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Missão comercial de
Minas Gerais visita Miami
Não é só o presidente Lula quem está viajando para o exterior em busca de
negócios. Representantes dos governos estaduais e empresários também
decidiram sair em busca de novos contatos no exterior para ampliar sua base
de clientes. Desta vez, foram os mineiros que vieram ao México e aos Estados
Unidos em busca de novas oportunidades.
Depois de passar pela Cidade do México e por Los Angeles, o grupo chegou a
Miami como última etapa da viagem. Foram dois dias de encontros com
empresários americanos, hispânicos e representantes da comunidade brasileira
que vive na Flórida, além dos membros do Consulado Geral do Brasil em Miami.
O secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de Minas Gerais, Wilson
Nélio Brumer, que seria o principal expositor foi o grande ausente. Ele teve
de voltar às pressas para Belo Horizonte, convocado pelo governador Aécio
Neves, em virtude do efervescente momento político pelo qual passa o país.
Foi substituído por Eduardo Lery Vieira, diretor do Instituto de
Desenvolvimento Industrial de Minas Gerais (Indi) que integrava a comitiva.
Resultados promissores – Vieira confirmou ter ficado entusiasmado com
os resultados do road show promovido pelas entidades empresariais e
governamentais de Minas Gerais. “O México está preparando uma missão
empresarial ao Brasil e agora incluirá Minas no roteiro”, lembrou o
palestrante.
Em Los Angeles, também tiveram boa receptividade, com alguns empresários
fechando negócios (ver quadro). “Nossa missão é formada por pequenas e
médias empresas que estão ansiosas para abrir novos mercados e praticamente
exigiram que saíssemos em busca do mercado externo, porque elas sentem estar
em condições de exportar seus produtos”, garante Vieira.
O diretor do Indi fez questão de destacar a importância de Minas Gerais no
contexto brasileiro, “muitas vezes esquecido, porque os estrangeiros
geralmente só conhecem dois estados: São Paulo e Rio de Janeiro”. Para
dirimir quaisquer dúvidas, ele apresentou números pujantes que fazem de
Minas Gerais uma estrela em ascensão no cenário nacional.
Números significativos – O quarto maior estado do país em área
territorial possui uma população de 18,9 milhões de habitantes, dos quais
2,3 milhões vivem na capital, Belo Horizonte. As exportações alcançam US$ 10
bilhões e o Produto Interno Bruto do estado chega a US$ 50 bilhões. Os
setores que mais contribuem para o crescimento das exportações são os de
serviços (47,6%), manufatura (43,2%) e agronegócio (9,2%). Por ser um estado
rico em minérios, é lógico que a metalurgia seja o carro chefe entre os
produtos exportados, com 25% do total, seguido pelos setores químico (19%) e
de alimentos (17%).
Minas Gerais tem alguns dados impressionantes. É o maior produtor mundial de
nióbio (elemento utilizado na condutividade elétrica), maior produtor
brasileiro de ferro, aço, cimento, carvão, batata, café e leite e possui o
maior complexo de biotecnologia e o maior rebanho eqüino do país. O estado
também é o principal exportador de ferro gusa, aço, minério de ferro,
veículos de passageiros e café entre outros produtos. Por isto, já é o
segundo estado exportador do Brasil, respondendo com 10% do total das
exportações brasileiras. O principal parceiro comercial é os Estados Unidos,
que compra 19% dos produtos exportados por Minas.
Além da força no setor agrícola, onde cerca de 500 mil fazendeiros produzem
9,7 milhões de sacas de grãos, o estado vem investindo em irrigação através
do Projeto Jaíba, que recebe verbas dos governos do Brasil e do Japão, e já
irrigou 46 mil hectares no nordeste do estado e está projetando a irrigação
de mais 8 mil hectares na região que integra o polígono das secas.
Setores em crescimento – O governo vem direcionando alguns
investimentos para setores com potencial para crescer. Além da
biotecnologia, vem ganhando força o setor sucro-alcooleiro, com exportações
de US$ 155,5 milhões em açúcar e álcool. O governo mineiro está em estudos
para a instalação de um alcoolduto ligando o Triângulo Mineiro, que
concentra a maior área plantada de cana-de-açúcar, ao porto de Santos, em
São Paulo.
O setor de reflorestamento é outro pólo em expansão, com a criação da cadeia
de produtiva que abrange madeiras e indústria de móveis, assim como o de
cosméticos, que vem crescendo em torno de 20%, e o de vestuário (uniformes,
moda feminina e infantil).
O turismo também está em alta, aproveitando o clima de montanha, rios e
cascatas, a saborosa culinária mineira, a receptividade do povo e a boa
infra-estrutura de transportes, que inclui o Aeroporto Internacional
Tancredo Neves, em Belo Horizonte, e mais 86 aeroportos em todo o estado, a
maior malha rodoviária do país (265 mil quilômetros), e uma rede ferroviária
superior a 5 mil quilômetros.
A recuperação da Estrada Real, uma estrada construída pelos portugueses
ligando Diamantina aos portos do Rio de Janeiro e Paraty para escoar as
pedras preciosas e o ouro recolhidos em Minas Gerais, está sendo
reconstituída para se transformar em mais uma atração turística, juntamente
com as cidades de Ouro Preto, Mariana e Sabará, que ainda guardam o estilo
barroco da época setecentista.

Carlos Eduardo Abijaodi (FIEMG), Eduardo Lery
Vieira (Indi), Richard S. Marcus (American Woolen Company) e Rodrigo Azeredo
Santos (Ministério das Relações Exteriores)
Negócio fechado
Maria
Ferreira, dona da Confecções Moon River, de Governador Valadares, pagou
todos os custos para participar da missão comercial de Minas Gerais,
capitaneada pela FIEMG (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais),
mas foi bem recompensada.
Há 13 anos operando no mercado brasileiro, com uma boa carteira de clientes
em todo o país – sobretudo em Minas, Rio de Janeiro e São Paulo -, a Moon
River conta com 60 funcionários. Ou melhor, contava.
Segundo a empresária, a equipe de funcionários deve chegar a 100 após o
fechamento do contrato com uma rede de loja dos Estados Unidos durante sua
passagem por Los Angeles. “Depois disto, nem posso mais pegar clientes,
porque não poderei atender”, admite Maria.
Este é o primeiro contrato internacional fechado pela confecção. E ela tem
de correr para entregar todo o pedido, previsto para os meses de novembro,
dezembro e janeiro. Faz sentido, afinal a rede, com cerca de 100 lojas, quer
estocar os produtos para vendê-los no verão 2006.
Como boa mineira, no entanto, Maria não quis revelar o nome do comprador nem
o valor do contrato: “Ainda não está tudo totalmente fechado, por isto não
gostaria de fornecer estas informações”, esquivou-se a empresária. Pode ser,
mas ela própria admitiu que já deu ordens para seus modistas e desenhistas
pensarem na nova coleção: “Até porque o contrato diz que temos de entregar
uma coleção exclusiva que será aprovada pelo cliente”.
As chances de agradar são bem grandes, porque Minas Gerais tem tradição no
setor de confecções e a moda praia brasileira é reverenciada
internacionalmente.
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