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Ano 5 - Edição 114
9/agosto a 23/agosto
Deerfield Beach, FL USA
Cotações e Bolsas.

Sienna Motors pode exportar carros para a Europa

Claudinei e Beatriz SenhorettiO jovem empresário Claudinei Senhoretti já pensa em abrir outras fronteiras para suas atividades. Depois de ter conquistado os Estados Unidos, onde vive há seis anos e já possui duas lojas de automóveis (Sienna Motors), o rapaz de 30 anos deve viajar em breve para a Europa, para onde ele pretende exportar carros americanos, sobretudo os modelos esportivos como Mustang, Corvette e Hummer, muito cobiçados por lá.

Ele vai viajar para a Europa, com a esposa Beatriz e os filhos Felipe e Pedro, de seis e quatro anos respectivamente. Além de conhecer a Europa, sobretudo a região da Itália de onde a família de seus antepassados emigrou para o Brasil, Senhoretti demonstra que sua visão de empresário não deixa de se manifestar mesmo quando em seu momento de lazer. Ele deve aproveitar a viagem para visitar algumas companhias européias interessadas na importação de modelos americanos usados.

Ao contrário do Brasil, onde a importação de carros é um negócio inviável, os impostos de importação na Europa são bem mais baixos, permitindo aos consumidores realizar seus sonhos sem precisar pagar quase 70% de impostos à Receita Federal. “Um carro que custa US$ 30 mil aqui acaba ficando em US$ 50 mil para o comprador brasileiro”, diz Senhoretti.

Sempre trabalhando com automóveis – O empresário negocia com automóveis há dez anos: quatro no Brasil e seis nos Estados Unidos. Aliás, ele até mesmo conheceu Beatriz numa agência de automóveis: a Anhembi Veículos, revenda Chevrolet de São Paulo. Ela era vendedora de carros novos e ele trabalhava no departamento de usados. “Sempre gostei de mexer com carros usados”, sorri.

Ele trouxe para cá toda sua experiência e garra, o que mudou definitivamente os planos do casal Senhoretti. Claudinei e Beatriz vieram para os EUA para morar um ano, aprender inglês e ter uma experiência internacional. No entanto, em pouco tempo, já começou a negociar automóveis usados em seu próprio condomínio. “Cheguei a ter 12 veículos nas frente de minha garagem, aí quatro foram guinchados e senti ter chegado o momento de arrumar outro lugar. Aluguei um terreno baldio e coloquei os carros lá. Logo depois, abri minha primeira loja na South Dixie Hwy”, conta o empresário.

Rapidamente, aprendeu os segredos de trabalhar no mercado americano e foi crescendo. Há um ano, abriu a segunda loja, desta vez na North Federal Hwy. “Hoje, temos dez funcionários nas duas lojas, além de mim e da Beatriz, que cuida mais da parte administrativa. A loja da Federal (a mais lucrativa) tem modelos mais luxuosos e alguns básicos, enquanto a da Dixie concentra-se mais nos básicos”, comenta.

Atualmente, seus planos são o de fazer com que as lojas funcionem com autonomia, permitindo-lhe mais liberdade para desenvolver novos negócios, além de conquistar mais consumidores hispânicos.

Carros da Flórida, os preferidos – Atualmente, Senhoretti não depende apenas dos conterrâneos para movimentar seus negócios: “Podemos dizer que hoje os brasileiros representam 50% dos clientes e os estrangeiros a outra metade, com predomínio dos americanos”. Alguns chegam até a Sienna através dos anúncios de modelos colocados no EBay (site especializado em compra e venda de mercadorias). Certa vez, um cliente da Califórnia veio de lá para comprar uma caminhonete ano 1969 e voltou dirigindo para sua casa.

Aliás, os carros da Flórida são considerados os mais cobiçados dos EUA porque não sofrem com a neve e com o sal depositado nas ruas para dissolver a neve, conforme explica o dono da Sienna Motors: “Nem mesmo a maresia afeta os veículos daqui, por isto são tão valorizados”.

Brasileiros, mercado atraente - E a empresa adaptou-se aos novos tempos. Ou seja, mesmo sem estar em situação legal no país é possível comprar um carro. Basta ter a carteira de motorista internacional, cuja validade está condicionada ao período de permanência nos EUA, de acordo com a I 94 (documento expedido por um agente do Serviço de Imigração americano quando da entrada de um estrangeiro no país). “Entretanto, é bom destacar, que para efeito de seguros de automóveis e de registro no Departamento de Veículos da Flórida, a carteira de motorista internacional é suficiente, sem necessidade de apresentar a I 94”, explica Senhoretti.

O empresário admite que as medidas restritivas impostas pelo governo estão prejudicando um pouco seus negócios (em torno de 20%), mas não impede as pessoas de comprar carros: “Recomendo que os estrangeiros que não possuem Social Security peçam o TIN (número de identificação fornecido pelo IRS, o Imposto de Renda americano), porque é possível fazer histórico de crédito com ele”. E ele dá outra dica para quem não possui carteira de motorista aqui na Flórida: “O estado do Texas está dando carteiras para as pessoas sem se importar com seu status legal nos Estados Unidos”.

A Sienna Motors dispõe de planos de financiamentos especiais mesmo para quem está completamente indocumentado no país e nenhum histórico de crédito: “Conseguimos juros anuais de 11%, o que é excelente. Em todos os casos, é preciso dar 20% de down payment. Temos tido bastante sucesso, porque aqui só sai sem levar um carro quem não quiser comprar mesmo”.

Com a vantagem de que os veículos comercializados pela Sienna Motors são certificados, ou seja, mesmo adquiridos em leilão eles vêm com extensão de garantia das fábricas e uma garantia dos próprios leiloeiros. Isto dá mais tranqüilidade a ele e também aos clientes que sabem estar comprando bons carros usados.

Veículos motorizados são as paixões de Claudinei, além de sua família. Ele já correu de motocross, mas desistiu por causa de alguns hematomas. Agora, ele curte mesmo é sair em seu barco para pescar na costa da Flórida. Mas, admite, é melhor vendedor do que pescador: “Ainda não consegui pegar nenhum mahi mahi e sonho mesmo em pescar um marlin. Mas vou chegar lá”. A depender de sua perseverança, não se deve duvidar disto.



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