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Onda verde e amarela
cobriu New York no dia 4 de setembro
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Uma
onda verde e amarela encheu a Avenida das Américas no domingo, dia 4, para
celebrar a Independência do Brasil em New York. Mais de 350 mil brasileiros,
segundo números da polícia da cidade, devem ter passado por lá. Essa foi 21a
vez que a festa aconteceu em plena Big Apple, sendo organizada desde há
alguns anos pelo empresário João de Mattos. Nos últimos dois anos, a festa
passou a ser co-organizada pela Rede Globo de Televisão e ganhou status de
mega-evento. A festa aconteceu paralelamente à Feira das Américas, na Sexta
Avenida, onde mais de 1.500 barracas se instalam todos os fins de semana.
Computando o número geral de pessoas que passaram pela avenida o número pode
chegar a 1 milhão.
Nesse segundo mega evento participaram vários artistas globais como André
Marques – que pelo terceiro ano apresentou a festa, coordenando gravações
para o programa Video Show -, Thiago Lacerda, Eri Johnson, Daniela Escobar,
Juliana Knutz, Viviane Victoretti, além da socialite Alicinha Cavalcanti e
do cantor Felipe Dylon.
Os atores subiram ao palco, um a um, para deixar uma mensagem ao público. Um
dos mais patriotas foi o cantor Felipe Dylon, que mesmo fazendo versos
improvisados de rap e vestindo uma camiseta dos Sonics (time americano de
basquete), inflou o peito para conclamar todos a gritar versos de fanatismo
e civismo, como “aha, uhu, uhu... O Brasil é nosso!” e “Eu... Sou
Brasileeeiro... Como Muito Orguuulho... Com Muito Amooor”.
Fafá de Belém emociona o povo - Mas emoção mesmo foi quando a cantora
Fafá de Belém subiu ao palco para cantar o Hino Nacional. “Ela mudou a
maneira de se cantar o Hino Nacional. E eu sempre quis trazê-la para essa
festa, mas só agora consegui”, disse Mattos, antes de chamá-la ao palco.
Fafá, com auxílio de muletas – ela se restabelece de um acidente -, fez
todos darem as mãos e cantarem o Hino Nacional. Ao final, os atores da Globo
soltaram pombas brancas. Em seguida, foi a vez da brasileira, criada como
norte-americana, Zana, cantar o Hino dos Estados Unidos.
Depois do momento cívico foi a vez do público dançar e se divertir. Dois
palcos foram montados na avenida; o principal na 43St e o segundo na 56st,
próximo ao Central Park. No segundo apresentaram-se Roberto Trevisan, grupos
de capoeira, e outras atrações. No palco principal é que aconteceu a grande
festa, ao som da dupla Chitãozinho e Xororó, que fez os milhares de
brasileiros cantarem em uníssono seus maiores sucessos.
A festa foi encerrada com o suíngue de Araketu, que fez a avenida
literalmente tremer. O público pulava e cantava, como se estivesse na Bahia,
em pleno carnaval. Mas era carnaval para todos os milhares que estavam em
New York, que não perderam uma boa oportunidade de tremular sua bandeira,
vestir as cores verde e amarela e gritar “Brasil, Eu te Amo”.
Brasileiros da Flórida foram prestigiar - Brasileiros de toda parte
dos Estados Unidos foram participar da festa cívica. Caravanas de ônibus
partiram de cidades próximas – ou nem tanto - para prestigiar o evento.
Carolina Souto e César “Goiano” representavam Pompano Beach no evento. Eles
e mais outros seis amigos se preparam durante semanas para participar da
festa. Chegaram na cidade na sexta-feira.
Apesar de se divertirem estavam frustrados. “Acho que faltou organização.
Deveria ter um telão aqui atrás para a gente ver o show”, declarou Carolina,
que ficou no segundo bloco da festa. Como a cidade não autoriza o fechamento
de todas as ruas, os três primeiros blocos da festa são separados por
cercados controlados por policiais. Assim, quem está no segundo bloco não
tem uma visão boa da festa e nem acesso direto ao primeiro bloco, onde fica
o palco.
José S., de Orlando-FL, chegou cedo para garantir seu espaço na fila do
gargarejo. Só há três meses morando na Flórida, já participou do Brazilian
Day por seis vezes. “Adoro isso aqui. Venho quantas vezes puder”, afirmou.
