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Carla Camurati,
"Diretora do Brasil"
Por Antonio Tozzi
Carla Camurati é um nome que
pode ser associado como um dos sinônimos de cinema nacional. Por isto, nada
mais justo sua escolha para presidir o júri do 9º Festival do Cinema
Brasileiro em Miami.
A atriz e diretora, que tem em seu currículo uma vasta filmografia e
participações em novelas e minisséries, já foi eleita pela revista Forbes
uma das mulheres mais influentes do Brasil. Nada mau para quem largou a
Faculdade de Biologia no quarto período para se lançar na carreira
artística.
O Brasil perdeu uma bióloga, mas ganhou uma excelente atriz, vencedora de
dois Kikitos de Ouro no Festival de Gramado – melhor atriz por Eternamente
Pagu (1987) e melhor atriz coadjuvante por O Olho Mágico do Amor (1981) –,
além do Prêmio Especial do Júri, por sua atuação em A Estrela Nua (1985).
Entretanto, mesmo sendo boa atriz e muito bonita – posou para a Playboy em
1982 -, foi o trabalho por trás das câmeras que a cativou. Muitos creditam a
ela o impulso que o cinema brasileiro teve a partir de Carlota Joaquina,
Princesa do Brasil, estrelado por Marieta Severo e Marco Nanini. O filme, de
1995, arrebatou multidões para as salas de exibição, com mais de 1,2 milhão
de espectadores. Um público fenomenal para uma produção modesta (R$ 630 mil)
em comparação com as grandes produções de Hollywood.
Depois, ela dirigiu La Serva Padrona (1998) e Copacabana (2001). Por sinal,
o nome da distribuidora de Carla Camurati é Copacabana Filmes. A presidente
do júri do Festival de Miami já prepara uma nova supresa para o público: O
Mistério de Irma Vap, que acabou de ser filmado, inspirado nos 20 anos de
sucesso da peça que consagrou definitivamente Marco Nanini de Ney Latorraca.
Não, por acaso, os atores principais do filme.
AcheiUSA - Como você se sente sendo escolhida para ser presidente do júri
do Festival do Cinema Brasileiro em Miami?
Carla Camurati – Fiquei muito honrada. É um festival, onde estive duas
vezes com filmes meus, e que gosto muito, por causa da sua organização.
AcheiUSA – Qual a
importância deste festival para o cinema brasileiro?
Carla – Sem dúvida, é muito importante. Assim como os demais festivais
de filmes brasileiros no exterior, serve para que os diretores e produtores
brasileiros possam mostrar suas obras num mercado fechado como é o
americano. Há muita resistência às produções estrangeiras, acho que só 20%
dos filmes são de fora.
AcheiUSA – Você começou
sua carreira na TV, mas depois migrou para o cinema. Por que mudou?
Carla – Na verdade, me identifiquei bem mais com o cinema. Adoro este
ritmo de ter de dirigir, produzir, correr atrás de patrocínio. É algo que me
realiza bem mais. Acabo me envolvendo com todo o processo. Além do mais,
cuido de um festival de cinema infantil, uma coisa que me dá bastante
satisfação.
AcheiUSA – Você se
considera a pessoa que causou o ressurgimento do cinema brasileiro, com
Carlota Joaquina?
Carla – Realmente, Carlota Joaquina foi um filme que deu um excelente
público (mais de 1,2 milhão de espectadores) e por este motivo marcou
bastante. Pude acompanhar bem todo o processo porque tive de abrir uma
empresa (Copacabana Filmes), que cuida da distribuição de todos os meus
filmes.
AcheiUSA – Por que você
resolveu fazer o primeiro (e único) filme-ópera do país, La Serva Padrona?
Carla – Acho que as pessoas não conhecem ópera, um movimento musical
super importante. Dirigi óperas no teatro e escolhi La Serva Padrona porque
é uma ópera curta, fácil de entender e que pode agradar adultos e crianças.
AcheiUSA – Você ganhou vários prêmios como atriz de cinema. Por que
resolveu trocar a atuação pela direção? É algo que lhe dá mais prazer?
Carla – Sim. Gosto mais. Considero a direção um processo mais completo.
Embora goste de atuar, me sinto melhor dirigindo. Não sei dizer qual o
motivo, mas é algo que me dá mais prazer, sim.
AcheiUSA – Quais seus próximos projetos para o cinema?
Carla – Acabei de filmar O Mistério de Irma Vap (grande sucesso do
teatro brasileiro), em comemoração aos 20 anos da peça, que reunia Marco
Nanini e Ney Latorraca. Os dois estão no filme.
AcheiUSA – Você sempre gostou de trabalhar com o Nanini…
Carla – Acho o Nanini um dos melhores atores do mundo.
E na vida pessoal ela também se sente realizada, com o nascimento de seu
primeiro filho, Antonio. Aliás, está tão feliz que não descarta a
possibilidade de ter outro filho.
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