Crise aérea pode
custar R$ 80 milhões
Prejuízo computa o gasto
com passageiros prejudicados e horas extras dos funcionários
O presidente do Sindicato
Nacional de Empresas Aeroviárias (Snea), Marco Aurélio Bologna, afirmou que
a crise do setor aéreo só deve ser contida no final do primeiro semestre de
2007. “Ainda teremos pro-blemas nesse final de ano”, admitiu em entrevista
coletiva na sede do Snea no Rio. Segundo ele, o setor enfrenta três pro-blemas
básicos, que são a falta de infra-estrutura, a necessidade de investimentos
e as questões de planos de carreira e salário dos controladores aéreos, este
considerado o mais emergencial, em sua opinião.
Bologna reconhece que os prejuízos do setor com a atual crise aérea podem
chegar a R$ 80 milhões, considerando o va-lor desembolsado para hospedagem,
traslado e alimentação de passageiros com vôos atrasados, pagamento de horas
extras a funcionários e outros custos.
Melhoria
A melhoria do setor, disse, só vai começar a ser sentida com o início das
operações dos novos controladores (cerca de 160) que já foram contratados e
passam por treinamento nos próximos três meses. Ele admitiu, porém, que o
gargalo neste segmento não pode ser consi-derado o principal problema, já
que, proporcional-mente, a quantidade de pessoas que atuam no controle do
tráfego aéreo seria, em sua opinião, condizente com outros países.
“Nos Estados Unidos existem sete mil aeronaves voando, controladas por 13
mil pessoas. Aqui no Brasil são 700 aviões e mais de 2 mil controladores”,
comparou.
“A Anac tem que deixar de ser esta criança que é hoje e passar a ser auto-sustentável.
Isso poderia ocorrer com a transferência para o seu caixa das taxas pagas
para embarque internacional, que hoje são transferidas direto para o Tesouro”,
disse.
Bologna citou ainda que outra perda ainda não dimensionada pelas empresas,
mas que devem se refletir em sua receita é a queda do volume de passagei-ros
no período. Segundo dados do Snea, a ocupação dos vôos esteve em média em
67% no período do auge da crise, em novembro, ante 72% em outubro. Em
dezembro, a previsão é de que a ocupação média fique em 70% em vez dos 75%
habituais para esse período.
Apesar disso, lembrou Bologna, o setor deve encerrar 2006 com um aumento de
13% no número de passageiros transportados sobre o ano passado.
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