Os casais Paulo e Maria Schillace, de Connecticut, e Samanta e Francisco
Gama, de New Rochelle, também chegaram cedo para conseguir espaço melhor
para os três carrinhos de bebê das suas crianças. Questionados se não era
incômodo levar crianças para um evento tão tumultuado, eles responderam que
não. “Aqui é tudo organizado; não tem problema”, diz Samanta, que tem dois
filhos: Vitor (1 ano) e Diogenes (12). Paulo não só levou os filhos Kevin
(2) e Dylan (3), como também a mãe Inezita, de 71 anos. Eles viajaram horas
para chegar ao local da festa, mas não se arrependeram.
Também de Connecticut, o padre José Eliseu foi prestigiar o evento.
“Eu também sou povo”, afirmou o líder religioso, que participou pela
primeira vez. “Acho que todos participam não só pela festa, mas pelo sentido
de estar ligado à pátria; sentido de civismo”, destacou o padre.
A turma maior a participar foi mesmo a de Newark, que fica a 20 milhas de
distância de New York. Turmas como a de Felipe Campos, ex-residente de
Pompano Beach atualmente morando em Newark, compareceu a quase todos os
eventos desde que está nos EUA, há 7 anos.
A festa começava já no trem, onde todos cantavam e dançavam músicas
brasileiras e gritavam pelas ruas de New York, gritos de guerra enaltecendo
o Brasil, chamando atenção por onde passavam antes de chegar ao evento.
Brasileiros pioneiros foram homenageados
Algumas personalidades da comunidade brasileira foram homenageadas durante o
Brazilian Day. Homenageadas muito mais pela importância unânime que têm
diante da comunidade, do que pela sua popularidade. Esse foi o caso da
aposentada Amara Guimarães, 71 anos, que há 35 veio para os EUA. Pela
terceira vez, participou do evento, e agora foi homenageada. Alegre e
espontânea, é considerada por muitos como “pouco lúcida”, mas seu espírito
brasilianista ignora essas críticas. Mesmo vivendo na Big Apple há mais de
três décadas, seu coração bate pelo Brasil e com uma camisa da seleção
brasileira, autografada por Pelé, ela dividiu esse orgulho com que
compareceu à Sexta Avenida.
Ela, que trabalhava de baby sitter no Brasil, chegou para limpar escolas, há
35 anos. Fez sua vida, casou, separou-se, aposentou-se, e não conseguiu
deixar a terra do Tio Sam. Mas faz questão de ir ao Brasil quantas vezes
puder. “Já fui três vezes, e só não vou mais porque não tenho dinheiro. Se
ganhar a passagem eu vou”, diz.
Também não pensa em morar lá. Talvez porque saiba que no Brasil não moraria
sozinha em um apartamento, com liberdade e dignidade para ir e vir pela
cidade, com mais direitos do que deveres. Outros homenageados foram a
artista Jeanette Bezerra, que mora na Flórida, e Benito Romero.
A Rede Globo de Televisão também organizou sua própria homenagem, entregando
troféus de reconhecimento à cantora Fafá de Belém, ao diretor da Globo
Internacional Amauri Soares, e ao Padre Shagon, de New York
Um brasileiro na NYPD
No
meio de tantos sotaques diferentes era o de um brasileiro que chamava mais a
atenção. O sotaque de Rock Pereira, 27 anos, membro da NYPD – New York
Police Department. O departamento de polícia mais famoso do mundo com esse
mineiro, nascido em Belo Horizonte, que cresceu em NY.
Ex-fuzileiro naval das forças norte-americanas, há três anos Rock está
integrando o NYPD, e pela primeira vez foi escalado para trabalhar no
Brazilian Day. Questionado se estava gostando, respondeu que sim e, apesar
de concentrado em seu trabalho, parecia estar se divertindo. Falava com
todos e fazia questão de deixar claro a todos que também era brasileiro.
Sobre seu exercício profissional, disse não haver nada de especial. Afirmou
que os brasileiros não dão trabalho. “Especialmente quando vêem que eu
também falo português”, afirma. Sobre a festa, disse estar contente por
poder também estar presente às comemorações patrióticas.
Rock mora em NY, ao lado de pais e irmãos.
Por Vanuza Ramos - Enviada Especial
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