Brasileiro morto a
tiros pela Polícia
O mineiro Júnior Patrício de
Sá foi morto a tiros pela polícia depois de se envolver numa briga com outro
brasileiro, Adonirio Silva. Os dois dividiam um apartamento com outras duas
pessoas, no condomínio Heritage Circle, em Deerfield Beach, e tiveram uma
discussão no domingo à noite. Quando os policiais chegaram, deram voz de
prisão a Júnior Patrício, que estava ameaçando o amigo com uma faca, mas ele
não obedeceu, de acordo com as informações dadas pelo Broward Sheriff’s
Office (BSO). Pelo menos três tiros atingiram os brasileiros e, até o
fechamento desta edição, Adonirio estava internado no North Broward Medical
Center em estado crítico, pois também tinha ferimentos de faca.
“Foi uma morte absurda. Ele não falava uma palavra de inglês, por isso não
obedeceu aos policias”, disse a irmã de Júnior, Neusa Neves, que mora em
Indianápolis e recebeu uma ligação dele minutos antes de morrer. Segundo ela,
o irmão era pintor e, apesar do temperamento explosivo, tinha um bom coração.
“Nesta última vez que falei com que ele, eu ouvi gritos do outro lado da
linha e tive o pressentimento de que alguma coisa ruim iria acontecer”,
lamentou Neusa, pelo telefone. Ela ainda não sabe quando vem à Flórida para
liberar o corpo.
Brigas constantes
Júnior tinha 31 anos de idade (é de 10 de agosto de 1985) e estava nos
Estados Unidos há pelo menos quatro. Ele veio de Caratinga em 2003 e já
havia morado em Pompano Beach, Indianápolis e Nova York. Há pouco mais de
dois meses havia retornado à Flórida e foi morar no Heritage, onde pelo
menos 70% dos residentes são brasileiros. Os ocupantes do apartamento 212
eram conhecidos na área pelas discussões e bebedeiras: “As brigas eram
comuns entre eles. No domingo à noite todo mundo ouviu a gritaria”, contou
Celso Santos, vizinho de porta. Segundo testemunhas, o desentendimento
começou com a cobrança do dinheiro do aluguel.
Os dois policiais que participaram da ação foram suspensos pelo BSO: Vincent
Campos e James Morrisroe serão submetidos a um processo administrativo para
que sejam apuradas as circunstâncias da morte de Júnior Patrício, “Os
brasileiros não podem ser assassinados pelos policiais a todo momento e
ficarem impunes”, afirmou Neusa, lembrando o caso de Jean Charles, abatido
no metrô de Londres, há pouco mais de um ano.
Por Carlos Wesley - AcheiUSA Newspaper
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