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Bispos pedem ampla
reforma imigratória
O encontro, denominado “Juntos no Caminho da Esperança: Já Não Somos
Estrangeiros”, concluiu neste final de semana na cidade de El Paso com um
pedido urgente para que o fluxo de pessoas seja humanizado, não apenas nos
Estados Unidos como também no México e nos países da América Central.
Os religiosos enfatizaram que o tema da imigração é grave, envolve cerca de
500 mil mexicanos que a cada ano cruzam a fronteira em busca de trabalho em
território americano e que ao entrar no novo país se incorporam em uma
comunidade que já supera 40 milhões de pessoas.
O monsenhor Gerardo Barnes, bispo de San Bernardino (Califórnia) e
presidente dos Serviços para Imigrantes e Refugiados da Conferência
Episcopal dos Estados Unidos (USCCBS), destacou que existe “uma grande
desumanização” no tema imigratório por parte do México e dos Estados Unidos.
O prelado classificou de insuficientes as políticas migratórias americanas e
assegurou que elas não têm solucionado a imigração indocumentada. Pelo
contrário, transformou-se na exploração de mão-de-obra e em morte na
fronteira. “O sistema migratório dos Estados Unidos está quebrado”, afirmou.
Buscando uma estratégia – Depois de quase cinco anos de trabalho para
definir uma estratégia que alivie o problema da imigração indocumentada, os
religiosos assinalaram que continuam realizando esforços encaminhados para
melhorar as condições enfrentadas pelo estrangeiro desde quando sai de seu
país até chegar aos Estados Unidos.
Os bispos fincaram pé sobre a importância de supervisionar os grupos
anti-imigrantes de vigilância, e de apoiar iniciativas de lei que considerem
a regularização do status de permanência de pelo menos 10 milhões de
indocumentados que vivem nos Estados Unidos.
“Não podemos permitir que eles continuem vindo para os EUA desta maneira”,
manifestou Barnes, referindo-se aos sérios perigos que enfrentam milhares de
estrangeiros sem papéis ao atravessar por zonas despovoadas e altamente
perigosas na fronteira.
Políticas fracassadas – Doug Massey, catedrático da Universidade de
Princeton – especialista em imigração e um dos principais promotores para
criar um programa de trabalhadores convidados -, opinou durante a
conferência que a atual política imigratória americana é um fracasso. “É
pior que um fracasso”, detonou o pesquisador universitário.
Massey comentou que as leis imigratórias vigentes na atualidade não detêm o
fluxo de imigrantes vindos do México, apenas servem para conter os que
viajam com destino ao sul. “As pessoas continuam entrando nos Estados
Unidos, mas depois não voltam para visitar os parentes com medo de serem
detidos”, comentou.
Fechamento da fronteira – O professor também referiu-se aos
operadores de fronteiras implementados pelo governo de Washington após os
ataques de 11 de setembro de 2001, estratégia definida como “Hold the line”
por estar desviando os imigrantes para zonas desertas e perigosas.
Várias organizações de ajuda a imigrantes criticaram as políticas de
vigilância e assinalaram que elas constituem a principal causa das mortes de
indocumentados. Claudia Smith, diretora do Projeto Fronteiriço de San Diego,
reiterou que, por causa das medidas de vigilância, “os indocumentados
atravessam por zonas cada vez mais remotas”, expondo-se ao ataque de animais
selvagens e assaltos.
Durante a conferência, os religiosos também abordaram o tema dos abusos que
sofrem os imigrantes quando cruzam por território do México em direção ao
norte. Érika Dahi Bredine, diretora do Programa para México dos Serviços
Católicos de Auxílio, explicou que a igreja está tentando encontrar um
mecanismo para que os organismos de segurança mexicanos sejam vigiados por
organizações comunitárias e impedir os maus tratos e os abusos de seus
agentes contra estrangeiros.
Com relação ao tráfico humano, que se transformou em casos de exploração
sexual e de mão-de-obra de homens, mulheres e crianças, Ouisa Davis,
diretora de Serviços Diocesanos para Imigrantes e Refugiados em El Paso,
Texas, salientou que o problema está crescendo sob o auspício do crime
organizado nos Estados Unidos. Ela citou alguns casos nos quais se perde a
pista de menores de idades que depois são repatriados pelas autoridades
imigratórias americanas e, em outras ocasiões, desaparecem no território
americano, para logo depois ser localizados em prostíbulos dos dois lados da
fronteira.
Campanha nacional – Os bispos reiteram que “chegou a hora” para uma reforma
migratória e mencionaram que continuarão em campanha, junto com várias
organizações de apoio, para exigir do Congresso americano que aprove uma
reforma às leis de imigração, mas que inclua um caminho para a residência.
O cardeal de Washington, Theodore E. McCarrick, explicou que desde março
realizam-se esforços em todas as paróquias dos Estados Unidos para educar e
mostrar aos católicos a necessidade de uma reforma imigratória ampla e justa
e salientar as vantagens disto para a nação. A estratégia inclui depoimentos
de imigrantes que lutam para realizar seus sonhos e batalha pela aprovação
de leis justas que promovam caminhos legais para os trabalhadores e suas
famílias.
Os religiosos também propõem a eliminação do termo “delinqüente”, aplicado
aos estrangeiros que entram nos EUA sem documentos. “Eles possivelmente
infringem as normas, mas não são delinqüentes e não é correto tratà-los como
tais e menos ainda aproveitar-se de sua situação fragilizada para violar
seus direitos humanos e trabalhistas”, completaram.
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