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Ano 5 - Edição 109
01/junho a 15/junho
Deerfield Beach, FL USA
Cotações e Bolsas.

Carla Camurati, "Diretora do Brasil"

Por Antonio Tozzi

Carla Camurati é um nome que pode ser associado como um dos sinônimos de cinema nacional. Por isto, nada mais justo sua escolha para presidir o júri do 9º Festival do Cinema Brasileiro em Miami.
A atriz e diretora, que tem em seu currículo uma vasta filmografia e participações em novelas e minisséries, já foi eleita pela revista Forbes uma das mulheres mais influentes do Brasil. Nada mau para quem largou a Faculdade de Biologia no quarto período para se lançar na carreira artística.

O Brasil perdeu uma bióloga, mas ganhou uma excelente atriz, vencedora de dois Kikitos de Ouro no Festival de Gramado – melhor atriz por Eternamente Pagu (1987) e melhor atriz coadjuvante por O Olho Mágico do Amor (1981) –, além do Prêmio Especial do Júri, por sua atuação em A Estrela Nua (1985).

Entretanto, mesmo sendo boa atriz e muito bonita – posou para a Playboy em 1982 -, foi o trabalho por trás das câmeras que a cativou. Muitos creditam a ela o impulso que o cinema brasileiro teve a partir de Carlota Joaquina, Princesa do Brasil, estrelado por Marieta Severo e Marco Nanini. O filme, de 1995, arrebatou multidões para as salas de exibição, com mais de 1,2 milhão de espectadores. Um público fenomenal para uma produção modesta (R$ 630 mil) em comparação com as grandes produções de Hollywood.

Depois, ela dirigiu La Serva Padrona (1998) e Copacabana (2001). Por sinal, o nome da distribuidora de Carla Camurati é Copacabana Filmes. A presidente do júri do Festival de Miami já prepara uma nova supresa para o público: O Mistério de Irma Vap, que acabou de ser filmado, inspirado nos 20 anos de sucesso da peça que consagrou definitivamente Marco Nanini de Ney Latorraca. Não, por acaso, os atores principais do filme.

AcheiUSA - Como você se sente sendo escolhida para ser presidente do júri do Festival do Cinema Brasileiro em Miami?
Carla Camurati –
Fiquei muito honrada. É um festival, onde estive duas vezes com filmes meus, e que gosto muito, por causa da sua organização.

AcheiUSA – Qual a importância deste festival para o cinema brasileiro?
Carla –
Sem dúvida, é muito importante. Assim como os demais festivais de filmes brasileiros no exterior, serve para que os diretores e produtores brasileiros possam mostrar suas obras num mercado fechado como é o americano. Há muita resistência às produções estrangeiras, acho que só 20% dos filmes são de fora.

AcheiUSA – Você começou sua carreira na TV, mas depois migrou para o cinema. Por que mudou?
Carla –
Na verdade, me identifiquei bem mais com o cinema. Adoro este ritmo de ter de dirigir, produzir, correr atrás de patrocínio. É algo que me realiza bem mais. Acabo me envolvendo com todo o processo. Além do mais, cuido de um festival de cinema infantil, uma coisa que me dá bastante satisfação.

AcheiUSA – Você se considera a pessoa que causou o ressurgimento do cinema brasileiro, com Carlota Joaquina?
Carla –
Realmente, Carlota Joaquina foi um filme que deu um excelente público (mais de 1,2 milhão de espectadores) e por este motivo marcou bastante. Pude acompanhar bem todo o processo porque tive de abrir uma empresa (Copacabana Filmes), que cuida da distribuição de todos os meus filmes.

AcheiUSA – Por que você resolveu fazer o primeiro (e único) filme-ópera do país, La Serva Padrona?
Carla –
Acho que as pessoas não conhecem ópera, um movimento musical super importante. Dirigi óperas no teatro e escolhi La Serva Padrona porque é uma ópera curta, fácil de entender e que pode agradar adultos e crianças.

AcheiUSA – Você ganhou vários prêmios como atriz de cinema. Por que resolveu trocar a atuação pela direção? É algo que lhe dá mais prazer?
Carla –
Sim. Gosto mais. Considero a direção um processo mais completo. Embora goste de atuar, me sinto melhor dirigindo. Não sei dizer qual o motivo, mas é algo que me dá mais prazer, sim.

AcheiUSA – Quais seus próximos projetos para o cinema?
Carla –
Acabei de filmar O Mistério de Irma Vap (grande sucesso do teatro brasileiro), em comemoração aos 20 anos da peça, que reunia Marco Nanini e Ney Latorraca. Os dois estão no filme.

AcheiUSA – Você sempre gostou de trabalhar com o Nanini…
Carla –
Acho o Nanini um dos melhores atores do mundo.
E na vida pessoal ela também se sente realizada, com o nascimento de seu primeiro filho, Antonio. Aliás, está tão feliz que não descarta a possibilidade de ter outro filho.



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