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Alexandre Barros
discute futuro político do Brasil
O
analista político de Brasília, em sua palestra em Miami no último dia 4 de
agosto, foi taxativo, em entrevista ao AcheiUSA: “Ninguém, em sã
consciência, poderia imaginar que haveria tanta corrupção no governo do PT”.
Ele fez questão de lembrar um comentário feito por uma lobista de Brasília,
sua amiga: “Não sei porque as empresas estão tão surpresas. É só ver como se
faz política sindical no Brasil”.
Barros admitiu que a observação fazia sentido. Política sindical no Brasil
(e em qualquer lugar do mundo) envolve subornos, agressões, intimidações e
até mesmo assassinatos. Não é à toa que os crimes envolvendo as mortes dos
prefeitos de Campinas e de Santo André, ambos do PT, figuram como fantasmas
a assustar os membros do partido que está no poder.
Apesar de tudo, Barros acredita que é pouco provável que Luiz Inácio Lula da
Silva sofra impeachment. Em sua análise, “as elites não querem nenhum tipo
de mudança, porque o país mantém sua estabilidade e ninguém tem interesse
que o Brasil comece a passar por um período de instabilidade política, que
pode prejudicar o país como local para investimentos”.
Política econômica conservadora – Barros compara Lula a Richard
Nixon, presidente americano que sofreu impeachment por causa do caso
Watergate. Nixon, que governou os EUA no início dos anos 70 (em plena época
da Guerra Fria), foi o grande artífice da aproximação de seu país com a
China, então uma potência comunista, ainda vivendo sob a ideologia
implantada por Mao Tse Tung. “Todos sabiam que Nixon era um sujeito ultra
conservador e, ironicamente, foi ele quem procurou os comunistas para
negociar. Com relação à Lula, ocorreu algo similar. Os capitalistas temiam o
sindicalista no poder e, no entanto, é sob seu governo que está acontecendo
a política econômica mais conservadora do Brasil nos últimos tempos”,
lembra.
Os participantes da palestra queriam saber sobre as previsões para o futuro
da política brasileira. Em vez de responder às perguntas, até porque ele
mesmo admitiu não ter nenhuma bola de cristal para saber o que vai acontecer
no futuro, Barros deixou um questionário para os convidados responderem
antes do início da palestra.
Resultado do questionário – Após receber o resultado da pesquisa, ele
levou os questionários, fez uma tabulação e apresentou sua análise. Em
termos gerais, 73,6% (42 pessoas) dos respondentes acham que o presidente
Lula ou vai até o fim do mandato e perde a reeleição ou vai até o fim do
mandato e consegue se reeleger. Destes, metade ficou com a primeira
alternativa e metade ficou com a segunda. Só um respondente acha que Lula
cai antes do fim do mandato e 22,8% pensam que ele termina o mandato, mas
não vai candidatar-se à reeleição. Ninguém acha que Lula cairá, empurrando o
Brasil para uma situação de instabilidade política.
Respondendo a outra pergunta, 40,4% (23) acreditam que Lula concorrerá à
reeleição, mas não conseguirá ser reeleito e 35,1% (20) pensam que o
presidente terminará o mandato, mas não se candidatará à reeleição. Só
15,86% (9) acham que ele concorrerá à reeleição e vencerá. Um resultado
animador é que 47,4% (27) dos respondentes não têm planos de retirar
investimentos do Brasil, ou reduzir sua exposição em investimentos ligados
ao Brasil.
Se dependesse da previsão dos participantes do almoço, na próxima eleição,
Lula e Geraldo Alckmin terminariam empatados, cada um com 28,1% (16) dos
votos. Serra ficaria em terceiro com 17,5% (10) dos votos e Aécio Neves em
quarto com 7% (4).
Não à intervenção militar – Com relação ao fim prematuro do governo
Lula, a notícia animadora é que 43,9% (25) dos respondentes achariam uma
intervenção militar “muito ruim” e 15,8% “horrível”. Somente dois
respondentes (3.6%) achariam esta opção “excelente” ou “aceitável”
respectivamente. Ponto para a democracia. Perguntados sobre outras
alternativas no caso de um fim prematuro do mandato do presidente Lula, a
maioria - 63,1% (36) - acharia “excelente” ou “aceitável” a solução
constitucionalmente correta de passar o bastão ao vice-presidente José de
Alencar. Outro ponto para a democracia.
Tanta sorte não tiveram nem o presidente da Câmara, deputado Severino
Cavalcanti nem o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Nelson
Jobim: 61,5% (35) e 45,6% (26), respectivamente, acharam que uma solução
negociada envolvendo qualquer uma destas duas autoridades seria “muito ruim”
ou “horrível”. Outro ponto para a democracia: soluções que passassem por
cima da constituição, mesmo que negociadas, não teriam grande aceitação. Uma
solução que envolvesse qualquer outro presidente para um mandato tampão
também não foi bem aceita por 59,7% (34).
Outra notícia animadora foi que 89,5% (51) dos respondentes concordaram com
a afirmação que, em relação ao Brasil, vale a pena pensar a longo prazo –
10, 20 anos -, pois daqui a uma ano esta crise estará terminada e o Brasil
continuará a ser um bom mercado. Isto é bom porque a maioria dos
participantes da palestra era formada por executivos, advogados e
consultores.
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