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Ano 5 - Edição 111
28/junho a 12/julho
Deerfield Beach, FL USA
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Bispos pedem ampla reforma imigratória


O encontro, denominado “Juntos no Caminho da Esperança: Já Não Somos Estrangeiros”, concluiu neste final de semana na cidade de El Paso com um pedido urgente para que o fluxo de pessoas seja humanizado, não apenas nos Estados Unidos como também no México e nos países da América Central.

Os religiosos enfatizaram que o tema da imigração é grave, envolve cerca de 500 mil mexicanos que a cada ano cruzam a fronteira em busca de trabalho em território americano e que ao entrar no novo país se incorporam em uma comunidade que já supera 40 milhões de pessoas.

O monsenhor Gerardo Barnes, bispo de San Bernardino (Califórnia) e presidente dos Serviços para Imigrantes e Refugiados da Conferência Episcopal dos Estados Unidos (USCCBS), destacou que existe “uma grande desumanização” no tema imigratório por parte do México e dos Estados Unidos.

O prelado classificou de insuficientes as políticas migratórias americanas e assegurou que elas não têm solucionado a imigração indocumentada. Pelo contrário, transformou-se na exploração de mão-de-obra e em morte na fronteira. “O sistema migratório dos Estados Unidos está quebrado”, afirmou.

Buscando uma estratégia – Depois de quase cinco anos de trabalho para definir uma estratégia que alivie o problema da imigração indocumentada, os religiosos assinalaram que continuam realizando esforços encaminhados para melhorar as condições enfrentadas pelo estrangeiro desde quando sai de seu país até chegar aos Estados Unidos.

Os bispos fincaram pé sobre a importância de supervisionar os grupos anti-imigrantes de vigilância, e de apoiar iniciativas de lei que considerem a regularização do status de permanência de pelo menos 10 milhões de indocumentados que vivem nos Estados Unidos.

“Não podemos permitir que eles continuem vindo para os EUA desta maneira”, manifestou Barnes, referindo-se aos sérios perigos que enfrentam milhares de estrangeiros sem papéis ao atravessar por zonas despovoadas e altamente perigosas na fronteira.

Políticas fracassadas – Doug Massey, catedrático da Universidade de Princeton – especialista em imigração e um dos principais promotores para criar um programa de trabalhadores convidados -, opinou durante a conferência que a atual política imigratória americana é um fracasso. “É pior que um fracasso”, detonou o pesquisador universitário.

Massey comentou que as leis imigratórias vigentes na atualidade não detêm o fluxo de imigrantes vindos do México, apenas servem para conter os que viajam com destino ao sul. “As pessoas continuam entrando nos Estados Unidos, mas depois não voltam para visitar os parentes com medo de serem detidos”, comentou.

Fechamento da fronteira – O professor também referiu-se aos operadores de fronteiras implementados pelo governo de Washington após os ataques de 11 de setembro de 2001, estratégia definida como “Hold the line” por estar desviando os imigrantes para zonas desertas e perigosas.

Várias organizações de ajuda a imigrantes criticaram as políticas de vigilância e assinalaram que elas constituem a principal causa das mortes de indocumentados. Claudia Smith, diretora do Projeto Fronteiriço de San Diego, reiterou que, por causa das medidas de vigilância, “os indocumentados atravessam por zonas cada vez mais remotas”, expondo-se ao ataque de animais selvagens e assaltos.

Durante a conferência, os religiosos também abordaram o tema dos abusos que sofrem os imigrantes quando cruzam por território do México em direção ao norte. Érika Dahi Bredine, diretora do Programa para México dos Serviços Católicos de Auxílio, explicou que a igreja está tentando encontrar um mecanismo para que os organismos de segurança mexicanos sejam vigiados por organizações comunitárias e impedir os maus tratos e os abusos de seus agentes contra estrangeiros.

Com relação ao tráfico humano, que se transformou em casos de exploração sexual e de mão-de-obra de homens, mulheres e crianças, Ouisa Davis, diretora de Serviços Diocesanos para Imigrantes e Refugiados em El Paso, Texas, salientou que o problema está crescendo sob o auspício do crime organizado nos Estados Unidos. Ela citou alguns casos nos quais se perde a pista de menores de idades que depois são repatriados pelas autoridades imigratórias americanas e, em outras ocasiões, desaparecem no território americano, para logo depois ser localizados em prostíbulos dos dois lados da fronteira.
Campanha nacional – Os bispos reiteram que “chegou a hora” para uma reforma migratória e mencionaram que continuarão em campanha, junto com várias organizações de apoio, para exigir do Congresso americano que aprove uma reforma às leis de imigração, mas que inclua um caminho para a residência.

O cardeal de Washington, Theodore E. McCarrick, explicou que desde março realizam-se esforços em todas as paróquias dos Estados Unidos para educar e mostrar aos católicos a necessidade de uma reforma imigratória ampla e justa e salientar as vantagens disto para a nação. A estratégia inclui depoimentos de imigrantes que lutam para realizar seus sonhos e batalha pela aprovação de leis justas que promovam caminhos legais para os trabalhadores e suas famílias.

Os religiosos também propõem a eliminação do termo “delinqüente”, aplicado aos estrangeiros que entram nos EUA sem documentos. “Eles possivelmente infringem as normas, mas não são delinqüentes e não é correto tratà-los como tais e menos ainda aproveitar-se de sua situação fragilizada para violar seus direitos humanos e trabalhistas”, completaram.
 


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