Brazilian Classifieds Ads
Publicidade
Edição atual, clique para ampliar.
Ano 5 - Edição 113
26/julho a 9/agosto
Deerfield Beach, FL USA
Cotações e Bolsas.

Entregar-se à Justiça pode ser opção para ilegais

Por Iara Carnauba

Atravessar a fronteira e se apresentar no tribunal parecem decisões bem distintas, mas fazem parte do plano de muitos imigrantes ilegais. Nossa entrevistada desta quinzena conta como foi correr em direção à polícia americana para ser presa e ter a oportunidade de tentar uma vida melhor nos Estados Unidos.

Motivos para se aventurar - Cansada de concursos públicos, convicta de que não queria terminar o curso de letras e continuar dando aulas com baixos salários, D.A. deixou o Brasil rumo ao México em dezembro de 2003 para tentar a travessia da fronteira depois de ter o visto negado por duas vezes.

Embarcou em Brasília sabendo dos riscos que correria e chegou ao aeroporto da Cidade do México. Já no desembarque, foi abordada pela imigração local sendo obrigada a pagar os primeiros US$500,00 para seguir viagem com destino a Guadalajara, ainda em avião.

As condições da viagem começariam a piorar e as propinas também. Trinta e oito horas de ônibus e diversas paradas a aguardavam. A polícia rodoviária parecia saber exatamente quem tinha a intenção de chegar aos Estados Unidos e sempre pedia dinheiro para liberá-la.

Em Hermosillo, pegaria um táxi para Sonoita, uma pequena cidade no Estado de Sonora que faz fronteira com a cidade de Lukeville, Arizona, onde foi presa. O delegado não aceitou suborno, alegando que aquele era um dos invernos mais rigoros do México e ela não chegaria viva aos Estados Unidos.

Depois de dez dias na delegacia teve de fazer a mesma viagem, mas, desta vez, em um ônibus escoltado pela polícia. Estava sendo deportada. Conheceu pessoas que aguardavam a deportação por mais de cinco meses. Chegou novamente à cidade do México onde ainda teve de aguardar mais 17 dias em um presídio para embarcar em um avião de volta ao Brasil.

“A idéia de me entregar à polícia parecia loucura” - Exatamente um ano depois, faltando uma semana para o Natal, D.A. partiu em sua segunda tentativa. Desta feita, com planos bem diferentes. O destino era a Cidade de Monterrey, capital do estado de Nuevo Leon, no México. Lá, ficaria numa casa aguardando a hora da travessia do Rio Grande. Sua maior preocupação era a polícia mexicana. Orientada a nadar e depois correr em uma espécie de mangue em direção a uma luz amarela, D.A. deixou para trás o grupo de 20 pessoas. Foi a única a chegar ao destino. “Ouvia pessoas pedindo ajuda e gritando por socorro, mas não podia fazer nada. Nessa travessia é cada um por si.
Quando vi as armas apontadas para mim e os cachorros latindo duvidei que aquele local fosse mesmo aonde eu teria de chegar”.

D.A ficou presa na cidade de Harlingen, no Texas, por três dias. Com a roupa ainda molhada e em uma sala toda de vidro com câmeras.

Conta que não a deixaram dormir durante estes dias. O intuito é desencorajar os aventureiros a tentarem novamente. Depois destes três longos dias no presídio a soltaram com uma ordem para comparecer ao tribunal em seis meses. Ficaram com seu passaporte, fotos e digitais.

- A opção de se ‘entregar’ parece ser uma boa saída para os que optaram por uma entrada ilegal aos Estados Unidos. Vivi um filme de terror e não podia parar para pensar nos fatos e detalhes sobre o que estava acontecendo ao meu redor. Lembro-me que o “coiote” (intermediário que deve guiar os ilegais do México para os EUA) que nos levaria até certo ponto da travessia era um menino de apenas 13 anos e estava completamente drogado. O outro parecia ser mais novo ainda e estava todo sujo de sangue quando foi nos buscar. Quem seria irresponsável de se atirar num rio com esses meninos? Não aconselho isso para ninguém.

Mais um ano nos EUA - A nossa entrevistada procurou vários advogados e ouviu diferentes opiniões. Mas optou pela única que lhe daria oportunidade de se legalizar. Compareceu ao tribunal pedindo asilo social. Sua próxima apresentação no tribunal será em julho de 2006 e com os documentos do seu processo pode até tirar a carteira de motorista. Até lá, D.A. poderá aguardar alguma nova lei que regularize a situação dos indocumentados ou a aprovação do seu pedido de asilo. Ou, quem sabe, se apaixonar por algum americano e se casar.
 



Copyright 2005 © acheiusa.com - Todos os direitos reservados.

 


Adriana Sabino é a "cara" do Centro Cultural Brasil-USA da Flórida (CCBU). A presidente, que vive em Key Biscayne, nem sonhava ...
Após o fechamento da rádio brasileira Tupi News FM, que atuava na freqüência 96.9, em Pompano Beach, o sentimento de perda ...


Edições anteriores:   
 

 

 
 

Copyright 2004 © acheiusa.com - webmaster@acheiusa.com
Acheiusa is not responsible for the opinions expressed by its contribuiting writers, neither for the content of
the advertised material on it. Signed articles do not represent the opinion of the newspaper.