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Ano 5 - Edição 113
26/julho a 9/agosto
Deerfield Beach, FL USA
Cotações e Bolsas.

Comunicadores: os prejudicados com fechamento da radio

Após o fechamento da rádio brasileira Tupi News FM, que atuava na freqüência 96.9, em Pompano Beach, o sentimento de perda paira na comunidade brasileira. As maiores vítimas da efêmera existência da rádio brasileira Tupi News não foram os anunciantes. Mas, sim, os comunicadores que comandavam programas na emissora. Para alguns deles, o prejuízo foi alto, como é o caso do locutor Gilson Trindade.

“Eu fechava contrato em nome da Axt Produções (de propriedade de Rubens Axt), mas quem visitou os clientes fui eu; me senti na responsabilidade de devolver o dinheiro para eles”, relata o comunicador, que passou os três dias seguintes ao fechamento da rádio visitando os anunciantes do seu programa para ressarci-los pelos dias de propaganda não veiculada. “Devolvi pouco mais de US$5.000, mas já tinha pago mais de US$10.000 antecipados ao Sr.
Rubens Axt, pelos meus programas. No final da minha contabilidade, meu prejuízo ficou em torno de US$13.000”, destaca Gilson.

Situação similar foi vivida por Nilton Passos, que comprou quatro programas de duas horas, aos sábados, pelos quais pagou antecipado US$2.000 a Rubens. “Paguei e fui atrás de patrocínios. Mas só cheguei a colocar no ar dois programas, antes da rádio fechar. Tentei reaver esse dinheiro dos programas não veiculados com o Rubens, que não me deu satisfação”, relata entristecido Nilton, que vinha comandando o programa Esporte Total. “Estou tirando do meu bolso para devolver aos patrocinadores. Ainda tenho que devolver US$1.000".

Os dois comunicadores tentaram reaver o dinheiro pago ao empresário Rubens Axt, mas sem sucesso. Nilton não tinha qualquer documento assinado. “Tudo que eu tinha era a palavra dele; entreguei o dinheiro nas mãos dele”, conta o comunicador que já trabalhou na Rádio Itatiaia de Belo Horizonte. Gilson tinha um contrato assinado, mas não viu formas de processar a emissora. “Tinha um contrato assinado por cinco anos e havia pago meses antecipados. Tenho prova, mas como processá-lo se ele não tem como pagar? Ele falou que ia acertar comigo, mas não atendeu mais minhas ligações”, resigna-se o locutor, que há dez anos atua no mercado, tendo atuado em rádios AM e FM, e em TVs (Globo, Bandeirantes e SBT) de Uberlândia-MG. Nos EUA, já comandou um programa de TV, o Brazuca na TV, e faz locução em eventos brasileiros.

Quanto a Rubens Axt, as últimas informações são de que ele teria se mudado para a Califórnia. A reportagem do AcheiUSA tentou contatá-lo, mas não obteve retorno.

“A rádio foi um sonho que acabou em pesadelo”, lamenta Nilton. “Agora vamos esperar que venha outra rádio; e creio que virá porque mostramos que a rádio deu resultado”, destaca Gilson.

Empresários lamentam - Outro segmento que vem sentindo a ausência da emissora é o empresarial, que experimentou momentos de comunicação direta com seus consumidores. “Tive uma felicidade muito grande quando a rádio abriu. Tanto que até fechei um contrato de exclusividade, por três meses. O retorno era excelente”, afirma a broker Patrícia Carneiro, da Tropical One Realty.

“Nosso retorno também foi excelente”, diz Juliana Andrade, do escritório de advocacia Wites & Kapetan. “O Alex (Kapetan) adorou. Ele achou que a rádio estava fazendo um bom trabalho e ficamos tristes quando soubemos do fechamento”, completa.

As duas empresas são apenas algumas das que torcem para que a comunidade brasileira ganhe uma nova emissora.

“A rádio tem feito bastante falta para nós”, ressalta Marcelo Cambisi, gerente da Autobras, outra das anunciantes. Nenhum dos anunciantes sofreu qualquer dano. Em sua maioria, foram ressarcidas pelos dias que não tiveram seu material publicitário veiculado. “Três dias depois do fechamento o Gilson (Trindade) esteve aqui e me devolveu o valor que eu tinha pago adiantado. Ele foi muito honesto”, destaca.

Entre a população, muitos lamentos. “Era uma alegria poder ouvir nossa música na rádio”, diz Antonio Pereira, de Deerfield Beach. “Sinto falta, porque acrescentava algo para a gente. Principalmente porque com a rádio comecei a dar mais atenção às noticias e às opiniões”, destaca a garçonete Patrícia Silva, de Pompano Beach.

Apesar das lamentações, não será fácil a comunidade brasileira ter outra rádio na Florida por falta de disponibilidade no dial. “Nesse momento não há freqüências disponíveis na Flórida”, afirma o empresário Jorge Ciccone, entusiasta do radialismo e que há anos tenta trazer uma rádio para a comunidade brasileira. Ele já comandou duas horas diárias de programação brasileira em uma emissora AM, há dois anos.

Até mesmo conseguir horários terceirizados em rádios já estabelecidas está complicado. “Um programa de rádio esta custando entre US$400 e US$800 por hora de programa”, afirma Jorge. Isso significa que um programa diário, de duas horas, custaria aproximadamente 24 mil dólares por mês. “E você nem consegue horário”.

O projeto dele agora é colocar no ar um programa de televisão, em um canal local. “Será um espaço de entrevistas, espaço informativo, voltado para a comunidade”, revelou.


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