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Ano 5 - Edição 110
14/junho a 28/junho
Deerfield Beach, FL USA
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Festival de Cinema Brasileiro: sucesso de público

O Cinema na Praia infelizmente teve de ser cancelado à última hora por causa da passagem da tempestade tropical Arlene que deixou um rastro de fortes rajadas de ventos e muita chuva. Em razão do alerta do Serviço de Meteorologia, não houve outra alternativa senão cancelar a apresentação dos filmes vencedores do festival do ano passado: “Jaqueirão do Zeca”, curta metragem, e “Os Normais”, longa metragem.
Diante do imprevisto, restou à Inffinito Foundation, organizadora do festival, transferir a abertura para sábado, no Jackie Gleason Theater – com grande presença de público, formado por brasileiros e americano, e por vários artistas, como Betty Faria, Bete Mendes, Felipe Camargo, Priscilla Rozenbaum entre outros.

O hall do teatro estava apinhado de gente, com muitas pessoas saboreando a recém lançada cerveja Brahma nos Estados Unidos, à espera da abertura oficial do evento, feita pelo mestre de cerimônias Don Donnini – que apresentou todos os patrocinadores e as autoridades que fizeram com que o evento se tornasse uma realidade.

A diretora executiva do Festival, Adriana Dutra, estava muito feliz por viabilizar pela nona vez aquele que, sem dúvida, é o evento mais representativo da cultura brasileira na Flórida. Isto é confirmado pelo próprio ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que em entrevista à revista oficial do Festival enalteceu a importância do cinema brasileiro ser mostrado a platéias internacionais. Ele até mesmo citou o ex-presidente dos EUA Franklin Delano Roosevelt que certa vez declarou: “Onde o cinema americano vai, os produtos e as idéias vão atrás”. O ministro também elogiou a nova fase de produção do cinema brasileiro, que teve um ressurgimento e hoje vem conquistando cada vez mais público, no Brasil e no exterior.

Filmes de estréia decepcionam – Antes de começar a exibição dos filmes, Donnini chamou os os diretores Flávio Frederico, do curta metragem “Red”, e Roberto Moreira, do longa metragem “Contra Todos”. Um ponto a se registrar. A maioria dos diretores, produtores e artistas que sobem ao palco para agradecer procuram falar em inglês. Embora nem todos dominem à perfeição o idioma de Shakespeare, a tentativa de falar a língua do país anfitrião é louvável.

Entretanto, a abertura do Festival ficou comprometida com a escolha dos filmes. O curta “Red”, baseado no conto infantil Chapeuzinho Vermelho, foi interessante, mas terminou de maneira surpreendente. Ou seja, em vez de o homem, travestido de vovozinha, limitar-se a fazer sexo com a bela jovem vestida de vermelho ele age com um lobo e ataca-a com mordidas enchendo a tela de sangue.

O pior, porém, ainda estava por vir. O longa metragem “Contra Todos” retrata uma família de classe média baixa que vive na periferia de São Paulo. Porém, o que parece ser uma família normal revela-se uma trama sórdida, cheia de violência e sexo não convencional, com uma mensagem niilista na qual todos os personagens fogem aos padrões normais.

Sem dúvida, a organização falhou na seleção dos filmes para abrir o evento. “Red” e sobretudo “Contra Todos” não deveriam ser os escolhidos para uma noite de gala. Uma das diretoras comentou que a intenção era mesmo um filme de impacto para marcar a abertura do Festival.

Se a organização pretendia mesmo provocar a reação da platéia não se pode negar que teve o efeito esperado. Só que os comentários dos espectadores eram de revolta e inconformismo. Muitos casais levaram adolescentes para acompanhá-los ao evento e outros brasileiros convidaram amigos americanos para conhecer um pouco do cinema brasileiro. Tiveram de pedir desculpas e dar explicações.

Ironicamente, após a “sessão chocante”, o público pôde assistir o curta “Ratoeira” e o longa-documentário “Feminices” – filmes leves que serviram como um bálsamo para o público se recuperar da primeira sessão.
Para os próximos festivais, vai aqui uma sugestão: escolham os filmes com mais apelo popular, de preferência aqueles que já foram bem recebidos pelo público e pela crítica no Brasil. Os filmes, digamos, mais alternativos devem ser colocados em dias “alternativos”, isto é, segunda ou terça-feira. Entende-se o dilema das organizadoras, que temem ter sessões quase sem público, se forem programados filmes com pouca repercussão, mas não há alternativa.

Talvez seja melhor o Festival do Cinema Brasileiro selecionar produções mais comerciais para o evento principal e promover um festival underground para apresentar os filmes menos convencionais. Está aí uma boa idéia para as meninas da Inffinito Foundation.

Antonio Tozzi/AcheiUSA
 

 


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