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Festival de Cinema
Brasileiro: sucesso de público
O
Cinema na Praia infelizmente teve de ser cancelado à última hora por causa
da passagem da tempestade tropical Arlene que deixou um rastro de fortes
rajadas de ventos e muita chuva. Em razão do alerta do Serviço de
Meteorologia, não houve outra alternativa senão cancelar a apresentação dos
filmes vencedores do festival do ano passado: “Jaqueirão do Zeca”, curta
metragem, e “Os Normais”, longa metragem.
Diante do imprevisto, restou à Inffinito Foundation, organizadora do
festival, transferir a abertura para sábado, no Jackie Gleason Theater – com
grande presença de público, formado por brasileiros e americano, e por
vários artistas, como Betty Faria, Bete Mendes, Felipe Camargo, Priscilla
Rozenbaum entre outros.
O hall do teatro estava apinhado de gente, com muitas pessoas saboreando a
recém lançada cerveja Brahma nos Estados Unidos, à espera da abertura
oficial do evento, feita pelo mestre de cerimônias Don Donnini – que
apresentou todos os patrocinadores e as autoridades que fizeram com que o
evento se tornasse uma realidade.
A diretora executiva do Festival, Adriana Dutra, estava muito feliz por
viabilizar pela nona vez aquele que, sem dúvida, é o evento mais
representativo da cultura brasileira na Flórida. Isto é confirmado pelo
próprio ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que em entrevista à
revista oficial do Festival enalteceu a importância do cinema brasileiro ser
mostrado a platéias internacionais. Ele até mesmo citou o ex-presidente dos
EUA Franklin Delano Roosevelt que certa vez declarou: “Onde o cinema
americano vai, os produtos e as idéias vão atrás”. O ministro também elogiou
a nova fase de produção do cinema brasileiro, que teve um ressurgimento e
hoje vem conquistando cada vez mais público, no Brasil e no exterior.
Filmes de estréia decepcionam – Antes de começar a exibição dos
filmes, Donnini chamou os os diretores Flávio Frederico, do curta metragem
“Red”, e Roberto Moreira, do longa metragem “Contra Todos”. Um ponto a se
registrar. A maioria dos diretores, produtores e artistas que sobem ao palco
para agradecer procuram falar em inglês. Embora nem todos dominem à
perfeição o idioma de Shakespeare, a tentativa de falar a língua do país
anfitrião é louvável.
Entretanto, a abertura do Festival ficou comprometida com a escolha dos
filmes. O curta “Red”, baseado no conto infantil Chapeuzinho Vermelho, foi
interessante, mas terminou de maneira surpreendente. Ou seja, em vez de o
homem, travestido de vovozinha, limitar-se a fazer sexo com a bela jovem
vestida de vermelho ele age com um lobo e ataca-a com mordidas enchendo a
tela de sangue.
O pior, porém, ainda estava por vir. O longa metragem “Contra Todos” retrata
uma família de classe média baixa que vive na periferia de São Paulo. Porém,
o que parece ser uma família normal revela-se uma trama sórdida, cheia de
violência e sexo não convencional, com uma mensagem niilista na qual todos
os personagens fogem aos padrões normais.
Sem dúvida, a organização falhou na seleção dos filmes para abrir o evento.
“Red” e sobretudo “Contra Todos” não deveriam ser os escolhidos para uma
noite de gala. Uma das diretoras comentou que a intenção era mesmo um filme
de impacto para marcar a abertura do Festival.
Se a organização pretendia mesmo provocar a reação da platéia não se pode
negar que teve o efeito esperado. Só que os comentários dos espectadores
eram de revolta e inconformismo. Muitos casais levaram adolescentes para
acompanhá-los ao evento e outros brasileiros convidaram amigos americanos
para conhecer um pouco do cinema brasileiro. Tiveram de pedir desculpas e
dar explicações.
Ironicamente, após a “sessão chocante”, o público pôde assistir o curta
“Ratoeira” e o longa-documentário “Feminices” – filmes leves que serviram
como um bálsamo para o público se recuperar da primeira sessão.
Para os próximos festivais, vai aqui uma sugestão: escolham os filmes com
mais apelo popular, de preferência aqueles que já foram bem recebidos pelo
público e pela crítica no Brasil. Os filmes, digamos, mais alternativos
devem ser colocados em dias “alternativos”, isto é, segunda ou terça-feira.
Entende-se o dilema das organizadoras, que temem ter sessões quase sem
público, se forem programados filmes com pouca repercussão, mas não há
alternativa.
Talvez seja melhor o Festival do Cinema Brasileiro selecionar produções mais
comerciais para o evento principal e promover um festival underground para
apresentar os filmes menos convencionais. Está aí uma boa idéia para as
meninas da Inffinito Foundation.
Antonio Tozzi/AcheiUSA
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