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Camila Morgado: Paixão
Pela Sétima Arte
Por Neusa Martinez
AcheiUSA – Como surgiu o
convite para fazer a protagonista do filme Olga?
Camila Morgado – Para Olga não fiz teste. Tinha feito para Manuela, da
minissérie A Casa Das Sete Mulheres, que também tinha direção de Jayme
Monjardim. Um dia, quando estava gravando a Manuela, o Jayme me chamou num
canto e disse que talvez eu fizesse a Olga. Depois de 15 dias após o
encerramento da minissérie, ele deu a notícia que eu seria a privilegiada.
Na verdade, acho que meu teste foi a Manuela, que abriu a porta para Olga
entrar.
AcheiUSA – Qual foi o seu maior desafio neste filme?
Camila – Olga, por enquanto, foi a experiência mais difícil que tive. Desde
o início sabia que seria uma responsabilidade muito grande, principalmente
porque não ficaria só numa fase, e sim iríamos fazer toda a trajetória de
vida dessa mulher. Além do mais, nunca tinha feito cinema! Realmente foi um
grande desafio.
AcheiUSA – Quais as fases de Olga que foram retratadas?
Camila – Tinha de trabalhar com toda a transformação dela, tanto física
quanto pessoal. No filme, ela começa adolescente, depois passa pela Rússia,
fazendo treinamento militar e logo depois conhece Prestes, por quem se
apaixonou. Aprendeu a lidar com o amor. Com Prestes, veio uma união muito
forte, os dois foram cúmplices. Daí a transformação dela em mulher, em ser
mãe e até ser levada para o campo de concentração.
AcheiUSA – Como foi o processo para compor Olga?
Camila – Fiquei dois meses e meio filmando e dois meses e meio me
preparando. Assim que recebi a notícia, comecei a estudar a parte
intelectual: a história para entender aquela época, vi muitos filmes, me
aprofundei naquela atmosfera que Olga viveu. Também fiz aulas de alemão,
para me familiarizar com a língua. Daí veio a preparação física: fui para o
exército e todos os dias, em São Cristóvão, fiz treinamento de lutas de
defesa pessoal, aulas de tiro etc. Também fizemos leituras em grupo e sempre
conversava com o Jayme. Foi uma preparação muito intensa.
AcheiUSA – Você participou de todos os dias da filmagem?
Camila – Tinha de estar no set de filmagem praticamente todos os dias, só
não filmei três dias! Passei dois meses e meio filmando intensamente,
passando por aquela história que é muito tensa.
AcheiUSA – Como você lida com um personagem que existiu realmente?
Camila – Isso me preocupava no começo, pelo fato dela já ter existido. Mas,
quando comecei a entender melhor, percebi que de Olga a gente sabe muito
pouco. Já o Prestes, conhecemos bem mais. Tinha alguns documentários do
Prestes que ele fala alguma coisa de Olga. A filha, a Anita, infelizmente
não sabe nada, porque não conviveu com a mãe. Olga foi retirada da filha
quando esta tinha um ano e dois meses... Passei a me apoiar no livro do
Fernando Morais e também conversava muito com ele. Até que chegou um momento
em que não me preocupei mais em tentar imitá-la nos trejeitos, não tinha
como. As fotos que se têm de Olga são muito poucas. Então, tive uma
liberdade maior.
AcheiUSA – Como é a direção do Jayme Monjardim?
Camila – O ator trabalha de acordo com a linguagem do diretor. Por exemplo,
ele queria que Olga tivesse uma aparência de líder e que isso fosse mais
focado no rosto, porque ele acha que o olho é onde passa tudo do ser humano.
Ele queria que o olhar revelasse todas as emoções de Olga. Quando ela
chegasse num lugar, imediatamente aparentasse uma pessoa forte. Isso tudo
veio em cima da linguagem do que ele queria e a construção do personagem
veio a partir disso. Jayme e eu nos transformamos em grandes parceiros.
AcheiUSA – Como se sente depois deste primeiro “passeio” pelo cinema?
Camila – Tinha um sonho de fazer cinema! Sou uma estreante, não tenho muita
quilometragem para falar, mas é totalmente diferente de tudo que fiz.
Primeiro porque existe um tempo muito maior e um aprofundamento melhor do
caráter do personagem, que na televisão nem sempre é possível. No cinema só
gravamos uma ou duas cenas por dia, até três ou quatro, já na televisão
gravamos mais de 20! Outra coisa interessante é que no cinema podemos
começar a gravar pelo final, pelo meio, enfim, fica pulando as fases, e isso
faz com que seja muito mais difícil, ao mesmo tempo que é instigante. Fiquei
apaixonada pela Sétima Arte!
AcheiUSA – O que você mais gosta no trabalho de atriz?
Camila – Gosto de usar o personagem para disfarçar minha personalidade, é
por isso que escolhi ser atriz. É muito bom brincar com outra personalidade.
É claro que o jeito que fiz aquela Olga, é só meu. Se outra atriz fizer,
será completamente diferente. De certa forma consegui transformá-la em Olga
e não em Camila.
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