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Noite de gala marca
encerramento do Festival de Cinema
Por Antonio Tozzi
O Jackie Gleason Theater foi o palco ideal para a entrega dos prêmios Lente
de Cristal aos melhores do Festival de Cinema Brasileiro de Miami, encerrado
no dia 17 de junho.
Os destaques ficaram por conta de “A Dona da História”, de Daniel Filho,
escolhido o Melhor Filme pelo voto popular e “Cazuza – O Tempo Não Pára”, de
Sandra Werneck, eleito pelo júri. Também entre os curtas-metragem as
preferências se dividiram: O público elegeu “O Xadrez das Cores”, de Marco
Schiavon, e os jurados selecionaram “O Retrato do Artista”, de Hugo Moss.
A cerimônia de premiação, desta vez, teve vários apresentadores que se
revezaram no palco para anunciar os vencedores. A atmosfera que envolveu o
teatro foi de camaradagem e informalidade. Nem parecia uma solenidade de
premiação. Na verdade, o clima que rolou foi o de uma grande
confraternização, com direito até mesmo a um showzinho particular do
desinibido filhinho de cinco anos do casal Alexandre Borges e Julia
Lemmertz.
Antes deles, subiram ao palco os atores Felipe Camargo e Luciano Szafir, que
fizeram questão de agradecer o carinho e a receptividade da comunidade
brasileira para com todos os artistas que vieram a Miami, antes de anunciar
várias premiações (confira no quadro). Aliás, o mesmo discurso foi repetido
pelos diversos artistas, diretores e produtores, enaltecendo o bom trabalho
da organização, a hospitalidade do público e o peso que o Festival de Cinema
Brasileiro de Miami já conta entre os cineastas nacionais.
Também José Wilker, Bete Mendes (juntamente com José Sales, da TAM) e o
casal Alexandre Borges e Julia Lemmertz anunciaram os vencedores de outras
categorias, além de Luana Piovani e Steven Baumer (ator que participou do
clássico do cinema americano Scarface), que revelaram os nomes dos
vencedores da categoria Melhor Atriz (Marieta Severo) e Melhor Ator (Daniel
de Oliveira).
Nos bastidores – O que vale ser destacado foi a acessibilidade dos
atores, atrizes e diretores com os jornalistas e com o público. Betty Faria
e José Wilker, dois apoiadores de primeira hora do Festival de Miami,
prestigiaram o tempo todo o evento. Betty, por exemplo, estava onipresente.
Ela gravou até mesmo uma cena para a novela América, na qual Djanira
Pimenta, sua personagem, vai a uma sessão do Festival de Cinema Brasileiro
de Miami.
Betty também foi a estrela principal do “Vídeo Show”. Uma equipe do programa
veio para Miami especialmente para gravar depoimentos e participações com os
atores da Rede Globo, que estiveram no festival a convite da Inffinito
Foundation, organizadora do evento.
Totalmente acessível a todos que lhe dirigiam a palavra, Betty ainda foi a
mestre de cerimônias na entrega do Prêmio Especial a Daniel Filho, um dos
homenageados do festival deste ano, juntamente com Bete Mendes. Betty Faria
também participou do festival como atriz principal de “Bens Confiscados”,
filme produzido por ela e Sara Silveira e dirigido por Carlos Reichenbach.
Ela lembrou seu início de carreira, quando o apoio e a orientação de Daniel
Filho foram fundamentais. “Tivemos muito em comum.
Atuamos juntos, ele me dirigiu, fomos amigos, amantes, marido e mulher,
ex-marido e ex-mulher, ficamos brigados um tempo, refizemos as pazes e temos
uma filha e um neto que nos mantêm unidos para sempre. Por isto, é com muita
satisfação que entregarei este prêmio Lente de Cristal a um dos maiores
nomes do cinema, da TV e do teatro brasileiro”, afirmou Betty.
