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Ano 8 - Edição 208

Imigração: poucos avanços

No início de janeiro de 2006, o então porta-voz da Casa Branca Scott McClellan anunciou que uma das prioridades do Governo Bush seria a reforma imigratória. “O presidente Bush deseja que as mudanças sejam concluídas ainda este ano, já que o sistema atual está apodrecido”, disse na ocasião. Os principais pontos da reforma, segundo ele, deveriam ser a inclusão de um programa de vistos temporários e o fortalecimento do controle fronteiriço. Um ano depois, porém, os Estados Unidos avançaram apenas no segundo aspecto, com a aprovação de verbas para agilização dos processos de deportação, sistemas de vigilância nas fronteiras e a construção de um muro entre o México e cinco estados norte-americanos.

Ao todo, existem cerca de 11 mi-lhões de indocumentados no país, trabalhando ilegalmente em vários setores da Economia. Por conta disso, e provavelmente de olho nas eleições, que aconteceram em novembro deste ano, Bush destinou verba do orçamento de 2007 para o Programa de Guest Workers (trabalhadores temporários). A idéia, porém, foi rechaçada por vários sindicatos e alguns grupos anti-imigrantes, o que acabou retardando a análise da proposta no Congresso Nacional.

Tudo isso fez com que represen-tantes de entidades defensoras dos direitos dos estrangeiros nos EUA se mobilizassem para pressionar deputados e senadores por uma reforma mais justa. Várias passeatas aconteceram no país, inclusive no Sul da Flórida, e o ponto alto do movimento foi em 1º de maio, onde trabalhadores imigrantes cruzaram os braços numa greve pacífica. “Faremos uma parada geral para demonstrar à América o peso do povo hispânico na Economia e no dia-a-dia deste país”, explicou, à época, o diretor do Comitê Cuscatlán, Miguel Ramirez. Neste período, várias leis foram aprovadas no sentido de dificultar a contratação de mão-de-obra ilegal e, em algumas cidades, até mesmo os proprietários de imóveis foram forçados a evitar contratos de aluguel com indocumentados.

Pesquisas conduzidas por ins-titutos especializados e pela mídia em geral davam conta que a maioria dos norte-americanos era favorável à legalização dos imigrantes residentes há bastante tempo e que falem inglês. O apoio se traduziu em votos a favor dos democratas, que apresentaram como principal bandeira nas eleições legislativas de novembro a questão imigratória: o partido de oposição à Bush acabou saindo vitorioso das urnas, tendo retomado, depois de 16 anos, a liderança do Congresso Nacional.

Durante o ano inteiro, o ICE (Immigration and Customs Enforcement) realizou centenas de prisões de indocumentados, inclusive na Flórida. Segundo dados do próprio Governo, a entidade mantém uma lista de mais de 600 mil nomes de imigrantes que come-teram algum tipo de crime nos EUA e podem ser deportados a qualquer momento.
 

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