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Brasileira que deixou o filho no carro é
acusada de homicídio culposo
Nellier
Lima, 26, cuja família é de São Gonçalo, viveu o pior dia de sua vida. Ela
esqueceu o filho Harold, de apenas 21 meses, no banco traseiro de sua pick
up Ford F-150, depois de ter deixado Jessica, sua filha de 6 anos de idade,
na Port Salerno Elementary School, em Stuart, por volta das 8 horas da manhã,
no dia 9 de agosto.
Normalmente, ela deixava Harold no day care enquanto trabalhava na limpeza
de casas durante o dia, mas ela não percebeu que o menino ainda estava no
carro até ter parado na loja Dollar General, no Cedar Pointe Plaza, e ficou
deseperada quando foi colocar sua compras no banco de trás. Jami Hall, que
trabalha na loja, ligou para o 911 depois de Nellier Lima sair correndo e
chorando ao ver que seu bebê não estava mais respirando. Os paramédicos do
condado de Martin County ainda instruíram Jami como fazer para reanimar a
criança, mas o menino não reagiu.
Um meteorologista da Califórnia, que fez uma extensa pesquisa sobre o
assunto, concluiu que Harold morreu 15 minutos depois de ter sido deixado só
na pick up, no calor de 90 graus Farenheit que atingiu Stuart naquele dia. A
temperatura no veículo chegou a mais de 109 graus por 10 minutos, disse.
“Quando a temperatura do corpo alcança 104, há um choque térmico. Aos 107
graus, os órgãos começam a falecer”, afirmou Jan Null.
A secretária assistente de Justiça da Flórida, Nita Denton, disse em seu
escritório que reverá os fatos antes de apresentar denúncia criminal contra
a mãe, mas depois confirmou que Nellier Lima será indiciada por homicídio
culposo. “Acho que isto é difícil para todos, porque um bebê é completamente
inde-feso”, analisou.
Negligência, mas não crime - Sobre este caso, o jornal The Palm Beach Post
escreveu em seu editorial ser favorável à punição da mãe, por causa de sua
negligência, mas manifestou-se contrariamente à prisão. Relembrando a
tragédia ocorrida recentemente, quando Nellier Lima esqueceu seu bebê no
banco traseiro e e ele cozinhou até morrer por causa do extremo calor, o
editorial fala sobre outros casos, como o do dentista Dennis Sierra, de Boca
Raton, que perdeu seu filho de três anos nas mesmas condições, e do limpador
de carpetes, Edward Hynes, do condado de Citrus, que viveu drama semelhante
com a perda de sua filha Mackenzee, de apenas três meses.
O editorial considera um absurdo os pais esquecerem crianças pequenas nos
bancos traseiros dos automóveis e é favorável a penas mais duras, mas que
não levem a aprisionamento destes pais. Sierra foi condenado somente a
prisão domiciliar e serviço comunitário em vez de uma pena de 30 anos por
homicídio agravado contra uma criança. Hynes sequer foi julgado. Portanto,
não faz sentido condenar Nellier Lima, na visão do editorialista.
Normalmente, amigos descrevem estes pais distraídos como devotados a seus
filhos. No caso de Sierra, o juiz ordenou que ele tomasse classe de bons
pais. Esta “punição” faz muito mais sentido quando age sobre eles mesmos,
mas é o que ocorrre quando o sistema judiciário pega casos sem sentidos como
estes, encerra o editorialista.
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