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Foreclosure: drama crescente para brasileiros
no sul da Flórida
Embargo de hipoteca. Ou no inglês, foreclosure. O nome parece complicado,
mas a realidade é cada vez mais comum na nossa região, afetando inclusive
brasileiros. De acordo com um site especializado (www.realtytrack.com), mais
de 15 mil residências na Flórida estão em processo de foreclosure e a
expectativa é que, no início do próximo ano, este número triplique. “A
tendência realmente aponta para uma piora no primeiro semestre de 2007”,
explica Márcio Amorim, da Golden Realtor, com a autoridade de quem tem mais
de 10 anos de experiência no setor.
O foreclosure acontece quando, por falta de pagamento do mortgage, a
instituição financeira ou credor retoma legalmente a propriedade, podendo
vendê-la em leilão para satisfação do crédito hipotecário. Especialistas
confirmam que os inventários de leilão de imóveis nos Estados Unidos estão
em ascensão, com os níveis de foreclosures atingindo o maior índice dos
últimos 30 anos. As razões? A alta na taxa dos juros na economia
norte-americana e a estagnação do mercado, em especial na Flórida, que há
bem pouco tempo viveu momentos de euforia. “A bolha imobiliária estourou,
numa época em que muitos fizeram financiamento usando como hipoteca a
valorização do imóvel”, explica Elieth Ginsburg, da Home Stress Solutions,
especializada em foreclosure. Segundo ela, muitos se entusiasmaram com os
juros e downpayment (entrada) baixos de antes e acabaram se precipitando ao
assumir parcelas mais altas do que poderiam pagar, confiando na tal
valorização, o que acabou não acontecendo.
Afinal, quanto maior a taxa de juros, menor a demanda por imóveis.
Elieth alerta também para um outro problema, ainda mais grave – o chamado
deficiency judgement, ou a diferença entre o valor arrecadado pelo imóvel em
leilão e o mortgage. Esta quantia, cobrada do proprietário original, somada
aos custos com o processo judicial, inclusive advogados e corretores, torna-se
quase impagável e afeta seriamente a qualificação para futuros negócios.
“Afinal, crédito neste país, muitas vezes, vale mais do que dinheiro na mão”,
lembra.
Mas, mesmo assim, não há motivos para desespero. Márcio Amorim acredita que
o processo de foreclosure só atinge a quem não toma as providências
necessárias. Ele aconselha: quando a situação fica difícil e não há chance
de honrar o financiamento, o melhor é entrar em contato com a instituição
financeira e pedir uma extensão do prazo de pagamento. “Se o proprietário
for bom pagador, o banco não vai recusar a oportunidade de tentar resolver o
problema”, explica Márcio, lembrando que bastam três parcelas em atraso para
deflagrar o processo de foreclosure. Uma outra opção está na venda do imóvel
o mais rápido possível, mesmo perdendo dinheiro na transação, simplesmente
para manter o nome limpo.
Em caso de venda, o fundamental é procurar corretores profissionais e
honestos, que, além de avaliar a casa pelo preço justo, têm acesso a uma
lista de possíveis compradores (a chamada MLS), aumentando as chances do
negócio. “Mesmo aqueles que já estão recebendo cartas e telefonemas do banco
não devem se apavorar, nem abandonar suas casas, antes de consultar
profissionais especializados. Existem boas possibilidades de um final feliz”,
afirma Elieth, cujo trabalho é buscar a melhor saída junto aos credores.
Crise = oportunidade
No alfabeto chinês, o mesmo símbolo que representa crise significa também
oportunidade. E isso vale para a fase atual no mercado imobiliário,
especialmente na Flórida: se por um lado o momento é turbulento, com os
juros altos e o mercado estacionado, provocando uma enxurrada de processos
de foreclosure, por outro não deixa de ser uma boa chance para quem quer
comprar uma residência a preço bem abaixo do mercado.
“As circunstâncias atuais são perfeitas para a compra de propriedades em
foreclosure, pois um imóvel em leilão ou junto ao proprietário endividado
pode ser adquirido por até 40% abaixo do seu valor real”, atesta o site da
CNN, que recentemente veiculou matéria sobre o assunto.
No entanto, há que ser dito, a operação de compra de uma propriedade em
foreclosure exige muita pesquisa, paciência e persistência.
“Exatamente porque os proprietários enfrentam problemas financeiros, as suas
residências não recebem manutenção adequada. Por isso é importante que o
comprador em leilão visite a propriedade, realize uma inspeção cuidadosa e
compare o preço com outras ofertas”, ensina Elieth.
Alguns podem até se sentir incomodados em adquirir uma propriedade nesta
situação, mas não é o caso. Afinal, não foi o comprador em foreclosure que
causou o problema do proprietário original e a transação pode até ajudar a
resolver os problemas de crédito.
“O bom negócio é aquele que funciona para todas as partes”, atesta Márcio.
Por Carlos
Wesley - AcheiUSA Newspaper
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