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Marketplace mostra
alternativas para o cinema
Por Iara Carnauba
Além da exibições de filmes, da presença de atores, produtores e diretores,
o Festival do Cinema Brasileiro de Miami apresenta todo os anos o
Marketplace (Seminário Audiovisual), um espaço reservado para discussões e
debates sobre comercialização, distribuição, produção e desenvolvimento da
indústria cinematográfica brasileira.
Na nona edição do festival, o Marketplace foi aberto com um tema atual: a
crônica falta de recursos para produções nacionais e as possíveis soluções
para suprir esta indústria onde sobra talento, mas escasseiam verbas.
Como atrair produtores americanos para o mercado brasileiro - O assunto
coloca em evidência a necessidade de se criar uma organização de cinema
nacional para centralizar e desenvolver as co-produções e as possíveis
parcerias com produtores estrangeiros. O famoso ator, produtor e diretor,
José Wilker, também presidente da RioFilmes, afirmou que a cultura de
inflação do Brasil não permite que empreendedores prefiram investir em
cinema a arriscar em algum negócio mais sólido. E justificou essa atitude:
“Para recuperar um investimento de 3 milhões de reais precisaríamos de 5
milhões de espectadores. Não há público nem salas para isso. Essa discussão
leva a extremos onde uns pensam que o governo deveria apoiar mais as
produções nacionais e falam em quantias razoáveis quando se trata de cinema,
e outros defendem a idéia de que em um país como Brasil esse dinheiro
poderia tirar pessoas das ruas, construir hospitais etc. A nossa realidade é
outra.”
O desenvolvimento da TV brasileira, grande exportadora de produções
audiovisuais, em relação ao cinema foi salientado por Patricia Boero,
ex-diretora do International Programas at Sundance Film Festival, que
destacou produções exibidas em todo o mundo como Escrava Isaura, que tiveram
boa repercussão.
Segundo José Wilker, a resposta se encontra em acontecimentos políticos da
história do Brasil com tendências que caracterizaram um desenvolvimento
tardio e deficiente do cinema não só no país como em toda a América Latina.
A TV brasileira cresceu e solidificou-se durante a ditadura, que a utilizou
como um de seus principais instrumentos no Projeto de Integração Nacional,
enquanto o cinema, à época de esquerda e contestador, ficou “estagnado”. A
televisão brasileira tornou-se uma grande potência, restando muito pouco
espaço de caráter investigativo e de denúncias para o cinema, castigado
ainda pelos poucos recursos. “Faz pouco tempo que se percebeu a importância
da associação entre a TV e o cinema. Ambas seriam favorecidas.”
Co-produções estrangeiras seriam beneficiadas com as leis de incentivo
brasileiras - Luiz Fernando Noel, superintendente de Desenvolvimento
Industrial da Ancine (Agência Nacional de Cinema), ressaltou que os
atrativos para produtores estrangeiros investirem no cinema brasileiro são
as leis de incentivo, das quais os produtores brasileiros se tornaram
dependentes. Estas parcerias são fundamentais para o cinema nacional atingir
não só maiores bilheterias nacionais e internacionais como também para
produzir filmes de qualidade comparável ao talento e às criações nacionais.
O produtor e diretor americano John Maass concordou que este seria um grande
fator a favor da proposta das co-produções estrangeiras, pois, pelas leis de
incentivo, os impostos são ressarcidos às produtoras.
O Marketplace 2005 está sendo realizado no Miami Beach Cinemateque até o dia
16 de junho às 2:30pm, para os debates, e às 8pm para exibição de filmes
brasileiros.
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