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Empresa traz jovens
para trabalhar nos EUA
A
situação de muitos brasileiros que trabalham ilegalmente nos Estados Unidos
é sobejamente conhecida pela maioria dos conterrâneos. Todos sonham, porém,
com uma maneira de ficar legalizados no país e evitar problemas com o
Serviço de Imigração.
Bem, há algumas alternativas. Uma delas é o programa US Opportunities, que
recruta pessoas entre 18 e 45 anos de países como África do Sul, Austrália,
Nova Zelândia, Canadá, Holanda e Brasil para trabalhar em clubes e hotéis da
Flórida e da Califórnia no período de alta estação. No verão, os
funcionários são transferidos para New York, onde há muito mais demanda.
Para quem não sabe, o período de alta temporada na Flórida vai de outubro a
maio, conforme explica Beatriz Molina, a proprietária da US Opportunities.
Bia, apesar de falar português fluentemente, é americana e adora o Brasil -
ela viveu dos dois aos 20 anos de idade em São Paulo. “Por isto, arranjei
uma maneira de continuar ligada ao Brasil”, disse, sorrindo.
Quem quiser inscrever-se neste programa, que prevê a permanência nos Estados
Unidos por no máximo 36 meses, deve seguir alguns procedimentos básicos,
como enviar um curriculum vitae em inglês para Bia, que tem até mesmo uma
comunidade no Orkut especificamente para este fim.
Inglês é necessário – Por ter contato com hotéis e clubes, ela se
encarrega de comandar o processo seletivo. Após o envio de curriculuns,
seleciona os potenciais candidatos e os indica para os futuros empregadores,
que farão as entrevistas finais. “Geralmente, viajo para o Brasil com os
responsáveis pelas contratações para eles escolherem as pessoas. Algumas
vezes, as entrevistas podem ser feitas também por webcam”, comentou.
Desta maneira, o candidato precisa ter um conhecimento intermediário do
idioma inglês, caso contrário não será aprovado, uma vez que o entrevistador
apenas fala inglês. Não dá para ser diferente, conforme explica Bia: “Certa
vez, um hóspede pediu uma torta de queijo com adoçante e a garota não
entendeu direito e trouxe com açúcar. O homem era diabético e teve um ataque”.
Portanto, seja qual for a função, o inglês é fundamental. Até porque os
hotéis e clubes não querem enfrentar ações movidas por hóspedes descontentes.
Há três anos nesta atividade, Bia já adquiriu alguma experiência. Ela, por
exemplo, prefere trazer pessoas que se encontram na faixa etária entre 21 e
30 anos. “Os mais velhos já estão em outra e os muito jovens podem enfrentar
problemas, como beber sem autorização – nos EUA, apenas maiores de 21 anos
podem consumir bebidas alcoólicas – ou falsificar documentos para poder
beber. Não quero me envolver com isto”, afirmou, categoricamente, a
empresária.
Custos – A US Opportunities cobra $1,600 de cada pessoa trazida para
o programa, sem contar as passagens aéreas e os gastos consulares. E oferece
aos selecionados emprego e acomodação a preço subsidiado.
Além do mais, o Consulado dos EUA normalmente concede os vistos sem criar
problemas. “Todos os 42 selecionados foram aprovados. Os funcionários do
consulado sabem que eles voltarão porque as empresas denunciarão os que
infringirem o contrato. Aliás, eu mesma denunciarei, se for o caso”,
assegurou Bia.
Como inscrever-se – Os interessados em inscrever-se para participar dos
programas oferecidos pela US Opportunities, que dispõem de 230 vagas, devem
entrar em contato com Simone Ribeiro, em Belo Horizonte, pelo website
www.newyorkidiomas.com.br. “Ela é quem cuida da parte burocrática no Brasil.
Aqui, os candidatos passam a ser de minha responsabilidade”, comenta Bia.
Além deste website, os candidatos podem mandar e-mails diretamente para
Beatriz Molina (bia-info@hotmail.com) ou entrar no Orkut, na comunidade
“Vagas de trabalho nos USA”.
Viviane Oliveira feliz em
sua temporada americana
Viviane
Oliveira formou-se pela Unesp, em Campinas, no final de 2004 e, no ano
seguinte, estava morando nos Estados Unidos, por ter sido uma das escolhidas
para participar do programa US Opportunities, comandado por Beatriz Molina.
Na verdade, ela já se encontrava nos EUA quando apresentou o projeto de
conclusão de curso, conforme conta: “A universidade enfrentou alguns
problemas, como greves de professores, e as aulas se prolongaram até janeiro.
Como já estava aqui, mandei minha tese por Internet. Não houve problemas,
fui aprovada”.
Ao chegar aos Estados Unidos, foi trabalhar no Sound Broken Club, um luxuoso
clube de golfe em Boca Raton. O contrato de trabalho previa um período de 18
meses, de acordo com o visto H2B. Depois, ela mudou seu visto para o J1 e
continuou ligada ao programa. Tanto que trabalhou em New York em parceria
com o pessoal do clube.
Entretanto, Viviane queria mesmo era ter uma experiência em sua área
profissional. Assim, conseguiu um estágio não remunerado na revista Latin
Trade, localizada em Miami e especializada em negócios para o mercado
latino-americano. A publicação, editada em três idiomas – inglês, espanhol e
português -, proporcionou o desenvolvimento de Viviane, que redigiu matérias
em português e em inglês.
Para facilitar ainda mais, a agência a transferiu para Miami, possibilitando
a ela trabalhar em um hotel da cidade a fim de conciliar seu estágio como
jornalista. Determinada, Viviane ganhou um concurso dirigido a estagiários,
promovido pela Latin Trade, com patrocínio da Caterpillar, e ficou mais três
meses trabalhando na revista – desta vez, remunerada.
Depois de aproveitar a oportunidade e viajar um pouco pelos EUA, Viviane
voltará ao Brasil no final do ano, onde pretende aplicar seus conhecimentos
na área jornalística. Sem dúvida, ela se beneficiará desta experiência e se
destacará no competitivo mercado de trabalho jornalístico brasileiro.
A garota, porém, pensa longe. Além de procurar emprego em sua área, Viviane
tem um projeto de escrever um livro no qual narra experiências vividas por
alguns dos participantes do programa, além de servir como guia para os
jovens que futuramente viajarem para o exterior. “O livro é um misto de
depoimentos de pessoas com uma série de dicas sobre como proceder nos
Estados Unidos para evitar problemas, além da documentação necessária para
ser bem-sucedido no programa”, comenta a jornalista.
O conselho básico dado por Viviane é este: “Nunca fique ilegal nos EUA,
porque isto pode ser muito prejudicial e põe em risco a permanência no país
e pode comprometer futuras vindas para cá”.
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