abstrair a realidade e levar você ao mundo dos
sonhos. Este, aliás, é o objetivo do cinema. Mas por trás dos belos
cenários, dos truques de animação e das interpretações dos atores e atrizes
há uma azeitada indústria que movimenta bilhões de dólares.
Hollywood é mesmo sinônimo de diversão e muito dinheiro. Porém, o cinema
brasileiro segue pela mesma trilha? Ele é viável economicamente ou serve
apenas para alguns cineastas exercitarem suas doses exacerbadas de ego? As
respostas a estas perguntas são dadas por Adriana Dutra, diretora executiva
do Festival do Cinema Brasileiro de Miami nesta entrevista.
Na verdade, Adriana fala de dois conceitos diferentes mas complementares,
integrados pelos festivais de Miami e de Nova York, também promovido pela
Inffinito Foundation: “O Festival de Miami é a porta de entrada para os
produtos brasileiros serem comercializados nos mercados americano e latino.
E o Festival de Nova York serve como vitrine para criar visibilidade para o
produto audiovisual brasileiro”.
No Festival de Miami, que terá sua nona edição em junho, a proposta é que
ele se transforme num centro de difusão de negócios. Por isso, além dos
convidados e dos representantes dos filmes (diretores, produtores e atores
brasileiros), as organizadoras do evento trazem produtores, distribuidores e
exibidores dos Estados Unidos. Eles são inclusive membros do júri, “até
porque são obrigados a assistir todos os filmes para poder votar nas
diversas categorias que concorrem ao prêmio Lente de Cristal”, destaca
Adriana.
Market Place – Há alguns anos, a Inffinito Foundation vem realizando
o Market Place, uma feira de produtos audiovisuais e uma série de palestras
voltadas para debater as tendências do segmento cinematográfico, sobretudo
aquelas que envolvem o cinema brasileiro e sua inserção no mercado
americano.
O Market Place não foi montado no ano passado, depois de quatro anos
seguidos. A explicação de Adriana Dutra para o fato foi o corte de verbas,
que impossibilitou sua realização nos padrões estabelecidos pelas
organizadoras. “Para fazer algo mal feito preferimos cancelá-lo em 2004.
Mesmo sem o suporte do Market Place, foram comercializados cerca de 200
filmes para a América Latina, Estados Unidos, África e Portugal”, afirma a
diretora da Inffinito.
Este ano, porém, o Market Place volta revitalizado e com a intenção de
fomentar muito mais contato e aproximação entre os realizadores do cinema
brasileiro e os distribuidores americanos. E são contatos em alto nível,
pois do Brasil virão membros do Ministério da Cultura e da Ancine, além dos
cineastas, produtores e atores. Dos EUA, garantiram presença os principais
distribuidores de filmes do país e representantes da Motion Pictures
Association of America (MPAA), entre outros.
As organizadoras asseguram que o Festival de Miami vem atingindo seu
objetivo. “Quem vem aqui sempre consegue estabelecer algum tipo de negócio
ou fechar contratos, que vão desde comercialização de produtos até
co-produções, passando por participação em outros festivais de cinemas e
outros tipos de contatos. Além do mais, contribuímos para fomentar novas
platéias para o cinema brasileiro”, diz Adriana, revelando que o evento
movimenta cerca de US$ 500 mil em negócios. E vem crescendo percentualmente
entre 20 e 30% por ano.
Como será o Market Place em 2005 – Com base na experiência anterior,
as organizadoras do Festival de Cinema perceberam que o formato de feira de
negócios não estava sendo tão efetivo como se esperava. Por isto, este ano,
o foco está concentrado nos debates, “porque nosso negócio é mais visual do
que físico”, esclarece Adriana.
Dessa forma, os debates estão programados para o período de 13 a 16 de
junho, na Cinemateque (512 Española Way, Miami Beach), sempre das 2h30 às
4h30 da tarde. A programação será aberta, no dia 13, com o painel “Como
Atrair Produtores Americanos para Filmar no Brasil”. O painel discutirá as
várias possibilidades do Brasil servir como cenário para filmagens de longa
metragens e comerciais, como já vem ocorrendo, principalmente no estado do
Amazonas, graças ao trabalho da Amazonas Film Commission, e no Rio de
Janeiro. As razões para se escolher o Brasil, de acordo com os
profissionais, são a diversidade racial, as belas paisagens, a excelente
ilumiação natural durante o dia, profissionais de alta qualidade e custos de
produção que representam economia de até 50%. Mas há muito mais a ser feito
e isto será debatido neste painel.
