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Ano 5 - Edição 109
01/junho a 15/junho
Deerfield Beach, FL USA
Cotações e Bolsas.

Camila Morgado: Paixão Pela Sétima Arte

Por Neusa Martinez

AcheiUSA – Como surgiu o convite para fazer a protagonista do filme Olga?
Camila Morgado –
Para Olga não fiz teste. Tinha feito para Manuela, da minissérie A Casa Das Sete Mulheres, que também tinha direção de Jayme Monjardim. Um dia, quando estava gravando a Manuela, o Jayme me chamou num canto e disse que talvez eu fizesse a Olga. Depois de 15 dias após o encerramento da minissérie, ele deu a notícia que eu seria a privilegiada. Na verdade, acho que meu teste foi a Manuela, que abriu a porta para Olga entrar.

AcheiUSA – Qual foi o seu maior desafio neste filme?
Camila –
Olga, por enquanto, foi a experiência mais difícil que tive. Desde o início sabia que seria uma responsabilidade muito grande, principalmente porque não ficaria só numa fase, e sim iríamos fazer toda a trajetória de vida dessa mulher. Além do mais, nunca tinha feito cinema! Realmente foi um grande desafio.

AcheiUSA – Quais as fases de Olga que foram retratadas?
Camila –
Tinha de trabalhar com toda a transformação dela, tanto física quanto pessoal. No filme, ela começa adolescente, depois passa pela Rússia, fazendo treinamento militar e logo depois conhece Prestes, por quem se apaixonou. Aprendeu a lidar com o amor. Com Prestes, veio uma união muito forte, os dois foram cúmplices. Daí a transformação dela em mulher, em ser mãe e até ser levada para o campo de concentração.

AcheiUSA – Como foi o processo para compor Olga?
Camila –
Fiquei dois meses e meio filmando e dois meses e meio me preparando. Assim que recebi a notícia, comecei a estudar a parte intelectual: a história para entender aquela época, vi muitos filmes, me aprofundei naquela atmosfera que Olga viveu. Também fiz aulas de alemão, para me familiarizar com a língua. Daí veio a preparação física: fui para o exército e todos os dias, em São Cristóvão, fiz treinamento de lutas de defesa pessoal, aulas de tiro etc. Também fizemos leituras em grupo e sempre conversava com o Jayme. Foi uma preparação muito intensa.

AcheiUSA – Você participou de todos os dias da filmagem?
Camila –
Tinha de estar no set de filmagem praticamente todos os dias, só não filmei três dias! Passei dois meses e meio filmando intensamente, passando por aquela história que é muito tensa.

AcheiUSA – Como você lida com um personagem que existiu realmente?
Camila –
Isso me preocupava no começo, pelo fato dela já ter existido. Mas, quando comecei a entender melhor, percebi que de Olga a gente sabe muito pouco. Já o Prestes, conhecemos bem mais. Tinha alguns documentários do Prestes que ele fala alguma coisa de Olga. A filha, a Anita, infelizmente não sabe nada, porque não conviveu com a mãe. Olga foi retirada da filha quando esta tinha um ano e dois meses... Passei a me apoiar no livro do Fernando Morais e também conversava muito com ele. Até que chegou um momento em que não me preocupei mais em tentar imitá-la nos trejeitos, não tinha como. As fotos que se têm de Olga são muito poucas. Então, tive uma liberdade maior.

AcheiUSA – Como é a direção do Jayme Monjardim?
Camila –
O ator trabalha de acordo com a linguagem do diretor. Por exemplo, ele queria que Olga tivesse uma aparência de líder e que isso fosse mais focado no rosto, porque ele acha que o olho é onde passa tudo do ser humano. Ele queria que o olhar revelasse todas as emoções de Olga. Quando ela chegasse num lugar, imediatamente aparentasse uma pessoa forte. Isso tudo veio em cima da linguagem do que ele queria e a construção do personagem veio a partir disso. Jayme e eu nos transformamos em grandes parceiros.

AcheiUSA – Como se sente depois deste primeiro “passeio” pelo cinema?
Camila –
Tinha um sonho de fazer cinema! Sou uma estreante, não tenho muita quilometragem para falar, mas é totalmente diferente de tudo que fiz. Primeiro porque existe um tempo muito maior e um aprofundamento melhor do caráter do personagem, que na televisão nem sempre é possível. No cinema só gravamos uma ou duas cenas por dia, até três ou quatro, já na televisão gravamos mais de 20! Outra coisa interessante é que no cinema podemos começar a gravar pelo final, pelo meio, enfim, fica pulando as fases, e isso faz com que seja muito mais difícil, ao mesmo tempo que é instigante. Fiquei apaixonada pela Sétima Arte!

AcheiUSA – O que você mais gosta no trabalho de atriz?
Camila –
Gosto de usar o personagem para disfarçar minha personalidade, é por isso que escolhi ser atriz. É muito bom brincar com outra personalidade. É claro que o jeito que fiz aquela Olga, é só meu. Se outra atriz fizer, será completamente diferente. De certa forma consegui transformá-la em Olga e não em Camila.


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