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Marketplace:
alternativas para audiovisual brasileiro
Por
Iara Carnauba
O Marketplace, espaço reservado às discussões e debates sobre a entrada do
segmento audiovisual brasileiro, bem como o latino-americano, no mercado
norte-americano, reuniu produtores, distribuidores, organizadores de
festivais, representantes de novas tecnologias, produtores independentes e
outros profissionais da indústria audiovisual no Miami Beach Cinemateque.
A questão predominante das discussões no seminário girou em torno de um
ponto: Como o cinema brasileiro pode penetrar no tão disputado mercado
americano?
Grande parte das barreiras é decorrente da situação econômica enfrentada
pelo país. Porém, as dificuldades não ficam por aí. Outros fatores e
sugestões foram apresentados durante os quatro dias de debates pelos
participantes do Marketplace.
Temas - “Como atrair produtores americanos para o mercado brasileiro”
foi o primeiro tema apresentado no painel de debates. Dentre algumas
propostas, a melhor foi a realização de co-produções.
A parceria pode trazer bons resultados para o segmento cinematográfico
brasileiro. Para os possíveis empreendedores, o grande atrativo é o
reembolso de parte do seu investimento, previsto pelas leis de incentivo
brasileiras.
“A distribuição no exterior”, segundo tema do seminário, apresenta outros
obstáculos além da falta de recursos. A língua e as diferenças culturais
formam uma barreira ainda maior, pois não haveria como conquistar o
interesse do público sem investir muito mais do que o normal em divulgação.
Além disso, as produções deveriam não só ter uma estética original, como
também um caráter polêmico e violento. Michael Ellenbogen, produtor de
filmes independentes da EVP Prod. & Delopment, mencionou como exemplo alguns
filmes que conseguiram ser distribuídos no exterior: “Carandiru”, “Cidade de
Deus” e “Ônibus 174”, dentre outros. Todos com apelo violento e polêmico. E
revelou seu interesse em distribuir “Cazuza – O Tempo Não Pára”, apesar das
já mencionadas barreiras da cultura e do idioma: “Seria mais uma história de
um artista com uma doença grave. Ninguém o conhece por aqui”.
A proteção à produção americana foi citada por grande parte dos
profissionais presentes. E não restaram dúvidas de que não há como disputar
com as “majors” que arrebatam milhares de espectadores com suas “estrelas”
da indústria cinematográfica americana. A distribuição de produções
independentes de língua estrangeira representa apenas 3% no mercado
americano. As produções estrangeiras devem oferecer aspectos que
caracterizem sua cultura, como paisagens e tradições locais, e, claro,
alguma polêmica, segundo Cedric Jeanson. Esta mudança sugerida por Jeanson
poderia servir para alguns tipos de produção, mas não serviria para o
audiovisual brasileiro como um todo.
Tecnologias
- No terceiro tema apresentado, “Novas tecnologias”, apareceram algumas
alternativas para a divulgação de produções audiovisuais como o telefone
celular, videogames e a internet. Bob Whitmore tem um projeto que funcionará
como uma vitrine de produções audiovisuais: “O www.stimtv.com será uma
espécie de e-bay. Teremos mostras de todo o tipo de produção audiovisual.
Serão apenas trailers, trechos e informações para proteger o material
exposto da pirataria. Mas os espectadores e até distribuidoras interessados
poderão adquirir os produtos em alguns sites de venda e a negociação, assim
como a entrega, será feita pelo Stim TV. E pretendemos, no futuro, que os
espectadores possam baixar os produtos pelo próprio site depois do pagamento
com cartão crédito.” A novidade será lançada em outubro deste ano e Whitmore
assegura que quer as produções brasileiras à frente do projeto por ser um
bom exemplo de produções independentes e de qualidade. Os produtores
exibirão seus trabalhos gratuitamente e a Stim TV receberá comissões pelas
negociações realizadas.
Festivais, excelentes alternativas - O quarto e último tema
discutido, “Como festivais de cinema podem promover as produções
brasileiras”, destacou que alguns festivais como o Sundance Film Festival, o
Chicago Latino Film Festival, o Tribeca Film Festival e o New York Film
Festival atingiram um alto nível de produção e divulgação. Considerou-se
então que este é o melhor e mais eficaz veículo de promoção de produções
independentes nos Estados Unidos.
Claudia Dutra, diretora geral do Brazilian Film Festival de Miami e de New
York, e Antônio Leal, vice-presidente do Fórum de Festivais Brasileiros,
demonstraram a importância deste tipo de promoção, não só no exterior como
também dentro do Brasil. Ambos apostam na educação para uma nova geração de
espectadores levando o cinema para escolas de pequenas e pobres cidades
brasileiras através do projeto “B-A-BÁ do Cinema”. Apoiado pelo Ministério
da Cultura do Brasil, o projeto recebe, como doação, parte da renda
arrecadada no festival.
Pepe Vargas, diretor do Chicago Latino Film Festival, que teve sua 21ª
edição este ano, ressaltou a importância do Brazilian Film Festival na
divulgação da cultura latino-americana e parabenizou a organização do
projeto.
“O festival exerce um papel fundamental entre os produtores, distibuidores e
espectadores. Estamos conseguindo diminuir estas fronteiras”, afirmou
Claudia Dutra.
O painel de debates foi encerrado com comentários positivos a respeito deste
tipo de atividade por abrir um espaço para mostrar, discutir e resolver as
diferentes e variadas questões que envolvem a indústria cinematográfica
independente.

Claudia Dutra, diretora geral do Brazilian Film Festival de Miami e
NY e Antônio Leal, vice-presidente do Fórum dos Festivais Brasileros

Pepe Vargas, diretor do Chicago Latino Film Festival e Suzana Mota, Festival
Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira.

Gregory von Hausch diretor Executivo do Fort Lauderdale Film Festival
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