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O que você pode levar
quando voltar para o Brasil
A facilidade em adquirir bens nos Estados
Unidos faz muito brasileiro suspirar: “Ah, se eu pudesse ter isto em minha
casa lá, no Brasil”. Na verdade, isto é possível para quem vive aqui há
algum tempo. Pedro Silva, funcionário mais antigo do Consulado Geral do
Brasil em Miami, que trabalha no Departamento de Legalização comandado pelo
cônsul adjunto Arthur Oliveira, explica como é o procedimento para as
pessoas que estão pensando em voltar para o país.
Aliás, segundo Silva, vem aumentando bastante o percentual de brasileiros
que estão retornando ao Brasil, sobretudo depois dos ataques terroristas de
11 de Setembro: “A vida aqui está muito difícil, as pessoas têm problemas
para tirar carteiras de motorista e ficam sem condições de trabalhar e
sustentar suas famílias, assim muitos têm optado por regressar e nos
procuram aqui no consulado”. O grupo é variado, abrangendo desde solteiros
até famílias inteiras. Alguns nem mesmo possuem documentos comprobatórios de
residência e voltam usando o RB (documento de Retorno ao Brasil), ou seja
sequer têm passaporte ou documentos americanos como número de Social
Security e Driver’s License.
Todos eletrodomésticos liberados – Silva explica que a Receita
Federal autoriza aos brasileiros que vivem no exterior embarcar com bens
adquiridos no exterior. A boa notícia é que recentemente a Receita Federal
publicou uma portaria dando permissão aos brasileiros de embarcar
mercadorias novas. Antes, a permissão era concedida apenas a equipamentos
usados. Evidentemente, a quantidade tem de ser compatível ao uso
residencial. Ninguém pode querer despachar 20 TVs, 15 refrigeradores e 15
computadores, por exemplo. Neste caso, o contêiner será bloqueado pela
Receita Federal e a pessoa terá de se explicar. Para evitar contratempos, é
bom a pessoa levar os comprovantes de tudo o que foi adquirido. “Recomendo
que as pessoas guardem todos os documentos para evitar dor de cabeça”, diz o
funcionário do consulado.
Pedro Silva faz questão de destacar que o consulado apenas emite o atestado
comprovando quanto tempo a pessoa viveu nos Estados Unidos, mas não possui
nenhum poder de fiscalização, atribuição que compete à Receita Federal: “Nós
damos o atestado baseado nas informações fornecidas pela pessoa, mas não
verificamos sua exatidão”.
Para isto, o brasileiro precisa preencher um formulário de declaração de
residência no exterior (à disposição no próprio consulado) e apresentar
documentos comprobatórios de residência, tais como contrato de aluguel,
apresentação de conta de luz, telefone, carteira de motorista. O melhor de
tudo, no entanto, é a apresentação de uma cópia de declaração de imposto de
renda. “Basta ter um ano de residência ininterrupto no país, comprovado
através do imposto de renda, para receber o atestado do consulado”, diz
Silva.
Motorizados proibidos – Entretanto, quem estiver pensando em levar
para o Brasil carros, motocicletas, barcos, jet skies ou qualquer veículo
motorizado, pode esquecer. Desde 1975, o governo brasileiro proibiu o envio
deste tipo de mercadoria. O imposto devido, neste caso, é tão elevado que
não compensa. A melhor opção é importar o veículo e pagar as taxas cobradas
pela Receita Federal.
Com a experiência de muito tempo trabalhando no consulado, Silva alerta para
alguns despachantes inescrupulosos que cobram taxas desnecessárias dos
brasileiros. Portanto, se alguém tiver alguma dúvida, pode procurar Pedro
Silva no consulado que ele terá imenso prazer em ajudar os conterrâneos.
“Sou sempre a favor dos brasileiros. Odeio ver gente se aproveitando de
pessoas que desconhecem algumas informações”, garante.
Aumenta
movimento no consulado – O cônsul geral do Brasil em Miami, João Almino,
revelou que o movimento no consulado foi bastante intenso no mês de junho.
Aliás, como comprovam levantamentos feitos em anos anteriores, os meses de
abril, maio e junho são os de maior movimento. Este ano, para efeito
comparativo, Almino divulgou alguns dados: a emissão de documentos de viagem
(passaportes) foi de 946 em janeiro e de 2.525 em junho; emissão de vistos
em janeiro – 2.240, em maio – 3.103; reconhecimento de firmas em janeiro –
746, em maio – 1.887.
Para contrabalançar este acúmulo, Almino está pensando em colocar um aviso
para que as pessoas providenciem os documentos nos meses de menor procura:
“Por exemplo, a pessoa pode tirar o passaporte seis meses antes de expirar o
prazo, para evitar atropelos. Além do mais, se a pessoa precisar viajar com
urgência já está com o passaporte em dia”.
Este ano, houve um aumento de 25% no total de turistas brasileiros que
vieram aos Estados Unidos, em relação ao ano passado. Recorrendo a outros
dados, o cônsul destacou que o movimento triplicou entre os anos 2000 e
2004. E do ano passado para este o movimento cresceu 50%. “Isto é reflexo do
aumento da comunidade brasileira, dos negócios entre os dois países e até
mesmo do turismo”, esclarece o diplomata.
Por falar em aumento no número de brasileiros vivendo na Flórida, João
Almino admite que este total ainda é incerto, em virtude da ausência de
dados fornecidos pela própria comunidade, que não divulga informações porque
muitos encontram-se fora do status migratório. Segundo o cônsul, a única
forma de obter dados mais confiáveis seria o Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatísticas (IBGE) incluir uma rubrica sobre quais famílias têm
parentes vivendo no exterior e perguntar em que países estão.
Ou, então, os conterrâneos perderem o medo injustificado de se apresentar ao
consulado, independente de seu status migratório, até porque consulados e
embaixadas são territórios brasileiros no exterior. Portanto, o único
compromisso é ajudar os brasileiros e não reportar brasileiros
indocumentados à imigração americana.
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