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Ano de escândalos na política

Mensalão, Sanguessugas, Dossiê. O ano de 2006 na política brasileira, infelizmente, foi igual ao anterior e a tantos outros. Apesar de tantas suspeitas e até denúncias, muito pouco foi feito em termos práticos para acabar com a corrupção em nosso país. A seguir, uma lista dos principais escândalos em Brasília e no resto do Brasil:

Mensalão

Na verdade, o esquema de compra de votos de parlamentares foi denunciado pelo então deputado Roberto Jefferson em 2005, mas alguns fatos emblemáticos do escândalo aconteceram em 2006. Quem não se lembra, por exemplo, da dança desconjuntada da deputada Angela Guadagnin (PT-SP), ao comemorar a absolvição de mais um envolvido naquele caso? O episódio é o emblema do deboche e do descaso dos parlamentares em relação à opinião pública e à própria instituição. Mas o que parecia ser a maior crise política da história da República, acabou mais uma vez em pizza, pois a-penas alguns personagens do escândalo tiveram seus mandatos cassados, confirmando que no país “tudo acaba em pizza”.
 

Máfia dos Sanguessugas

Cerca de cem deputados e senadores foram suspeitos de envolvimento na compra superfaturada de ambulâncias., aprovando emendas para que secretarias de Saúde em centenas de municípios do Brasil adquirissem os veículos. O balanço final é um retrato da impunidade no país: entre os 67 deputados investigados pela Casa, 62 deles saíram ilesos, sem qualquer acusação e com processos arquivados. Os outros cinco sequer foram eleitos no pleito de outubro e o Conselho de Ética também já arquivou os casos. O Senado já encomendou a receita da pizza e o resultado não será diferente.


Dossiê

Em setembro, Paulo Roberto Trevisan foi preso em Cuiabá com um suposto dossiê que comprome-teria a campanha do então candidato ao governo de São Paulo, José Serra (PSDB). Mais do que mudar os rumos da campanha eleitoral, o escândalo estabeleceu a ligação entre este caso e a questão das ambulâncias, já que Trevisan é tio do empresário Luiz Antônio Vedoin, cuja família é acusada de participar da transação dos veículos superfaturados com dinheiro público. O comprador do citado dossiê seria o Partido dos Trabalhadores, através de Valdebran Padilha e Gedimar Passos, presos dias depois com cerca de R$ 1,7 milhão (em dólares e reais), dinheiro cuja origem não foi esclarecida. Os fatos acabaram derrubando o presidente do partido, Ricardo Berzoini, afastado também de campanha de reeleição de Lula. Naquele momento, os índices de popularidade do presidente caíram e a vitória nas urnas, que parecia tranqüila, só veio no segundo turno.

 

Criminosos tomam conta das ruas

O país viveu momentos de pânico – em maio e julho – quando a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) organizou uma série de ataques sincronizados em várias cidades do país, especialmente em São Paulo, devido à transferência de presos. Ônibus foram incendiados, policiais assassinados e o caos tomou conta das ruas, que registraram dezenas de mortes. Para piorar, os cidadãos se viram, mais uma vez, indefesos e sem ter a quem recorrer, já que os governos da União, dos Estados e Municípios estavam travando lutas particulares – bastante comuns em ano eleitoral – e acabaram jogando, uns para os outros, a responsabilidade do problema.

Ainda nas páginas policiais, o Brasil teve um ano intenso: a jovem Suzane von Richthofen foi condenada a 40 anos de prisão por ordenar o assassinato dos pais, em 2002. Em outro caso rumoroso, o jornalista Antonio Pimenta Neves, 69 anos, foi condenado a 19 anos, dois meses e dois dias de reclusão por homicídio duplamente qualificado da ex-namorada, Sandra Gomide. Já o mecânico Francisco das Chagas Rodrigues de Brito, 41 anos, acusado de matar 42 meninos nos últimos 13 anos, foi condenado a 20 anos e 8 meses de prisão. Os crimes foram bárbaros: o assassino mutilava os órgãos genitais das vítimas.
Outro assassinato foi o do coronel Ubiratan Guimarães, um dos participantes da Chacina do Carandiru. O crime foi passional e a principal suspeita é a namorada Carla Cepollina. O ano terminou com o brutal assassinato da socialite Ana Cristina Giannini Johannpeter, numa rua do Leblon, Rio de Janeiro. Os criminosos eram três jovens, que chegaram ao local de bicicleta. A Cidade Maravilhosa, aliás, já tinha presenciado também a morte do músico Rodrigo Netto (da banda Detonautas), assassinado em um sinal de trânsito.
 

Acidente com avião da Gol é o maior da história

No ano em que comemorou o centenário do vôo do 14 Bis com Santos Dumont, o Brasil sofreu o maior desastre aéreo de sua História: um Boeing 737-800 da Gol chocou-se no ar com um jato (caso raríssimo, segundo especialistas) e caiu na Amazônia, matando os 154 passageiros e tripulantes do avião. Os seis ocupantes do Legacy da Embraer, pilotado por dois americanos, nada sofreram e a aeronave conseguiu pousar em uma base militar de Mato Grosso.

As investigações apontaram para um problema no sistema de monitoração de tráfego aéreo. O caso acabou servindo de incentivo para que controladores protestassem contra as péssimas condições de trabalho. Foi de-flagrada a “Operação Padrão”, que provocou atrasos e cance-lamentos de centenas de vôos em todos os aeroportos do país.

Com relação às vítimas da tragédia, muitos familiares entraram com ações de indenização contra a compa-nhia aérea e até contra o Governo brasileiro.

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