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Ano 5 - Edição 111
28/junho a 12/julho
Deerfield Beach, FL USA
Cotações e Bolsas.

Missão comercial de Minas Gerais visita Miami

Não é só o presidente Lula quem está viajando para o exterior em busca de negócios. Representantes dos governos estaduais e empresários também decidiram sair em busca de novos contatos no exterior para ampliar sua base de clientes. Desta vez, foram os mineiros que vieram ao México e aos Estados Unidos em busca de novas oportunidades.

Depois de passar pela Cidade do México e por Los Angeles, o grupo chegou a Miami como última etapa da viagem. Foram dois dias de encontros com empresários americanos, hispânicos e representantes da comunidade brasileira que vive na Flórida, além dos membros do Consulado Geral do Brasil em Miami.

O secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de Minas Gerais, Wilson Nélio Brumer, que seria o principal expositor foi o grande ausente. Ele teve de voltar às pressas para Belo Horizonte, convocado pelo governador Aécio Neves, em virtude do efervescente momento político pelo qual passa o país. Foi substituído por Eduardo Lery Vieira, diretor do Instituto de Desenvolvimento Industrial de Minas Gerais (Indi) que integrava a comitiva.

Resultados promissores – Vieira confirmou ter ficado entusiasmado com os resultados do road show promovido pelas entidades empresariais e governamentais de Minas Gerais. “O México está preparando uma missão empresarial ao Brasil e agora incluirá Minas no roteiro”, lembrou o palestrante.

Em Los Angeles, também tiveram boa receptividade, com alguns empresários fechando negócios (ver quadro). “Nossa missão é formada por pequenas e médias empresas que estão ansiosas para abrir novos mercados e praticamente exigiram que saíssemos em busca do mercado externo, porque elas sentem estar em condições de exportar seus produtos”, garante Vieira.

O diretor do Indi fez questão de destacar a importância de Minas Gerais no contexto brasileiro, “muitas vezes esquecido, porque os estrangeiros geralmente só conhecem dois estados: São Paulo e Rio de Janeiro”. Para dirimir quaisquer dúvidas, ele apresentou números pujantes que fazem de Minas Gerais uma estrela em ascensão no cenário nacional.

Números significativos – O quarto maior estado do país em área territorial possui uma população de 18,9 milhões de habitantes, dos quais 2,3 milhões vivem na capital, Belo Horizonte. As exportações alcançam US$ 10 bilhões e o Produto Interno Bruto do estado chega a US$ 50 bilhões. Os setores que mais contribuem para o crescimento das exportações são os de serviços (47,6%), manufatura (43,2%) e agronegócio (9,2%). Por ser um estado rico em minérios, é lógico que a metalurgia seja o carro chefe entre os produtos exportados, com 25% do total, seguido pelos setores químico (19%) e de alimentos (17%).

Minas Gerais tem alguns dados impressionantes. É o maior produtor mundial de nióbio (elemento utilizado na condutividade elétrica), maior produtor brasileiro de ferro, aço, cimento, carvão, batata, café e leite e possui o maior complexo de biotecnologia e o maior rebanho eqüino do país. O estado também é o principal exportador de ferro gusa, aço, minério de ferro, veículos de passageiros e café entre outros produtos. Por isto, já é o segundo estado exportador do Brasil, respondendo com 10% do total das exportações brasileiras. O principal parceiro comercial é os Estados Unidos, que compra 19% dos produtos exportados por Minas.

Além da força no setor agrícola, onde cerca de 500 mil fazendeiros produzem 9,7 milhões de sacas de grãos, o estado vem investindo em irrigação através do Projeto Jaíba, que recebe verbas dos governos do Brasil e do Japão, e já irrigou 46 mil hectares no nordeste do estado e está projetando a irrigação de mais 8 mil hectares na região que integra o polígono das secas.

Setores em crescimento – O governo vem direcionando alguns investimentos para setores com potencial para crescer. Além da biotecnologia, vem ganhando força o setor sucro-alcooleiro, com exportações de US$ 155,5 milhões em açúcar e álcool. O governo mineiro está em estudos para a instalação de um alcoolduto ligando o Triângulo Mineiro, que concentra a maior área plantada de cana-de-açúcar, ao porto de Santos, em São Paulo.

O setor de reflorestamento é outro pólo em expansão, com a criação da cadeia de produtiva que abrange madeiras e indústria de móveis, assim como o de cosméticos, que vem crescendo em torno de 20%, e o de vestuário (uniformes, moda feminina e infantil).

O turismo também está em alta, aproveitando o clima de montanha, rios e cascatas, a saborosa culinária mineira, a receptividade do povo e a boa infra-estrutura de transportes, que inclui o Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Belo Horizonte, e mais 86 aeroportos em todo o estado, a maior malha rodoviária do país (265 mil quilômetros), e uma rede ferroviária superior a 5 mil quilômetros.
A recuperação da Estrada Real, uma estrada construída pelos portugueses ligando Diamantina aos portos do Rio de Janeiro e Paraty para escoar as pedras preciosas e o ouro recolhidos em Minas Gerais, está sendo reconstituída para se transformar em mais uma atração turística, juntamente com as cidades de Ouro Preto, Mariana e Sabará, que ainda guardam o estilo barroco da época setecentista.

Carlos Eduardo Abijaodi (FIEMG), Eduardo Lery Vieira (Indi), Richard S. Marcus (American Woolen Company) e Rodrigo Azeredo Santos (Ministério das Relações Exteriores)

 

 

 


Negócio fechado

Maria Ferreira, dona da Confecções Moon River, de Governador Valadares, pagou todos os custos para participar da missão comercial de Minas Gerais, capitaneada pela FIEMG (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), mas foi bem recompensada.

Há 13 anos operando no mercado brasileiro, com uma boa carteira de clientes em todo o país – sobretudo em Minas, Rio de Janeiro e São Paulo -, a Moon River conta com 60 funcionários. Ou melhor, contava.

Segundo a empresária, a equipe de funcionários deve chegar a 100 após o fechamento do contrato com uma rede de loja dos Estados Unidos durante sua passagem por Los Angeles. “Depois disto, nem posso mais pegar clientes, porque não poderei atender”, admite Maria.

Este é o primeiro contrato internacional fechado pela confecção. E ela tem de correr para entregar todo o pedido, previsto para os meses de novembro, dezembro e janeiro. Faz sentido, afinal a rede, com cerca de 100 lojas, quer estocar os produtos para vendê-los no verão 2006.

Como boa mineira, no entanto, Maria não quis revelar o nome do comprador nem o valor do contrato: “Ainda não está tudo totalmente fechado, por isto não gostaria de fornecer estas informações”, esquivou-se a empresária. Pode ser, mas ela própria admitiu que já deu ordens para seus modistas e desenhistas pensarem na nova coleção: “Até porque o contrato diz que temos de entregar uma coleção exclusiva que será aprovada pelo cliente”.

As chances de agradar são bem grandes, porque Minas Gerais tem tradição no setor de confecções e a moda praia brasileira é reverenciada internacionalmente.
 


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