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Ano 5 - Edição 113
26/julho a 9/agosto
Deerfield Beach, FL USA
Cotações e Bolsas.

Centro Cultural: porta-voz do Brasil nos EUA

Por Antonio Tozzi/AcheiUSA

Adriana Sabino é a “cara” do Centro Cultural Brasil-USA da Flórida (CCBU). A presidente, que vive em Key Biscayne, nem sonhava em fundar uma entidade com tamanha representatividade, mas ela admite que o CCBU vem cumprindo seu papel de interlocutor com as organizações locais, sobretudo as dos condados de Miami-Dade e de Broward.

Nestes próximos meses o CCBU estará envolvido com uma série de atividades, sempre como representante do Brasil e da comunidade brasileira que vive no Sul da Flórida. Em agosto, coordenará o seminário (veja box ), entre setembro e outubro ficará à frente do Festival Brasil e em novembro comandará um grande estande na Feira Internacional do Livro de Miami.

E pensar que tudo isto começou a partir do desejo de uma mãe em organizar informações sobre o Brasil para que os filhos fizessem trabalhos escolares. Adriana conta como teve a idéia: “Toda vez que chegava perto de uma data comemorativa do país, as professoras pediam aos alunos daquela nacionalidade para que fizessem trabalhos escolares sobre os símbolos, as bandeiras, as comidas, enfim, tudo que se relaciona com a cultura do país. Como eu morava há mais tempo aqui, minhas amigas recorriam a mim para emprestar este material”.

Nasce o CCBU - Dessa maneira, a decoradora e mãe de duas meninas (hoje, duas moças) pensou em juntar todo o material que ela e suas amigas possuíam para emprestá-lo a quem necessitasse. Decidiu procurar o então cônsul geral do Brasil em Miami, Luiz Fernando Benedini, para ajudá-la nesta tarefa.

O encontro com Benedini mudou completamente o rumo da história. Na ocasião, o Itamaraty estava cortando verbas das áreas culturais e a sugestão do governo brasileiro era que os consulados criassem Centros de Estudos Brasileiros. O cônsul propôs então: “Por que você não funda um Centro Cultural?”. A pergunta surpreendeu Adriana, mas Benedini insistiu: “Podemos ceder um espaço aqui no consulado para você não ter despesa com aluguel”.

A decoradora deixou o prédio do consulado com uma certeza: “Vou falar com minhas amigas e abrir o Centro Cultural”. Dito e feito. Em 1997, foi inaugurado oficialmente o Centro Cultural Brasil-USA, tendo como presidente de honra o cônsul Luiz Fernando Benedini, como presidente da entidade a própria Adriana Sabino e como diretores Luiz Ernesto Gozzolli, Leila da Costa, Ana Lúcia Leite, Denise Moura, Marilena Borghini e Helena Serber.

Biblioteca Nélida Piñon – Uma das primeiras providências do CCBU foi a montagem de uma biblioteca, batizada com o nome de Nélida Piñon, a grande escritora brasileira que esteve presente no ato de inauguração da biblioteca, no dia 29 de janeiro de 1999. A biblioteca conseguiu doações da Associação Brasileira do Livro e de vários doadores. No entanto, a biblioteca carece de uma profissional básica: a bibliotecária. “Como todos nós somos voluntários, tentamos colocar alguém com experiência em organizar livros, fitas e documentos para atuar voluntariamente, mas a verdade é que as pessoas não podem dedicar todo seu tempo a uma tarefa destas. Nossa principal tarefa agora é conseguir um patrocinador para que possamos pagar o salário de uma bibliotecária e disponibilizar estes livros à comunidade brasileira. É uma pena ninguém poder usufruir deste acervo”, lamenta-se.

Aliás, o CCBU está fazendo um bom trabalho também junto às bibliotecas locais. No período entre 10 de setembro e 15 de outubro, as bibliotecas do condado de Broward estarão de portas abertas para receber os brasileiros. Além da festa de abertura e alguns eventos programados para a biblioteca central, haverá eventos alternativos nas unidades de Deerfield Beach e de Coral Springs – locais onde há forte concentração de brasileiros. A boa notícia é a de que o Sistema de Bibliotecas Públicas de Broward destinou toda a verba (US$ 30 mil) reservada para a aquisição de livros escritos em outros idiomas para a compra de livros redigidos em português.

Será uma excelente oportunidade para os brasileiros conhecerem o que as bibliotecas de Broward oferecem, porque haverá tours para que as pessoas saibam quais recursos estão à sua disposição. “Uma biblioteca não serve apenas para emprestar livros. Ela também empresta fitas, DVDs, CDs, abriga palestras, realiza encontros de escritores e até mesmo dá cursos de inglês. Muitas pessoas simplesmente desconhecem isto. E o melhor de tudo é que gratuito. Não é preciso pagar nem pela confecção do cartão de membro!”, enfatiza a presidente do CCBU.

