|
Audiências na Câmara Federal dos EUA podem atrasar projeto de imigração
Numa tática que pode sepultar o propalado esforço do presidente Bush para
assinar uma lei de imigração antes das eleições gerais marcadas para o
início de novembro, os líderes do Partido Republicano da Câmara de Deputados
anunciaram recentemente que farão uma série de audiências durante o recesso
de agosto, com o objetivo de emperrar as negociações até pelo menos a
chegada do outono.
O anúncio foi o mais claro sinal de que a Câmara de Deputados desistiu de
aprovar uma ampla reforma imigratória este ano.
Consideram que a abordagem deles - exigindo a construção de um muro ao longo
da fronteira com o México e deportando imigrantes ilegais - é bem mais
popular entre os eleitores do que a proposta do Senado, apoiada pelo
presidente George W. Bush, que prevê a criação de um programa de trabalhador
temporário e permite a muitos imigrantes legalizar-se e obter a cidadania
americana.
Os líderes da Câmara de Deputados disseram que diversos relatores do comitê
retardarão as audiências nos distritos congressionais do sudoeste e do sul e
em outras áreas onde o tema imigração é especialmente importante. Aquelas
audiências serão realizadas antes do início do processo formal de negociação
entre a Câmara e o Senado, que pode levar meses para ser completado, devido
à complexidade do assunto e ao interesse das empresas, bem como às
preocupações trabalhistas e sociais. “Não estou estabelecendo nenhuma data,
mas acho que precisamos fazer isto de uma forma correta”, disse o presidente
da Câmara Dennis Hastert, republicano do Illinois, após uma sessão
estratégica.
Os negociadores do Senado diminuíram a importância das audiências, notando
que conversações informais já começaram entre as duas Casas do Congresso.
Indagado sobre se seria possível um acordo com o Senado ainda neste outono,
durante uma temporada de reeleições, o líder da maioria, Roy Blunt,
republicano do Missouri, aquiesceu: “Penso ser possível, mas não sei quão
provável será”.
Casa Branca - A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, colocou o
anúncio da Câmara de maneira positiva, dizendo que as audiências
preliminares poderiam “possivelmente dar uma oportunidade para o surgimento
de outros temas” que ela admite serem “complexos”. Mas, completou: “O
presidente está determinado a aprovar uma reforma de imigração abrangente”.
O deputado Tom Tancredo, republicano do Colorado, que está liderando a luta
contra a proposta do Senado, afirmou: “As apostas eram as de que o chamado
‘projeto de lei do compromisso’ chegaria à mesa do presidente ainda este ano.
O projeto de anistia do Senado já está no caixão e estas audiências ajudarão
a enterrá-lo ainda mais”.
O senador Edward Kennedy, democrata de Massachusetts, um dos principais
autores do plano do Senado, chamou o anúncio de uma “tática cínica de
retardamento”.
A jogada da Câmara foi um tapa na cara de Bush, que está procurando aprovar
uma lei de imigração abrangente, na linha do que foi aprovado pelo Senado em
25 de maio, que estabelece o fortalecimento das fronteiras, um programa de
trabalhador temporário e oferece a oportunidade de cidadania à maioria dos
12 milhões de indocumentados que vivem nos EUA.
Os republicanos da Câmara rejeitaram a proposta do presidente. Em dezembro,
eles aprovaram um projeto de lei que prevê o aumento de controle nas
fronteiras, a punição de empregadores que contratem indocumentados e torna
criminosos os imigrantes ilegais, bem como aqueles que os ajudarem.
Os líderes da Câmara têm arrastado a indicação dos nomes dos negociadores
para o Comitê de Conferência entre Câmara e Senado para acertar os dois
projetos de lei e tirar um único projeto de lei do Congresso, o qual deverá
ser encaminhado à sanção presidencial.
Copyright 2005 © acheiusa.com -
Todos os direitos reservados.
|