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Ano 10 - Edição 307

Os Mutantes invadem a Flórida

Quem nunca cantarolou Ando Meio Desligado ou Balada do Louco, nunca teve contato com a genuina música brasileira. As músicas citadas fizeram parte de um dos movimentos musicais mais importantes do Brasil, a Tropicália, que não por acaso tinha como ícones Caetano Veloso, Gilberto Gil, outros bons baianos e os bons paulistas Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias.

Os três encabeçavam a mais anárquica e psicodélica das bandas brasileiras, Os Mutantes, que marcaram presença no cenário musical com a irreverência de Rita Lee e as letras provocantes de Arnaldo. Sérgio completava o trio que se consolidou em 1966. Antes disso, o grupo habvia passado por várias formações e teve várias denominações (Wooden Faces, Six Sided Rockers, O Conjunto, O'Seis). Mas foi em 66, como trio no III Festival Internacional da Canção, FIC, da TV Globo, com a música Ando Meio Desligado, e ao lado de Caetano Veloso apresentando a música “É proibido proibir”, que começaram a mudar a história da música popular brasileira.

Roupas extravagantes, comportamentos debochados e músicas provocativas eram a marca registrada dos três paulistas, que ficaram juntos até 1973. Durante esse tempo gravaram Os Mutantes (1968), Mutantes (1969), A Divina Comédia Ou Ando Meio Desligado - Os Mutantes (1970), Jardim Elétrico - Os Mutantes (1971), Mutantes E Seus Cometas No País Dos Baurets (1972) e Tudo Foi Feito Pelo Sol (1974).

Em 73, os três seguiram caminhos diferentes. Rita se separou de Arnaldo e depois conheceria Roberto de Carvalho, marido e parceiro por décadas e com o qual criou uma “fábrica de pop hits” nos anos 80. Arnaldo, em 74 cantou sua dor pela separação no disco Loki?, em 76 criou o grupo Patrulha do Espaço. Produziu ainda outros trabalhos mas sem continuidade, boa parte devido a um sério acidente que sofreu em 1981.

Sérgio, conhecido pelo seu virtuosismo na guitarra, também arriscou outros caminhos. Seguiu com a banda, com novos integrantes, até 77. Depois tocou com Rita nos primeiros discos dela pós-Mutantes. Em 1980, o guitarrista lançou o seu primeiro disco solo – Sérgio Dias – no qual apresentava canções com várias parcerias, desde Caetano Veloso, Paulo Coelho, até Nelson Motta. Desde então tem trabalhado nos EUA, trafegando por vários estilos.

E é exatamente os Estados Unidos um dos palcos a receber a nova formação da banda, que está retomando sua carreira. O pontapé inicial da aguardada turnê internacional foi no centro cultural Barbican, em Londres no dia 22 de maio, o primeiro em 33 anos dos Mutantes com os irmãos Sergio Dias, Arnaldo Baptista e o baterista Dinho. A cantora Zélia Duncan participou como convidada especial no lugar que foi de Rita Lee.

Novos figurinos - O figurino do grupo era marca registrada, e não está sendo diferente nessa nova fase, com roupas assinadas pela estilista Glória Coelho e inspirado no cinema. O figurino de Londres teve um pouco do vampiro Lestate (Entrevista com o Vampiro), um pouco da floresta mística de A Lenda, de Ridley Scott, e muito de Harry Potter.
Um estilo que pode ser chamado de "rock romântico medieval". A cartola de Sérgio continua no figurino. Quanto à música? Será que continua a mesma? Claro que não, afinal 30 anos se passaram. Mas o talento deles continua o mesmo, ou melhor. É ir conferir de perto para ver. Vale a pena!

O show dos Mutantes acontece dia 2 de agosto, às 7h30, no The Manuel Artime Theatre (900 SW 1st St, Miami). Os ingressos custam $35. O evento é uma realização da Rhythm Foundation. Outras informações pelo telefone 305-672-5202 ou pelo site www.rhythmfoundation.com.

 

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