Massacre da Virginia
Tech aumenta tensão nas escolas
Estudante de Boca é
suspenso por fazer brincadeiras com colegas e em todo o país as escolas
estão precavidas
O massacre na Virginia Tech University repercute em todas as escolas do país:
estudantes com comportamento suspeito e habituados a brincadeiras
desagradáveis estão sob vigilância no campus. Foi o que aconteceu na Spanish
River High School, em Boca Raton, onde um dos alunos foi suspenso por um ano
depois de fazer comentários negativos sobre os colegas de classe.
Segundo a diretora daquela escola, o estudante identificou outros amigos, em
fotos, com frases do tipo “eu gosto desse” e “eu não gosto desse”.
A decisão pela suspensão do jovem, de 18 anos de idade e que não teve sua
identidade revelada, foi tomada em comum acordo entre a família e os
diretores da escola. Informações dão conta que o rapaz tinha o hábito de
dirigir “palavras inamistosas” aos outros estudantes, algumas consideradas
pela polícia como “sérias”.
Num caso parecido, um nova-iorquino de 17 anos também foi indiciado depois
de ameaçar colegas da escola: num baile de formatura, ele distribuiu uma
carta desejando que os outros estudantes tivessem o mesmo fim das vítimas da
Virginia Tech. Ao ser detido, ele argumentou que tudo não passou de uma
brincadeira, mas não escapou do interrogatório e teve que pagar fiança para
ser liberado.
Em todas as escolas do país a vigilância tem sido reforçada e qualquer
indício de violência ou comportamento diferente registrado nos alunos tem
sido alvo de investigação. Segundo a psicóloga Mary-Ann Austin, por mais
radicais que possam parecer, as medidas adotadas por algumas instituições de
ensino são capazes de reduzir as chances de um novo massacre: “Nós,
educadores, temos a responsabilidade de nos antecipar a estas tragédias”,
afirmou.
Repercussão contra
imigrantes
Os tiros que mataram 33
pessoas em Virginia Tech também atingiram os imigrantes. Em blogs e na
imprensa, o assunto foi discutido amplamente e muitos americanos
aproveitaram para questionar o sistema imigratório do país.
Dois dias depois do ocorrido, milhares de camisetas com inscrições do tipo
“Acabe com os estrangeiros ilegais e não com as armas” (Ban Illegal Aliens.
Not Guns) circulavam por algumas cidades dos Estados Unidos.
O assassinato em massa promovido pelo estudante sul-coreano Cho Seung Hui
não sai das manchetes de todo o país. O crime que chocou o mundo – e não foi
o primeiro massacre a acontecer em escolas dos Estados Unidos – abriu espaço
também para debates contra o porte de armas no país e, obviamente, contra os
imigrantes. Seung Hui tinha visto de estudante e estava na Virginia
estudando inglês há mais de 14 anos.
Os americanos deixaram mensagens incriminando o sistema imigratório do país.
“Então pessoas com vistos de estudante podem comprar armas legalmente?”,
questionou uma delas. “Acabem com os vistos de estudantes. Pelo menos por
uns anos”, declarava outra. A maioria das manifestações defendia o
enrijecimento nas leis de imigração e criticava o governo federal por
permitir que “estrangeiros entrem no país para matar os americanos”.
Em blogs, advogados esclareceram que a arma provavelmente foi adquirida
ilegalmente, pois imigrantes sem residência permanente no país não têm o
direito de comprar armas. Nas emissoras de tevê, como no programa Larry King
Live (na rede CNN) e num debate no Canal Fox News, os telespectadores podiam
se manifestar através de telefonemas e não pouparam palavras de ordem contra
os indocumentados no país. “O fato de um estrangeiro ter cometido um crime
bárbaro deste não é justificativa para tamanha revolta contra os imigrantes”,
tentava argumentar um professor universitário que participava da mesa-redonda.
Copyright 2005 © acheiusa.com - Todos os
direitos reservados.
|