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Ano 8 - Edição 198

Empresa traz jovens para trabalhar nos EUA

A situação de muitos brasileiros que trabalham ilegalmente nos Estados Unidos é sobejamente conhecida pela maioria dos conterrâneos. Todos sonham, porém, com uma maneira de ficar legalizados no país e evitar problemas com o Serviço de Imigração.
Bem, há algumas alternativas. Uma delas é o programa US Opportunities, que recruta pessoas entre 18 e 45 anos de países como África do Sul, Austrália, Nova Zelândia, Canadá, Holanda e Brasil para trabalhar em clubes e hotéis da Flórida e da Califórnia no período de alta estação. No verão, os funcionários são transferidos para New York, onde há muito mais demanda. Para quem não sabe, o período de alta temporada na Flórida vai de outubro a maio, conforme explica Beatriz Molina, a proprietária da US Opportunities.

Bia, apesar de falar português fluentemente, é americana e adora o Brasil - ela viveu dos dois aos 20 anos de idade em São Paulo. “Por isto, arranjei uma maneira de continuar ligada ao Brasil”, disse, sorrindo.

Quem quiser inscrever-se neste programa, que prevê a permanência nos Estados Unidos por no máximo 36 meses, deve seguir alguns procedimentos básicos, como enviar um curriculum vitae em inglês para Bia, que tem até mesmo uma comunidade no Orkut especificamente para este fim.

Inglês é necessário – Por ter contato com hotéis e clubes, ela se encarrega de comandar o processo seletivo. Após o envio de curriculuns, seleciona os potenciais candidatos e os indica para os futuros empregadores, que farão as entrevistas finais. “Geralmente, viajo para o Brasil com os responsáveis pelas contratações para eles escolherem as pessoas. Algumas vezes, as entrevistas podem ser feitas também por webcam”, comentou.

Desta maneira, o candidato precisa ter um conhecimento intermediário do idioma inglês, caso contrário não será aprovado, uma vez que o entrevistador apenas fala inglês. Não dá para ser diferente, conforme explica Bia: “Certa vez, um hóspede pediu uma torta de queijo com adoçante e a garota não entendeu direito e trouxe com açúcar. O homem era diabético e teve um ataque”. Portanto, seja qual for a função, o inglês é fundamental. Até porque os hotéis e clubes não querem enfrentar ações movidas por hóspedes descontentes.

Há três anos nesta atividade, Bia já adquiriu alguma experiência. Ela, por exemplo, prefere trazer pessoas que se encontram na faixa etária entre 21 e 30 anos. “Os mais velhos já estão em outra e os muito jovens podem enfrentar problemas, como beber sem autorização – nos EUA, apenas maiores de 21 anos podem consumir bebidas alcoólicas – ou falsificar documentos para poder beber. Não quero me envolver com isto”, afirmou, categoricamente, a empresária.

Custos – A US Opportunities cobra $1,600 de cada pessoa trazida para o programa, sem contar as passagens aéreas e os gastos consulares. E oferece aos selecionados emprego e acomodação a preço subsidiado.

Além do mais, o Consulado dos EUA normalmente concede os vistos sem criar problemas. “Todos os 42 selecionados foram aprovados. Os funcionários do consulado sabem que eles voltarão porque as empresas denunciarão os que infringirem o contrato. Aliás, eu mesma denunciarei, se for o caso”, assegurou Bia.

Como inscrever-se – Os interessados em inscrever-se para participar dos programas oferecidos pela US Opportunities, que dispõem de 230 vagas, devem entrar em contato com Simone Ribeiro, em Belo Horizonte, pelo website www.newyorkidiomas.com.br. “Ela é quem cuida da parte burocrática no Brasil. Aqui, os candidatos passam a ser de minha responsabilidade”, comenta Bia.

Além deste website, os candidatos podem mandar e-mails diretamente para Beatriz Molina (bia-info@hotmail.com) ou entrar no Orkut, na comunidade “Vagas de trabalho nos USA”.
 

Viviane Oliveira feliz em sua temporada americana

Viviane Oliveira formou-se pela Unesp, em Campinas, no final de 2004 e, no ano seguinte, estava morando nos Estados Unidos, por ter sido uma das escolhidas para participar do programa US Opportunities, comandado por Beatriz Molina. Na verdade, ela já se encontrava nos EUA quando apresentou o projeto de conclusão de curso, conforme conta: “A universidade enfrentou alguns problemas, como greves de professores, e as aulas se prolongaram até janeiro. Como já estava aqui, mandei minha tese por Internet. Não houve problemas, fui aprovada”.

Ao chegar aos Estados Unidos, foi trabalhar no Sound Broken Club, um luxuoso clube de golfe em Boca Raton. O contrato de trabalho previa um período de 18 meses, de acordo com o visto H2B. Depois, ela mudou seu visto para o J1 e continuou ligada ao programa. Tanto que trabalhou em New York em parceria com o pessoal do clube.

Entretanto, Viviane queria mesmo era ter uma experiência em sua área profissional. Assim, conseguiu um estágio não remunerado na revista Latin Trade, localizada em Miami e especializada em negócios para o mercado latino-americano. A publicação, editada em três idiomas – inglês, espanhol e português -, proporcionou o desenvolvimento de Viviane, que redigiu matérias em português e em inglês.

Para facilitar ainda mais, a agência a transferiu para Miami, possibilitando a ela trabalhar em um hotel da cidade a fim de conciliar seu estágio como jornalista. Determinada, Viviane ganhou um concurso dirigido a estagiários, promovido pela Latin Trade, com patrocínio da Caterpillar, e ficou mais três meses trabalhando na revista – desta vez, remunerada.

Depois de aproveitar a oportunidade e viajar um pouco pelos EUA, Viviane voltará ao Brasil no final do ano, onde pretende aplicar seus conhecimentos na área jornalística. Sem dúvida, ela se beneficiará desta experiência e se destacará no competitivo mercado de trabalho jornalístico brasileiro.

A garota, porém, pensa longe. Além de procurar emprego em sua área, Viviane tem um projeto de escrever um livro no qual narra experiências vividas por alguns dos participantes do programa, além de servir como guia para os jovens que futuramente viajarem para o exterior. “O livro é um misto de depoimentos de pessoas com uma série de dicas sobre como proceder nos Estados Unidos para evitar problemas, além da documentação necessária para ser bem-sucedido no programa”, comenta a jornalista.

O conselho básico dado por Viviane é este: “Nunca fique ilegal nos EUA, porque isto pode ser muito prejudicial e põe em risco a permanência no país e pode comprometer futuras vindas para cá”.

 

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