De brincadeira
infantil a esporte radical
Brasileiros aderem ao
Paintball, esporte indicado para aliviar o estress e até para testar
capacidade de executivos
Pode
parecer uma brincadeira de criança, mas requer muita energia, pensamento
estratégico, rapidez de raciocínio e trabalho em equipe. Tanto é verdade,
que tem sido muito usado por empresas em programas de treinamento de exe-cutivos,
com o objetivo de testar a capacidade de liderança e as reações em situações
de crise. Assim é o Paintball, que existe desde meados dos anos 80, mas de
uns anos para cá assumiu status de esporte radical, devido ao alto nível de
adrenalina exigido de seus participantes. Além de tudo isso, também é
indicado para aliviar o estresse, apesar de simular uma greve.
Tal qual os antigos pique-bandeira e polícia e ladrão, no Paintball cada
time tenta capturar a bandeira no terreno do adversário. Equipados com arma
que atira cápsulas de gelatina recheadas com tinta solúvel, um colete de
proteção e uma máscara especial, os competidores tentam manter os inimigos
longe de sua área e traçam planos mirabolantes para alcançarem seu objetivo,
em meio a muitos obstáculos. Independente de vitória ou derrota, a diversão
está garantida.
Mas tem gente que não encara o jogo como uma brincadeira: este é o caso do
carioca Diego Ayrolla, que vive há14 anos nos Estados Unidos. Ele faz parte
do time do Miami Hotshots, equipe de paintball aqui do sul da Flórida, que
compete profissionalmente numa liga nacional do esporte. “Sempre fui
apaixonado por armas e o paintball foi a forma que encontrei para desfrutar
a minha paixão com segurança”, explica o jovem, que há seis anos pratica o
esporte.
Torneios
Diego conta que os torneios do qual participa costumam premiar os vencedores
com mais de três mil dólares por jogador e são muito concorridos: “É um
esporte caro, pois o equipamento é sofisticado. Mas os prêmios nos torneios
profissionais são bem interessantes”, atesta. Para alugar as roupas e as
armas em qualquer arena própria para a prática do paintball, o interessado
provavelmente terá que desembolsar cerca de 100 dólares por dia. O Miami
Hotshots foi criado por um brasileiro, Phil Madureira, e tem no time outros
dois conterrâneos, que também são apaixonados pelo esporte.
Quanto ao uso do paintball no treinamento e seleção de executivos, vale
citar que a dinâmica tem sido aproveitada com freqüência no Brasil e nos
Estados Unidos. O consultor de desenvolvimento de pessoas, Alfredo Posse
Lago, lembra que durante a competição, a adrenalina fala mais alto e as
pessoas tendem a reagir como se estivessem na vida real. “Controlar impulsos
é algo difícil no Paintball, pois o jogo é envolvente e exige raciocínio
rápido. É a partir daí que as pessoas se mostram realmente como são. “Se
alguém demora muito a atirar no concorrente, pode ser que esteja analisando
o momento para fazê-lo, uma vez que administrar recursos (munição) também é
importante. Assume-se riscos calculados”, explica o consultor.
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