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Ano 5 - Edição 111
28/junho a 12/julho
Deerfield Beach, FL USA
Cotações e Bolsas.

Noite de gala marca encerramento do Festival de Cinema

Por Antonio Tozzi

O Jackie Gleason Theater foi o palco ideal para a entrega dos prêmios Lente de Cristal aos melhores do Festival de Cinema Brasileiro de Miami, encerrado no dia 17 de junho.

Os destaques ficaram por conta de “A Dona da História”, de Daniel Filho, escolhido o Melhor Filme pelo voto popular e “Cazuza – O Tempo Não Pára”, de Sandra Werneck, eleito pelo júri. Também entre os curtas-metragem as preferências se dividiram: O público elegeu “O Xadrez das Cores”, de Marco Schiavon, e os jurados selecionaram “O Retrato do Artista”, de Hugo Moss.

A cerimônia de premiação, desta vez, teve vários apresentadores que se revezaram no palco para anunciar os vencedores. A atmosfera que envolveu o teatro foi de camaradagem e informalidade. Nem parecia uma solenidade de premiação. Na verdade, o clima que rolou foi o de uma grande confraternização, com direito até mesmo a um showzinho particular do desinibido filhinho de cinco anos do casal Alexandre Borges e Julia Lemmertz.

Antes deles, subiram ao palco os atores Felipe Camargo e Luciano Szafir, que fizeram questão de agradecer o carinho e a receptividade da comunidade brasileira para com todos os artistas que vieram a Miami, antes de anunciar várias premiações (confira no quadro). Aliás, o mesmo discurso foi repetido pelos diversos artistas, diretores e produtores, enaltecendo o bom trabalho da organização, a hospitalidade do público e o peso que o Festival de Cinema Brasileiro de Miami já conta entre os cineastas nacionais.

Também José Wilker, Bete Mendes (juntamente com José Sales, da TAM) e o casal Alexandre Borges e Julia Lemmertz anunciaram os vencedores de outras categorias, além de Luana Piovani e Steven Baumer (ator que participou do clássico do cinema americano Scarface), que revelaram os nomes dos vencedores da categoria Melhor Atriz (Marieta Severo) e Melhor Ator (Daniel de Oliveira).

Nos bastidores – O que vale ser destacado foi a acessibilidade dos atores, atrizes e diretores com os jornalistas e com o público. Betty Faria e José Wilker, dois apoiadores de primeira hora do Festival de Miami, prestigiaram o tempo todo o evento. Betty, por exemplo, estava onipresente. Ela gravou até mesmo uma cena para a novela América, na qual Djanira Pimenta, sua personagem, vai a uma sessão do Festival de Cinema Brasileiro de Miami.

Betty também foi a estrela principal do “Vídeo Show”. Uma equipe do programa veio para Miami especialmente para gravar depoimentos e participações com os atores da Rede Globo, que estiveram no festival a convite da Inffinito Foundation, organizadora do evento.

Totalmente acessível a todos que lhe dirigiam a palavra, Betty ainda foi a mestre de cerimônias na entrega do Prêmio Especial a Daniel Filho, um dos homenageados do festival deste ano, juntamente com Bete Mendes. Betty Faria também participou do festival como atriz principal de “Bens Confiscados”, filme produzido por ela e Sara Silveira e dirigido por Carlos Reichenbach. Ela lembrou seu início de carreira, quando o apoio e a orientação de Daniel Filho foram fundamentais. “Tivemos muito em comum.

Atuamos juntos, ele me dirigiu, fomos amigos, amantes, marido e mulher, ex-marido e ex-mulher, ficamos brigados um tempo, refizemos as pazes e temos uma filha e um neto que nos mantêm unidos para sempre. Por isto, é com muita satisfação que entregarei este prêmio Lente de Cristal a um dos maiores nomes do cinema, da TV e do teatro brasileiro”, afirmou Betty.