Escolas bilíngües – Por ter-se tornado mesmo uma referência em termos de contato com Brasil e comunidade brasileira, o CCBU foi procurado pelo Departamento de Educação do condado de Miami-Dade para ajudar a implantar um programa especial, que visava uma educação bilíngüe, com destaque para a língua portuguesa. “Este programa já existia para as línguas espanhola, francesa, alemã e italiana. Em razão do grande número de brasileiros vivendo aqui, eles consideraram interessante abrir o programa para o idioma português”, explicou Adriana.

Os diretores do CCBU vibraram com a oportunidade. O duro foi encontrar um diretor que aceitasse implantar o programa em sua escola. Depois de quatro anos de idas e vindas, a diretora da Escola Ada Merritt, que estava para ser reformada, abraçou o programa. O desafio, então, foi encontrar alunos para preencher as vagas, sob risco de o programa ser inviabilizado. Por incrível que pareça, esta tarefa foi difícil, conforme conta Adriana: “Precisávamos de 18 alunos e conseguimos somente 16. Pedimos autorização especial da Secretaria de Educação para dar início ao processo. Hoje, contamos com 164 alunos e fila de espera. Temos duas classes de pré jardim de infância, duas de jardim de infância, duas de primeiro, uma de segundo e uma de terceiro graus”.

Agora, que o programa está consolidado e muito procurado, pode sofrer um recuo, por causa de uma nova lei estadual que reza ser direito universal das crianças matricular-se em qualquer escola perto de sua casa. Dessa forma, as escolas que contam com estes programas não podem recusar alunos. Isto, no entanto, pode inviabilizar os programas especiais como os da Ada Merritt. “Os burocratas de Tallahassee precisam entender que esta é uma escola diferenciada”, protesta Adriana.

Fórum Brasileiro em Broward – O grande desafio do CCBU é integrar a comunidade brasileira aos órgãos governamentais, sobretudo os locais. A presidente da entidade disse ter escutado de uma diretora do Departamento Multicultural do Sistema de Escolar Público de Broward um comentário preocupante: “Ouço falar que há muitos brasileiros vivendo em Broward, só que não conheço nenhum. Gostaria de saber onde estão”.

Para saciar a curiosidade de Nancy Weintraub, Adriana a convidou para participar do painel sobre educação. Por sinal, o Fórum Brasileiro é uma excelente oportunidade para os conterrâneos se encontrarem com autoridades locais e vice-versa. Com certeza, devem surgir muitas soluções proveitosas para todos.

O Fórum Brasileiro está marcado para os dias 16 e 17 de agosto de 2005, das 18h30 às 22 horas da noite, na Biblioteca Central de Broward – 100 S. Andrews Ave. Bienes Center, 6º andar - em Fort Lauderdale.

Estarão presentes representantes do Consulado do Brasil, líderes comunitários, representantes de organizações, especialistas em assuntos legais, educacionais, e no campo social. Serão debatidas informações importantes sobre assuntos do interesse dos brasileiros que residem no Sul da Flórida.

Os painéis terão um formato único, com três ou quatro especialistas e um moderador. Cada painel abordará um assunto: o papel do Consulado, informações sobre imigração e assuntos legais, transição e adaptação a uma nova cultura, o sistema educacional, procedimentos de negócios, como se instalar no novo país – compra de casa, seguros e atendimento médico.

O Fórum Brasileiro é aberto a todos e não haverá cobrança de ingressos. Não há sequer necessidade de fazer reservas antecipadamente. Basta comparecer, assistir aos painéis e aproveitar o momento para dirimir as dúvidas.

Adriana Sabino está convocando a comunidade brasileira a prestigiar o evento, porque quanto mais pessoas forem mais mostraremos nossa força perante as autoridades e representantes locais. E uma comunidade forte consegue ter suas reivindicações atendidas com mais rapidez e com mais empenho. Portanto, lembre-se que sua presença é fundamental para que nós todos alcancemos nosso objetivo: representatividade e respeito.

E se você quiser saber mais sobre o CCBU ou mesmo oferecer seus serviços voluntários pode buscar mais informações no website da entidade: www.brazilmiamicultural.org.
 

Leila da Costa, diretora do CCBU que ainda participa ativamente da entidade

Diplomata Luiz Fernando Benedini,
grande incentivador do Centro Cultural

Escritora Nélida Piñon, que batizou
com seu nome a biblioteca do CCBU

Ada Merritt, escola que tem o
programa bilíngue inglês e português

   
   


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