Daniel Filho subiu ao palco para receber o prêmio e estava visivelmente
emocionado. Tanto que falou com voz embargada, lembrou seus 53 anos de
carreira e, num gesto de humildade, fez questão de fotografar a platéia
presente, como um simbolismo de que tudo o que conseguiu foi graças ao
reconhecimento do povo.
Simpatia – A marca deste nono festival foi a simpatia dos convidados
que, em nenhum momento, tiveram ataques de estrelismo. Coisa que, segundo o
jornal O Globo, sobrou em Sonia Braga, que não teria embarcado do Rio de
Janeiro para Miami por ter achado um desaforo ter recebido uma passagem de
classe executiva da TAM, no momento em que via Daniel Filho embarcar em
primeira classe. Se tivesse sido menos estrela, teria descoberto que o
diretor pagou, de seu próprio bolso, a diferença de uma classe para a outra.
Coisa que la Braga também poderia ter feito.
Mas os que vieram esbanjaram simpatia e bom humor. Cauã Reymond, Maria Flor,
José Wilker, Felipe Camargo, Bete Mendes, Priscila Rozenbaum, todos, enfim,
mostraram que são pessoas de carne e osso – sentimento materializado ainda
mais por Carla Camurati e Alexandre Borges e Julia Lemmertz, que trouxeram
seus filhos para Miami.
Luana Piovani, uma das atrizes principais da divertida comédia “O Casamento
do Romeu e Julieta”, que encerrou o festival, foi o protótipo do alto astral
dos artistas. Linda e requisitada por muitos, não se furtou em nenhum
momento em conversar e tirar fotografias com os fãs, sempre bem humorada.
Se a aura deste nono festival for mantida para o próximo ano, a décima
edição tem tudo para ser ainda melhor.
A Dona da História
A excelente atuação de Marieta Severo, que lhe valeu
inclusive o prêmio de Melhor Atriz do Festival de Miami, cativou a platéia
que acompanhou e se emocionou com a história de Carolina (personagem de
Marieta), tanto no presente como no passado, em papel interpretado por
Débora Falabella. Antônio Fagundes e Rodrigo Santoro interpretaram o marido
de Carolina na fase atual e no passado, compondo um elenco bem afinado, que
funcionou
bem sob a direção de Daniel Filho.
Cazuza – O Tempo Não Pára
Dirigido por Sandra Werneck e Walter Carvalho,
“Cazuza – O Tempo Não Pára” narra a história de Cazuza, vocalista da banda
Barão Vermelho, que teve uma carreira e uma vida meteóricas, e emocionou o
país com o drama vivido por ele depois de saber que tinha contraído o vírus
HIV, sua doença e a morte rápida em conseqüência da Aids. O filme contou com
a grande atuação de Daniel Oliveira, intérprete de Cazuza. Não é à toa que
tanto o
filme como o ator foram premiados em Miami.
Relação
dos premiados
Relação dos premiados – Longa Metragem
Melhor Filme – Voto Popular A Dona da História
Melhor Filme – Júri Cazuza – O Tempo Não Pára
Melhor Diretor Jorge Furtado (Meu Tio Matou um Cara)
Melhor Ator Daniel Oliveira (Cazuza)
Melhor Atriz Marieta Severo (A Dona da História)
Melhor Roteiro Meu Tio Matou um Cara (Jorge Furtado & Guel Arraes)
Melhor Fotografia Jacob Sarmento Solitrenick (Bens Confiscados)
Melhor Direção de Arte Tule Peake (Redentor)
Melhor Montagem Vicente Kubrusly (Redentor)
Melhor Edição Quase Dois Irmãos
Melhor Filme – Voto da Imprensa A Dona da História
Prêmio Especial TAM Bendito Fruto
Relação dos premiados – Curta Metragem
Melhor Filme – Voto Popular O Xadrez das Cores (Marco Schiavon)
Melhor Filme – Júri Retrato do Artista (Hugo Moss)
Melhor Diretor Ricardo Mehedeff (Capital Circulante)
Melhor Fotografia Douro Moura (Mamãe Tá na Geladeira)
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