|
Centenas lotam igreja em missa de 7º dia para
Reinaldo Livino
O mês de agosto confirmou, pelo menos na comunidade brasileira da Flórida,
seu mito de mês de energias negativas, registrando vários acidentes com
brasileiros, um deles resultando em uma trágica morte.
Reinaldo Livino de Moraes, 57 anos, homem simples, brasileiro e trabalhador,
viveu sua última noite na quinta-feira, 24, ao lado dos amigos, cantando
“... viver é não ter a vergonha de ser feliz...” (“O Que é, O Que é” -
Gonzaguinha). Por ironia do destino, sua ode à vida foi calada no dia
seguinte, sexta-feira, 25, no Miracle Car Wash, em Boca Raton, FL, onde
trabalhava junto com vários outros brasileiros.
Reinaldo, ou Rei - como todos o chamavam -, trabalhava há anos no car
wash e já considerava sua vida nos Estados Unidos dada como concluída. Tinha
uma passagem para o Brasil marcada para o dia 8 de dezembro, como afirmara
aos amigos na noite de quinta-feira. “Ele estava todo feliz porque já tinha
comprado passagem para voltar ao Brasil; por isso escolheu a música do
Gonzaguinha para cantar”, contam os amigos.
Rei tinha como hobby cantar em karaokês, e participava de concursos de
talento sempre que podia. Havia participado do concurso Fama, realizado em
2005 pelo restaurante Oba-Oba, em Deerfield Beach. Por isso foi convidado a
abrir a versão 2006 do concurso, na quinta-feira.
“Ele veio e cantou uma música só; quis tirar fotos com as duas Biancas que
ganharam o concurso no ano passado, mas não foi possível”, relata o amigo
Wanderley, dono do Oba-Oba, que tinha Rei como cliente habitual da casa.
Na sexta-feira, às 8h10 da manhã, Rei seguia sua rotina de trabalho de
lavador de carros e se abaixou para apanhar uns objetos de trabalho, depois
de ter terminado a lavagem de um carro. O colega Gildásio Santos, 35 anos,
dirigia uma caminhonete Mercedes, e ao posicioná-la para ser lavada não viu
que o colega estava agachado diante do carro. Acelerou o carro e atropelou o
colega sem querer, e a tragédia aconteceu. O carro passou por cima de Rei,
que não teve chance. Os outros colegas, deseperados, ainda tentaram tirar o
carro de cima de Reinaldo, mas a tentativa foi em vão.
Gildásio entrou em estado de choque e teve que ser hospitalizado.
Reinaldo era natural de Recife, Pernambuco, e morava nos Estados Unidos há
cinco anos. A filha Amanda, que mora em Portugal, veio ao país somente para
liberar o corpo. Rei não tinha parentes nos Estados Unidos. Trabalhava para
sustentar um filho doente no Brasil, bem como toda a família.
Compreensivelmente abalada, Amanda fez questão de lembrar apenas os momentos
felizes do pai. “Não quero falar sobre a morte; quero falar só das coisas
boas. Quero que todos se lembrem dele pelas coisas que gostava de fazer no
dia-a-dia”, afirmou Amanda, se referindo ao Rei cantor, que soltava a voz
nos bares e restaurantes brasileiros.
No sábado, 2 de setembro, Amanda e alguns amigos compareceram à Igreja
Católica Nossa Senhora Aparecida para assistir à missa de 7º dia em intenção
da alma de Reinaldo. Centenas de amigos compareceram à homilia. Foi a noite
de despedida ao brasileiro que literalmente deu a vida por um futuro melhor
para sua família.
Por Vanuza
Ramos - AcheiUSA Newspaper
Copyright 2005 © acheiusa.com - Todos os
direitos reservados.
|