Daniel Filho subiu ao palco para receber o prêmio e estava visivelmente emocionado. Tanto que falou com voz embargada, lembrou seus 53 anos de carreira e, num gesto de humildade, fez questão de fotografar a platéia presente, como um simbolismo de que tudo o que conseguiu foi graças ao reconhecimento do povo.

Simpatia – A marca deste nono festival foi a simpatia dos convidados que, em nenhum momento, tiveram ataques de estrelismo. Coisa que, segundo o jornal O Globo, sobrou em Sonia Braga, que não teria embarcado do Rio de Janeiro para Miami por ter achado um desaforo ter recebido uma passagem de classe executiva da TAM, no momento em que via Daniel Filho embarcar em primeira classe. Se tivesse sido menos estrela, teria descoberto que o diretor pagou, de seu próprio bolso, a diferença de uma classe para a outra. Coisa que la Braga também poderia ter feito.

Mas os que vieram esbanjaram simpatia e bom humor. Cauã Reymond, Maria Flor, José Wilker, Felipe Camargo, Bete Mendes, Priscila Rozenbaum, todos, enfim, mostraram que são pessoas de carne e osso – sentimento materializado ainda mais por Carla Camurati e Alexandre Borges e Julia Lemmertz, que trouxeram seus filhos para Miami.

Luana Piovani, uma das atrizes principais da divertida comédia “O Casamento do Romeu e Julieta”, que encerrou o festival, foi o protótipo do alto astral dos artistas. Linda e requisitada por muitos, não se furtou em nenhum momento em conversar e tirar fotografias com os fãs, sempre bem humorada.

Se a aura deste nono festival for mantida para o próximo ano, a décima edição tem tudo para ser ainda melhor.


A Dona da História
A excelente atuação de Marieta Severo, que lhe valeu
inclusive o prêmio de Melhor Atriz do Festival de Miami, cativou a platéia que acompanhou e se emocionou com a história de Carolina (personagem de Marieta), tanto no presente como no passado, em papel interpretado por Débora Falabella. Antônio Fagundes e Rodrigo Santoro interpretaram o marido de Carolina na fase atual e no passado, compondo um elenco bem afinado, que funcionou
bem sob a direção de Daniel Filho.



Cazuza – O Tempo Não Pára
Dirigido por Sandra Werneck e Walter Carvalho,
“Cazuza – O Tempo Não Pára” narra a história de Cazuza, vocalista da banda Barão Vermelho, que teve uma carreira e uma vida meteóricas, e emocionou o país com o drama vivido por ele depois de saber que tinha contraído o vírus HIV, sua doença e a morte rápida em conseqüência da Aids. O filme contou com a grande atuação de Daniel Oliveira, intérprete de Cazuza. Não é à toa que tanto o
filme como o ator foram premiados em Miami.


Relação dos premiados

Relação dos premiados – Longa Metragem
Melhor Filme – Voto Popular A Dona da História
Melhor Filme – Júri Cazuza – O Tempo Não Pára
Melhor Diretor Jorge Furtado (Meu Tio Matou um Cara)
Melhor Ator Daniel Oliveira (Cazuza)
Melhor Atriz Marieta Severo (A Dona da História)
Melhor Roteiro Meu Tio Matou um Cara (Jorge Furtado & Guel Arraes)
Melhor Fotografia Jacob Sarmento Solitrenick (Bens Confiscados)
Melhor Direção de Arte Tule Peake (Redentor)
Melhor Montagem Vicente Kubrusly (Redentor)
Melhor Edição Quase Dois Irmãos
Melhor Filme – Voto da Imprensa A Dona da História
Prêmio Especial TAM Bendito Fruto

Relação dos premiados – Curta Metragem
Melhor Filme – Voto Popular O Xadrez das Cores (Marco Schiavon)
Melhor Filme – Júri Retrato do Artista (Hugo Moss)
Melhor Diretor Ricardo Mehedeff (Capital Circulante)
Melhor Fotografia Douro Moura (Mamãe Tá na Geladeira)


 


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