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Imigrantes não roubam vagas dos americanos,
diz relatório
Os trabalhadores estrangeiros não estão substituindo os operários nascidos
nos Estados Unidos, como asseguram alguns grupos anti-imigrantes, revelou um
estudo difundido este mês em Washington pelo Centro Hispânico Pew.
O relatório contém provas abundantes de que não existe relação entre o
rápido aumento da população de origem estrangeira e os obstáculos para obter
trabalho enfrentados pelos trabalhadores americanos
A tese de que os estrangeiros tiram oportunidades de emprego dos operários
nascidos nos Estados Unidos é argumentada pelos setores ultraconservadores,
que se opõem ao Congresso que pretende aprovar uma reforma imigratória ampla
que inclua uma via para a legalização de milhões de indocumentados que vivem
neste país.
Alguns legisladores republicanos, entre eles James Sensenbrenner (Wisconsin)
e Tom Tancredo (Colorado), e grupos como Minuteman afirmam que os
estrangeiros tiram os postos de trabalho dos americanos, argumento
invalidado pelo relatório do Centro.
Os anti-imigrantes consideram que este suposto fenômeno trabalhista também
contribui para o aumento do desemprego entre os cidadãos dos Estados Unidos.
O Centro Pew é um grupo de pesquisas não partidário baseado em Washington e
sustenta suas afirmações com estatísticas e outros dados oficiais recolhidos
entre 1990 e 2000, e o posterior período de recessão econômica e gradual
recuperação até 2004.
Alguns detalhes do relatório - A análise assegura que entre 1990 e 2000, 25
por cento dos trabalhadores nascidos nos Estados Unidos viviam em estados
com condições favoráveis de trabalho para eles, apesar do rápido aumento da
população estrangeira nestas zonas.
Nesta década, só 15 por cento dos trabalhadores americanos residiam em
estados onde o aumento da po-pulação de origem estrangeira se relacionava
com conseqüências negativas para os trabalhadores deste país.
Os 60 por cento restantes dos trabalhadores nativos dos Estados Unidos,
complementa o estudo, haviam optado por estados onde era difícil obter
emprego mesmo quando o crescimento demográfico de nascidos em outros países
estava abaixo da média.
Os autores do estudo, Rakesh Kochhar e Roberto Suro, diretores do Centro
Hispânico Pew, explicaram numa conferência de imprensa que uma situação
similar ocorreu no período de 2000 a 2004.
Eles precisaram que o tamanho da força de trabalho dos nascidos no exterior
não se relaciona com as perspectivas de emprego para os trabalhadores dos
Estados Unidos.
Sem conseqüências negativas - Por outro lado, a investigação também revelou
que a relativa juventude e o baixo nível de educação entre os trabalhadores
estrangeiros não têm conseqüências negativas na obtenção de trabalho por
parte dos operários americanos em condições similares de idade e nível de
educação.
Para os analistas do Centro Pew não há pautas consistentes que mostrem
consistentemente que os trabalhadores nascidos nos Estados Unidos “sofram ou
se beneficiem” do incremento no número da população estrangeira.
O estudo assinala que na Carolina do Norte, Tennessee e Arizona os
imigrantes registraram un impacto negativo na consecução do emprego por
parte dos nacionais que contabilizavam, em conjunto, os 15 por cento da
força de trabalho nestes estados entre 1990 e 2000.
Outros quatorze estados com acelerado crescimento do número de imigrantes,
entre eles Texas, Nevada e Geórgia, com 24 por cento de trabalhadores
americanos, não mostraram nenhum obstáculo para a obtenção de emprego para
os locais, na mesma década.
Alta média de emprego - Nestes dez anos, o aumento da população do exterior
ficou abaixo da média nos 16 estados com altas médias de emprego para os
nativos, que constituíam 23 por cento da força tra-balhadora nesta região.
Entre estes estados figuravam Illinois, Michigan e Virginia. No mesmo
período houve um lento crescimento do número de imigrantes no Distrito de
Columbia e em outros 12 estados, entre eles Califórnia, New York, New Jersey
e Flórida.
Onde está a reforma?
O
relatório do Centro apareceu seis semanas depois do líder da Câmara de
Deputados, Dennis Hastert (republicano de Illinois), ter sustado a
convocatória do Comitê de Conferência e ordenado a realização de audiências
públicas para discutir a reforma imigratória.
Em 16 de dezembro a Câmara de Deputados aprovou uma versão que entre outras
medidas criminaliza a estadia indocumentada, acelera as deportações e
castiga aqueles que ajudem ou dêem emprego a um indocumentado.
Cinco meses mais tarde, dia 25 de maio, o Senado aprovou uma versão
diferente que rechaça a criminalização e abre uma via para legalizar a
maioria dos indocumentados que vivem nos Estados Unidos, pagam impostos e
carecem de antecedentes criminais.
Hastert, contrário à postura da Casa Branca, se opõe a este plano e favorece
a versão da Câmara Baixa. A administração do presidente George W. Bush, por
sua vez, apóia a versão do Senado e pede ao Congresso que vote a favor de
uma reforma ampla e humana, mas que inclua um programa de segurança que
detenha a imigração indocumentada.
As audiências públicas poderão ser concluídas em setembro, mas fontes do
Congresso assinalaram ser pouco prová-vel que a reforma imigratória seja
aprovada antes das eleições marcadas para o dia 7 de novembro.
Caso Hastert convoque o Comitê de Conferência, esta instância harmonizará as
versões aprovadas pelas duas câmaras e redigirá uma versão final que deve
ser aprovada pelos plenários da Câmara e do Senado. Posteriormente, a versão
definitiva será enviada para assinatura do presidente Bush a fim de se
converter em lei.
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