Funai encontra mais
tribos indígenas isoladas na região da Amazônia
Uma pesquisa conduzida pela
Funai (Fundação Nacional do Índio, órgão governamental brasileiro) mostrou
que há por volta de 67 tribos indígenas vivendo em complete isolamento na
Amazônia. O número é bem maior do que a estimativa anterior do órgão, que
calculava a existência de somente 40 grupos vivendo afastados da civilização
na Floresta Tropical. O estudo alertou também para os perigos de extinção da
maioria das aldeias, em função da ação de madeireiros e mineradores naquela
região.
“A Amazônia está ameaçada de destruição e é uma surpresa que ainda existam
tantas tribos”, disse Fiona Watson, da Survival International, entidade que
luta por direitos de indígenas. Ela acrescentou que o Brasil é o país que
possui o maior número de tribos indígenas isoladas do mundo.
A pesquisa foi possível graças à análise de pegadas, cabanas abandonadas e
outros sinais de vida na Floresta. “Existe ainda uma vasta área inexplorada
na Amazônia e, portanto, este número pode ainda crescer”, explicou Marcelo
dos Santos, presidente da Funai. Ele lembrou que a maioria das tribos
isoladas vivem como na época do descobrimento do Brasil, em 1500. Muitas
delas caçam com lanças e zarabatanas.
Antropologistas acreditam que estas tribos já tiveram contato com o homem
branco e com a civilização, mas optaram por viver isolados. No Brasil,
durante a ditadura militar, as autoridades buscavam a socialização com os
indígenas, mas na democracia o Governo decidiu adotar a política de evitar o
contato com os indígenas, a não ser que eles estejam em perigo.
Alguns grupos vivem em reservas protegidas, mas o contato com madeireiros e
mineradores é inevitável. No estado de Rondônia, por exemplo, há poucas
semanas houve um problema como este: “Se não expulsarmos os invasores
imediatamente, os indígenas não sobreviverão”, enfatizou o ambientalista
Rogério Vargas Motta.
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