Paraibano é campeão
de Bodyboarding nos EUA
André Moura, de Fort
Lauderdale, busca patrocínio para participar do circuito em 2007
Quem
é imigrante sabe das dificuldades de chegar num país estranho e conseguir
alcançar o sucesso, em qualquer área, a despeito de todas as dificuldades e
do preconceito dos locais. Pois assim aconteceu com André Moura, paraibano
que está na América há seis anos: praticante de bodyboarding, esporte
radical que consiste em descer a onda de joelhos, em pé ou deitado em uma
prancha de dimensões reduzidas, experimentou o gostinho de ganhar o título
de campeão norte-americano da categoria amador em 2006. Morador de Fort
Lauderdale, o brasileiro, como se diz na gíria, ‘veio, viu e venceu’.
A conquista de André teve a-inda um sabor especial porque ele participou
apenas de duas das cinco etapas do circuito em 2006, sendo que em uma delas
ele foi claramente prejudicado pelos julgadores, que preferiam ver um
americano no lugar mais alto do pódium. Mesmo assim, a sua pontuação total
não deixou margem de dúvidas sobre quem deveria ganhar o título. “É claro
que há o preconceito contra estrangeiros, mas assim fica mais gostoso, sem
contar que estava há muito tempo sem competir”, assinala o bodyboarder de 32
anos, lembrando que ainda não recebeu o troféu da United States Body
Boarding Association (USBA).
Não recebeu porque, por falta de patrocínio, não teve condições de arcar com
as despesas de passagem e estadia para a última etapa do circuito, realizado
no Havaí, em dezembro do ano passado. “O custo seria de três mil dólares e
eu não podia gas-tar esse dinheiro na época. Mas valeu à pena, pois acabei
com o título mesmo assim”, conta o brasileiro, que esteve apenas nas etapas
de Long Beach (New York) e San Diego (Califórnia). Por isso, ele está atrás
de patrocinadores para o campeonato de 2007, em que já desponta como
favorito. Ainda em João Pessoa, ele já havia sido tricampeão do esporte.
Enquanto o sonho da profissionalização não chega, André trabalha como
supervisor de delivery de um restaurante italiano de Fort Lauderdale. Ele
tem conseguido conciliar as duas atividades e chega a treinar até quatro
horas por dia: “O norte do estado tem praias com ondas maiores e mais
parecidas com o que se encontra no circuito, mas não é sempre que dá para
sair de Broward”, explica o atleta, que em janeiro venceu um torneio
realizado pela Christian Surfers Association, em Deerfield Beach.
“Infelizmente no Brasil, onde o nível dos competidores é o melhor do mundo,
o esporte não recebe o apoio necessário”, acrescenta o campeão.
Por Carlos Wesley - AcheiUSA
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