Imigração: poucos
avanços
No início de janeiro de 2006,
o então porta-voz da Casa Branca Scott McClellan anunciou que uma das
prioridades do Governo Bush seria a reforma imigratória. “O presidente Bush
deseja que as mudanças sejam concluídas ainda este ano, já que o sistema
atual está apodrecido”, disse na ocasião. Os principais pontos da reforma,
segundo ele, deveriam ser a inclusão de um programa de vistos temporários e
o fortalecimento do controle fronteiriço. Um ano depois, porém, os Estados
Unidos avançaram apenas no segundo aspecto, com a aprovação de verbas para
agilização dos processos de deportação, sistemas de vigilância nas
fronteiras e a construção de um muro entre o México e cinco estados
norte-americanos.
Ao todo, existem cerca de 11 mi-lhões de indocumentados no país, trabalhando
ilegalmente em vários setores da Economia. Por conta disso, e provavelmente
de olho nas eleições, que aconteceram em novembro deste ano, Bush destinou
verba do orçamento de 2007 para o Programa de Guest Workers (trabalhadores
temporários). A idéia, porém, foi rechaçada por vários sindicatos e alguns
grupos anti-imigrantes, o que acabou retardando a análise da proposta no
Congresso Nacional.
Tudo isso fez com que represen-tantes de entidades defensoras dos direitos
dos estrangeiros nos EUA se mobilizassem para pressionar deputados e
senadores por uma reforma mais justa. Várias passeatas aconteceram no país,
inclusive no Sul da Flórida, e o ponto alto do movimento foi em 1º de maio,
onde trabalhadores imigrantes cruzaram os braços numa greve pacífica.
“Faremos uma parada geral para demonstrar à América o peso do povo hispânico
na Economia e no dia-a-dia deste país”, explicou, à época, o diretor do
Comitê Cuscatlán, Miguel Ramirez. Neste período, várias leis foram aprovadas
no sentido de dificultar a contratação de mão-de-obra ilegal e, em algumas
cidades, até mesmo os proprietários de imóveis foram forçados a evitar
contratos de aluguel com indocumentados.
Pesquisas conduzidas por ins-titutos especializados e pela mídia em geral
davam conta que a maioria dos norte-americanos era favorável à legalização
dos imigrantes residentes há bastante tempo e que falem inglês. O apoio se
traduziu em votos a favor dos democratas, que apresentaram como principal
bandeira nas eleições legislativas de novembro a questão imigratória: o
partido de oposição à Bush acabou saindo vitorioso das urnas, tendo retomado,
depois de 16 anos, a liderança do Congresso Nacional.
Durante o ano inteiro, o ICE (Immigration and Customs Enforcement) realizou
centenas de prisões de indocumentados, inclusive na Flórida. Segundo dados
do próprio Governo, a entidade mantém uma lista de mais de 600 mil nomes de
imigrantes que come-teram algum tipo de crime nos EUA e podem ser deportados
a qualquer momento.
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