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Ano 5 - Edição 111
28/junho a 12/julho
Deerfield Beach, FL USA
Cotações e Bolsas.

Marketplace: alternativas para audiovisual brasileiro

Por Iara Carnauba

O Marketplace, espaço reservado às discussões e debates sobre a entrada do segmento audiovisual brasileiro, bem como o latino-americano, no mercado norte-americano, reuniu produtores, distribuidores, organizadores de festivais, representantes de novas tecnologias, produtores independentes e outros profissionais da indústria audiovisual no Miami Beach Cinemateque.

A questão predominante das discussões no seminário girou em torno de um ponto: Como o cinema brasileiro pode penetrar no tão disputado mercado americano?

Grande parte das barreiras é decorrente da situação econômica enfrentada pelo país. Porém, as dificuldades não ficam por aí. Outros fatores e sugestões foram apresentados durante os quatro dias de debates pelos participantes do Marketplace.

Temas - “Como atrair produtores americanos para o mercado brasileiro” foi o primeiro tema apresentado no painel de debates. Dentre algumas propostas, a melhor foi a realização de co-produções.

A parceria pode trazer bons resultados para o segmento cinematográfico brasileiro. Para os possíveis empreendedores, o grande atrativo é o reembolso de parte do seu investimento, previsto pelas leis de incentivo brasileiras.

“A distribuição no exterior”, segundo tema do seminário, apresenta outros obstáculos além da falta de recursos. A língua e as diferenças culturais formam uma barreira ainda maior, pois não haveria como conquistar o interesse do público sem investir muito mais do que o normal em divulgação. Além disso, as produções deveriam não só ter uma estética original, como também um caráter polêmico e violento. Michael Ellenbogen, produtor de filmes independentes da EVP Prod. & Delopment, mencionou como exemplo alguns filmes que conseguiram ser distribuídos no exterior: “Carandiru”, “Cidade de Deus” e “Ônibus 174”, dentre outros. Todos com apelo violento e polêmico. E revelou seu interesse em distribuir “Cazuza – O Tempo Não Pára”, apesar das já mencionadas barreiras da cultura e do idioma: “Seria mais uma história de um artista com uma doença grave. Ninguém o conhece por aqui”.

A proteção à produção americana foi citada por grande parte dos profissionais presentes. E não restaram dúvidas de que não há como disputar com as “majors” que arrebatam milhares de espectadores com suas “estrelas” da indústria cinematográfica americana. A distribuição de produções independentes de língua estrangeira representa apenas 3% no mercado americano. As produções estrangeiras devem oferecer aspectos que caracterizem sua cultura, como paisagens e tradições locais, e, claro, alguma polêmica, segundo Cedric Jeanson. Esta mudança sugerida por Jeanson poderia servir para alguns tipos de produção, mas não serviria para o audiovisual brasileiro como um todo.

Tecnologias - No terceiro tema apresentado, “Novas tecnologias”, apareceram algumas alternativas para a divulgação de produções audiovisuais como o telefone celular, videogames e a internet. Bob Whitmore tem um projeto que funcionará como uma vitrine de produções audiovisuais: “O www.stimtv.com será uma espécie de e-bay. Teremos mostras de todo o tipo de produção audiovisual. Serão apenas trailers, trechos e informações para proteger o material exposto da pirataria. Mas os espectadores e até distribuidoras interessados poderão adquirir os produtos em alguns sites de venda e a negociação, assim como a entrega, será feita pelo Stim TV. E pretendemos, no futuro, que os espectadores possam baixar os produtos pelo próprio site depois do pagamento com cartão crédito.” A novidade será lançada em outubro deste ano e Whitmore assegura que quer as produções brasileiras à frente do projeto por ser um bom exemplo de produções independentes e de qualidade. Os produtores exibirão seus trabalhos gratuitamente e a Stim TV receberá comissões pelas negociações realizadas.

Festivais, excelentes alternativas - O quarto e último tema discutido, “Como festivais de cinema podem promover as produções brasileiras”, destacou que alguns festivais como o Sundance Film Festival, o Chicago Latino Film Festival, o Tribeca Film Festival e o New York Film Festival atingiram um alto nível de produção e divulgação. Considerou-se então que este é o melhor e mais eficaz veículo de promoção de produções independentes nos Estados Unidos.

Claudia Dutra, diretora geral do Brazilian Film Festival de Miami e de New York, e Antônio Leal, vice-presidente do Fórum de Festivais Brasileiros, demonstraram a importância deste tipo de promoção, não só no exterior como também dentro do Brasil. Ambos apostam na educação para uma nova geração de espectadores levando o cinema para escolas de pequenas e pobres cidades brasileiras através do projeto “B-A-BÁ do Cinema”. Apoiado pelo Ministério da Cultura do Brasil, o projeto recebe, como doação, parte da renda arrecadada no festival.

Pepe Vargas, diretor do Chicago Latino Film Festival, que teve sua 21ª edição este ano, ressaltou a importância do Brazilian Film Festival na divulgação da cultura latino-americana e parabenizou a organização do projeto.

“O festival exerce um papel fundamental entre os produtores, distibuidores e espectadores. Estamos conseguindo diminuir estas fronteiras”, afirmou Claudia Dutra.

O painel de debates foi encerrado com comentários positivos a respeito deste tipo de atividade por abrir um espaço para mostrar, discutir e resolver as diferentes e variadas questões que envolvem a indústria cinematográfica independente.




Claudia Dutra, diretora geral do Brazilian Film Festival de Miami e NY e Antônio Leal, vice-presidente do Fórum dos Festivais Brasileros

 






Pepe Vargas, diretor do Chicago Latino Film Festival e Suzana Mota, Festival Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira.


 

 



Gregory von Hausch diretor Executivo do Fort Lauderdale Film Festival

 

 

 


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