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Ano 5 - Edição 110
14/junho a 28/junho
Deerfield Beach, FL USA
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Bush reitera sua proposta e rechaça plano migratório

O líder da maioria da Câmara de Deputados, Tom DeLay (republicano do Texas), disse que durante a reunião no Congresso o mandatário reconheceu não ter feito um bom trabalho ao falar claramente ao povo americano sobre a questão migratória, mas reiterou que Bush pretende manter a mesma proposta apresentada em 7 de janeiro de 2004, segundo a qual seriam emitidos vistos temporários para trabalhadores temporários por um período de três anos, renováveis por mais três e, ao final deste prazo, os trabalhadores devem retornar a seus países.

Traduzindo, ele se opõe ao projeto de lei apresentado pelos senadores John McCain (republicano de Arizona) e Edward Kennedy (democrata de Massachusetts), que propõe a legalização de imigrantes indocumentados que vivem nos Estados Unidos. De acordo com a Casa Branca, esta proposta premia os que entraram ilegalmente no país e pune os imigrantes que entraram legalmente e estão cumprindo os trâmites exigidos para legalizar-se.

Projeto Bush – Chamado de “Reforma imigratória justa e segura”, o plano Bush abre as portas para a vinda dos trabalhadores estrangeiros que tenham empregos disponíveis em empresas dos Estados Unidos. Os trabalhadores receberão um visto temporário, a ser criado especialmente para os trabalhadores convidados, sempre que tiverem uma proposta de emprego.

A iniciativa enfatiza que os familiares diretos do trabalhador (cônjuge e filhos menores de 21 anos) receberão uma permissão de estadia, mas não uma permissão de trabalho e terão direito a entrar e sair dos Estados Unidos enquanto o visto estiver em vigência.

O governo acredita que vivam cerca de 8 milhões de indocumentados nos EUA, a maioria de origem mexicana, mas alguns especialistas asseguram que o número de estrangeiros sem status legal de permanência no país deve superar os 10 milhões.

Não há plano escrito – O Congresso não discutiu o plano de Bush porque não há um item de legislação para que uma Comissão o submeta à apreciação e em seguida, no caso de aprovação, remetê-lo ao plenário de alguma das câmaras para votar a reforma.

O porta-voz da Casa Branca, Taylor Gross, confirmou que por ora não há novidade nos princípios de imigração de Bush: “Considero que o povo americano entende que o presidente continuará trabalhando para conseguir que os Estados Unidos sejam um lugar seguro”.

Bush reiterou que não apoiará nenhuma iniciativa de reforma às leis de imigração que inclua uma via para que os indocumentados possam chegar à residência legal permanente. Ele sublinha que os ilegais não devem ter prioridade sobre outros imigrantes que têm esperado para entrar no país de maneira legal e enfrentam filas para obter seus documentos.

Ênfase na segurança – DeLay comentou que as mudanças nas leis de imigração devem ser precedidas por um reforço na segurança das fronteiras e uma aplicação rigorosa das leis, e acrescentou que as pessoas que se encontram nos Estados Unidos de maneira ilegal deveriam regressar a seus países de origem antes de apresentarem solicitações para o programa temporário de trabalhadores convidados.

O plano de McCain e Kennedy, apoiado por vários deputados dos dois partidos, também propõe vistos a trabalhadores temporários, mas sugere a criação de uma nova categoria de vistos, o H5. Esta permissão daria a oportunidade de regularizar seu status de permanência a milhares de indocumentados que trabalham nos Estados Unidos, pagam impostos e não tenham antecedentes criminais.

Os beneficiários obteriam uma residência temporária de até seis anos extensiva aos familiares imediatos do trabalhador (cônjuge e filhos solteiros menores de 21 anos). O visto seria entregue mediante o pagamento de uma multa pesada (estimada em 2 mil dólares por pessoa) a imigrantes que vivem a, pelo menos, cinco anos no país. Ao final do período de seis anos, o beneficiário poderá solicitar a residência permanente no país.

McCain esclareceu que não se trata de uma proposta de anistia e destacou que a proposta foi elaborada com base na reforma migratória entregue pelo próprio Bush em janeiro do ano passado.
Uma coisa é certa. Só o fato de a Casa Branca e o Congresso Nacional estarem discutindo a questão dos imigrantes ilegais já é um sintoma de que as chances de esta situação incômoda ser resolvida logo é um alento para os imigrantes que vivem num limbo dentro dos Estados Unidos.

 

 


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