“As Tendências do Novo Mercado nos EUA para a Indústria Cinematográfica
Brasileira – Distribuição” é o nome do painel programado para terça-feira,
dia 14. Serão discutidas as maneiras como os filmes brasileiros podem
aumentar sua fatia no maior mercado do planeta.
Na quarta-feira, dia 15, o tema será “Novas Tecnologias: Audiovisual na
Internet, Telefones Celular e em Videogames”. Durante este painel, os
convidados discutirão o impacto das novas tecnologias na indústria
cinematográfica. Um exemplo foi o destaque que os telefones celulares como
mídia cinematográfica tiveram na Milia MIPTV 2005, reallizada em Cannes, na
França. Diariamente cinco bilhões de músicas, filmes e jogos são baixados da
Internet, constatando o potencial destas mídias interativas.
O encerramento está previsto para quinta-feira, dia 16, com o painel “Como
os Festivais de Cinema Podem Promover os Filmes Brasileiros”, presidido por
Cláudia Dutra e tendo como convidados representantes de festivais de cinema.
A cada ano são realizados centenas de festivais de cinema nos EUA, alguns
dos quais alcançaram grande prestígio, como Sundance Film Festival, Chicago
Latin Film Festival, Tribeca Film Festival e New York Film Festival. Os
participantes debaterão a importância destes festivais como veículos de
divulgação dos filmes brasileiros nos EUA.
Vale lembrar que todos os debates são abertos ao público e após o
encerramento de cada painel será servida cerveja Brahma para os convidados e
para os espectadores.
Brahma escolheu o Festival de Cinema – A tão aguardada entrada da
cerveja Brahma no mercado americano vai acontecer por meio dos Festivais de
Cinema Brasileiro de Miami e de Nova York. A marca brasileira que ganhará
status de marca mundial ocorrerá em grande estilo, com distribuição na
abertura do evento, na praia, no dia 10 de junho, e com a montagem do
Camarote Brahma, onde diariamente convidados do Festival e espectadores
podem encontrar-se para conversar saboreando cerveja Brahma. Outra novidade
é que cada noite um artista será o DJ. Um dos nomes confirmados é o do ator
Rodrigo Santoro – que, por sinal, anda em alta no cinema americano.
Na verdade, a Brahma é o mais novo patrocinador do evento, que já conta com
o patrocínio e apoio da Petrobras, Kodak, TAM, MinC, Ancine, Itamaraty,
Consulados de Miami e Nova York, Rio Filmes, Prefeitura de Miami Beach,
Miami Dade County, GMCVB, Governo da Flórida, Confiança, Comcast,
Interlearning Center, Piola, AcheiUSA e Acontece.com. E no caso de Nova York
tem ainda o apoio do CityParks Foundation, integrando, portanto, o circuito
de eventos de verão da cidade.
Em Nova York, o festival será realizado entre os dias 8 e 16 de julho. É um
festival com características diferentes, pois mescla música com cinema – se
apresentarão por lá Gabriel, O Pensador e Nação Zumbi - e não tem o caráter
competitivo do de Miami. É apenas uma mostra de cinema.
Para quem pensa que é fácil fazer um festival de cinema, um aviso:
“Batalhamos bastante para chegar aonde chegamos. Hoje, o festival é um
evento oficial do governo brasileiro e trabalhamos com a Lei Rouanet (que
permite deduções fiscais às empresas que investem em cultura). Faço cerca de
duas mil reuniões anuais para captar recursos”, revela Adriana.
Tanto empenho está rendendo frutos. Além dos festivais de Miami e Nova York,
já estão acertados o Festival de Barcelona, em dezembro deste ano, e o
Festival Internacional de Cinema da Bahia – parceria entre Inffinito Films,
Oriente Filmes (maior exibidor do Nordeste) e TV Globo da Bahia – em abril
do próximo ano. “Estamos tentando transformar este festival no maior do
Brasil, com a exibição de 300 filmes”, finaliza Adriana.
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