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Bush reitera sua
proposta e rechaça plano migratório
O líder da maioria da Câmara
de Deputados, Tom DeLay (republicano do Texas), disse que durante a reunião
no Congresso o mandatário reconheceu não ter feito um bom trabalho ao falar
claramente ao povo americano sobre a questão migratória, mas reiterou que
Bush pretende manter a mesma proposta apresentada em 7 de janeiro de 2004,
segundo a qual seriam emitidos vistos temporários para trabalhadores
temporários por um período de três anos, renováveis por mais três e, ao
final deste prazo, os trabalhadores devem retornar a seus países.
Traduzindo, ele se opõe ao projeto de lei apresentado pelos senadores John
McCain (republicano de Arizona) e Edward Kennedy (democrata de
Massachusetts), que propõe a legalização de imigrantes indocumentados que
vivem nos Estados Unidos. De acordo com a Casa Branca, esta proposta premia
os que entraram ilegalmente no país e pune os imigrantes que entraram
legalmente e estão cumprindo os trâmites exigidos para legalizar-se.
Projeto Bush – Chamado de “Reforma imigratória justa e segura”, o
plano Bush abre as portas para a vinda dos trabalhadores estrangeiros que
tenham empregos disponíveis em empresas dos Estados Unidos. Os trabalhadores
receberão um visto temporário, a ser criado especialmente para os
trabalhadores convidados, sempre que tiverem uma proposta de emprego.
A iniciativa enfatiza que os familiares diretos do trabalhador (cônjuge e
filhos menores de 21 anos) receberão uma permissão de estadia, mas não uma
permissão de trabalho e terão direito a entrar e sair dos Estados Unidos
enquanto o visto estiver em vigência.
O governo acredita que vivam cerca de 8 milhões de indocumentados nos EUA, a
maioria de origem mexicana, mas alguns especialistas asseguram que o número
de estrangeiros sem status legal de permanência no país deve superar os 10
milhões.
Não há plano escrito – O Congresso não discutiu o plano de Bush
porque não há um item de legislação para que uma Comissão o submeta à
apreciação e em seguida, no caso de aprovação, remetê-lo ao plenário de
alguma das câmaras para votar a reforma.
O porta-voz da Casa Branca, Taylor Gross, confirmou que por ora não há
novidade nos princípios de imigração de Bush: “Considero que o povo
americano entende que o presidente continuará trabalhando para conseguir que
os Estados Unidos sejam um lugar seguro”.
Bush reiterou que não apoiará nenhuma iniciativa de reforma às leis de
imigração que inclua uma via para que os indocumentados possam chegar à
residência legal permanente. Ele sublinha que os ilegais não devem ter
prioridade sobre outros imigrantes que têm esperado para entrar no país de
maneira legal e enfrentam filas para obter seus documentos.
Ênfase na segurança – DeLay comentou que as mudanças nas leis de
imigração devem ser precedidas por um reforço na segurança das fronteiras e
uma aplicação rigorosa das leis, e acrescentou que as pessoas que se
encontram nos Estados Unidos de maneira ilegal deveriam regressar a seus
países de origem antes de apresentarem solicitações para o programa
temporário de trabalhadores convidados.
O plano de McCain e Kennedy, apoiado por vários deputados dos dois partidos,
também propõe vistos a trabalhadores temporários, mas sugere a criação de
uma nova categoria de vistos, o H5. Esta permissão daria a oportunidade de
regularizar seu status de permanência a milhares de indocumentados que
trabalham nos Estados Unidos, pagam impostos e não tenham antecedentes
criminais.
Os beneficiários obteriam uma residência temporária de até seis anos
extensiva aos familiares imediatos do trabalhador (cônjuge e filhos
solteiros menores de 21 anos). O visto seria entregue mediante o pagamento
de uma multa pesada (estimada em 2 mil dólares por pessoa) a imigrantes que
vivem a, pelo menos, cinco anos no país. Ao final do período de seis anos, o
beneficiário poderá solicitar a residência permanente no país.
McCain esclareceu que não se trata de uma proposta de anistia e destacou que
a proposta foi elaborada com base na reforma migratória entregue pelo
próprio Bush em janeiro do ano passado.
Uma coisa é certa. Só o fato de a Casa Branca e o Congresso Nacional estarem
discutindo a questão dos imigrantes ilegais já é um sintoma de que as
chances de esta situação incômoda ser resolvida logo é um alento para os
imigrantes que vivem num limbo dentro dos Estados Unidos.
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