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Sienna Motors pode
exportar carros para a Europa
O
jovem empresário Claudinei Senhoretti já pensa em abrir outras fronteiras
para suas atividades. Depois de ter conquistado os Estados Unidos, onde vive
há seis anos e já possui duas lojas de automóveis (Sienna Motors), o rapaz
de 30 anos deve viajar em breve para a Europa, para onde ele pretende
exportar carros americanos, sobretudo os modelos esportivos como Mustang,
Corvette e Hummer, muito cobiçados por lá.
Ele vai viajar para a Europa, com a esposa Beatriz e os filhos Felipe e
Pedro, de seis e quatro anos respectivamente. Além de conhecer a Europa,
sobretudo a região da Itália de onde a família de seus antepassados emigrou
para o Brasil, Senhoretti demonstra que sua visão de empresário não deixa de
se manifestar mesmo quando em seu momento de lazer. Ele deve aproveitar a
viagem para visitar algumas companhias européias interessadas na importação
de modelos americanos usados.
Ao contrário do Brasil, onde a importação de carros é um negócio inviável,
os impostos de importação na Europa são bem mais baixos, permitindo aos
consumidores realizar seus sonhos sem precisar pagar quase 70% de impostos à
Receita Federal. “Um carro que custa US$ 30 mil aqui acaba ficando em US$ 50
mil para o comprador brasileiro”, diz Senhoretti.
Sempre trabalhando com automóveis – O empresário negocia com
automóveis há dez anos: quatro no Brasil e seis nos Estados Unidos. Aliás,
ele até mesmo conheceu Beatriz numa agência de automóveis: a Anhembi
Veículos, revenda Chevrolet de São Paulo. Ela era vendedora de carros novos
e ele trabalhava no departamento de usados. “Sempre gostei de mexer com
carros usados”, sorri.
Ele trouxe para cá toda sua experiência e garra, o que mudou definitivamente
os planos do casal Senhoretti. Claudinei e Beatriz vieram para os EUA para
morar um ano, aprender inglês e ter uma experiência internacional. No
entanto, em pouco tempo, já começou a negociar automóveis usados em seu
próprio condomínio. “Cheguei a ter 12 veículos nas frente de minha garagem,
aí quatro foram guinchados e senti ter chegado o momento de arrumar outro
lugar. Aluguei um terreno baldio e coloquei os carros lá. Logo depois, abri
minha primeira loja na South Dixie Hwy”, conta o empresário.
Rapidamente, aprendeu os segredos de trabalhar no mercado americano e foi
crescendo. Há um ano, abriu a segunda loja, desta vez na North Federal Hwy.
“Hoje, temos dez funcionários nas duas lojas, além de mim e da Beatriz, que
cuida mais da parte administrativa. A loja da Federal (a mais lucrativa) tem
modelos mais luxuosos e alguns básicos, enquanto a da Dixie concentra-se
mais nos básicos”, comenta.
Atualmente, seus planos são o de fazer com que as lojas funcionem com
autonomia, permitindo-lhe mais liberdade para desenvolver novos negócios,
além de conquistar mais consumidores hispânicos.
Carros da Flórida, os preferidos – Atualmente, Senhoretti não depende
apenas dos conterrâneos para movimentar seus negócios: “Podemos dizer que
hoje os brasileiros representam 50% dos clientes e os estrangeiros a outra
metade, com predomínio dos americanos”. Alguns chegam até a Sienna através
dos anúncios de modelos colocados no EBay (site especializado em compra e
venda de mercadorias). Certa vez, um cliente da Califórnia veio de lá para
comprar uma caminhonete ano 1969 e voltou dirigindo para sua casa.
Aliás, os carros da Flórida são considerados os mais cobiçados dos EUA
porque não sofrem com a neve e com o sal depositado nas ruas para dissolver
a neve, conforme explica o dono da Sienna Motors: “Nem mesmo a maresia afeta
os veículos daqui, por isto são tão valorizados”.
Brasileiros, mercado atraente - E a empresa adaptou-se aos novos
tempos. Ou seja, mesmo sem estar em situação legal no país é possível
comprar um carro. Basta ter a carteira de motorista internacional, cuja
validade está condicionada ao período de permanência nos EUA, de acordo com
a I 94 (documento expedido por um agente do Serviço de Imigração americano
quando da entrada de um estrangeiro no país). “Entretanto, é bom destacar,
que para efeito de seguros de automóveis e de registro no Departamento de
Veículos da Flórida, a carteira de motorista internacional é suficiente, sem
necessidade de apresentar a I 94”, explica Senhoretti.
O empresário admite que as medidas restritivas impostas pelo governo estão
prejudicando um pouco seus negócios (em torno de 20%), mas não impede as
pessoas de comprar carros: “Recomendo que os estrangeiros que não possuem
Social Security peçam o TIN (número de identificação fornecido pelo IRS, o
Imposto de Renda americano), porque é possível fazer histórico de crédito
com ele”. E ele dá outra dica para quem não possui carteira de motorista
aqui na Flórida: “O estado do Texas está dando carteiras para as pessoas sem
se importar com seu status legal nos Estados Unidos”.
A Sienna Motors dispõe de planos de financiamentos especiais mesmo para quem
está completamente indocumentado no país e nenhum histórico de crédito:
“Conseguimos juros anuais de 11%, o que é excelente. Em todos os casos, é
preciso dar 20% de down payment. Temos tido bastante sucesso, porque aqui só
sai sem levar um carro quem não quiser comprar mesmo”.
Com a vantagem de que os veículos comercializados pela Sienna Motors são
certificados, ou seja, mesmo adquiridos em leilão eles vêm com extensão de
garantia das fábricas e uma garantia dos próprios leiloeiros. Isto dá mais
tranqüilidade a ele e também aos clientes que sabem estar comprando bons
carros usados.
Veículos motorizados são as paixões de Claudinei, além de sua família. Ele
já correu de motocross, mas desistiu por causa de alguns hematomas. Agora,
ele curte mesmo é sair em seu barco para pescar na costa da Flórida. Mas,
admite, é melhor vendedor do que pescador: “Ainda não consegui pegar nenhum
mahi mahi e sonho mesmo em pescar um marlin. Mas vou chegar lá”. A depender
de sua perseverança, não se deve duvidar disto.
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