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Processo legal para
abrir uma rádio pode levar anos
Por Vanuza
Ramos
Especial para o AcheiUSA
Abrir uma rádio nos Estados Unidos não é fácil. O FCC recebe cerca de 30 mil
pedidos por ano, para rádio e televisão. Os critérios para emissão de
licença são rígidos e as normas estabelecidas pelo FCC (Federal
Communication Commission) muito burocráticas.
O primeiro passo para quem quer obter uma rádio é encaminhar uma solicitação
para o FCC, o que só pode ser feito por uma empresa que tenha um cidadão
americano em sua diretoria. Para fazer a solicitação, o interessado precisa
contratar o serviço de um engenheiro para fazer uma pesquisa na região e
saber quais as freqüências disponíveis. A partir da pesquisa, o solicitante
requisita uma licença para a freqüência de interesse – desde que a
freqüência esteja disponível. Os investimentos podem ter capital 20%
estrangeiro e 80% americano.
No caso do FCC conceder a licença, o órgão primeiro emite uma permissão de
construção e dá um prazo de 36 meses para a empresa montar a rádio. Após
transcorrida esta fase, o FCC fiscaliza a estrutura física, os equipamentos
utilizados e o corpo de funcionários da rádio: é preciso ter funcionários
registrados e um responsável técnico - um engenheiro devidamente reconhecido
pelo governo dos EUA. Caso todos esses aspectos estejam de acordo com as
exigências do governo, o FCC libera a licença de concessão.
O que é full power e low power?
Dentro do sistema de radiodifusão dos EUA há varias categorias de rádios. Os
interessados podem inscrever-se para rádios full power ou low power.
Full
power são as rádios comerciais, com potência acima de 250 watts.
Para construção de uma rádio full power, as especificações técnicas são
severas e há pouca disponibilidade de freqüências para rádios comerciais nos
EUA, sobretudo na Flórida, onde é possível se notar facilmente a proximidade
das rádios no dial. Isso ocorre por falta de freqüência disponível, daí a
preferência de muitos empresários em comprar rádios já existentes ao invés
de abrirem novas rádios.
Low power
Outra forma de entrar para o mercado de radiodifusão é através das rádios
low power, que não têm caráter comercial e não podem ultrapassar os 250
watts de potência. Essa categoria se subdivide em FM translators e boosters.
Essa abertura nas normas de radiodifusão aconteceu no ano de 1970, quando o
governo dos Estados Unidos resolveu permitir que rádios FMs com problema de
recepção do seu sinal, em algumas áreas, pudessem usar uma FM translator
para completar sua transmissão.
Elas eram usadas para complementar os sinais
de rádios que eram interrompidos por irregularidades geográficas como
montanhas ou outros relevos.
Uma translator nada mais é do que um estúdio com um decodificador ligado a
uma rádio principal, mas em freqüência diferente. Essa rádio principal pode
ser full power ou low power. Nesse caso, a FM translator não tem autorização
para gerar programação mas apenas para retransmitir a programação da “FM
mãe”.
Os equipamentos para aquisição de uma FM translator custa entre 10 e 20 mil
dólares e as especificações técnicas exigidas são menos rígidas. Mas a rádio
não pode ter fins lucrativos – ou seja, não pode ter programação comercial.
Entretanto, é permitida a veiculação de mensagens de empresas que apóiam as
iniciativas culturais e educativas das emissoras sem fins lucrativos.
Outra forma de radiodifusão low power é através das rádios boosters, que são
quase como as FMs translators mas atuam na mesma freqüência da “FM mãe”.
Assim como a translator, essa FM não pode gerar programação própria e nem
ultrapassar a potência, em watts, de 20% da rádio geradora. A FM translator
pode alcançar até 250 watts.
Mesmo para obter licença para uma rádio low power o interessado tem de
enviar uma solicitação para o FCC, requerendo licença, o que não é fácil. A
última low power autorizada nos EUA foi em 2002.
Colaborou Antonio
Tozzi/AcheiUSA
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