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Ano 10 - Edição 307

Massacre da Virginia Tech aumenta tensão nas escolas

Estudante de Boca é suspenso por fazer brincadeiras com colegas e em todo o país as escolas estão precavidas

O massacre na Virginia Tech University repercute em todas as escolas do país: estudantes com comportamento suspeito e habituados a brincadeiras desagradáveis estão sob vigilância no campus. Foi o que aconteceu na Spanish River High School, em Boca Raton, onde um dos alunos foi suspenso por um ano depois de fazer comentários negativos sobre os colegas de classe.
Segundo a diretora daquela escola, o estudante identificou outros amigos, em fotos, com frases do tipo “eu gosto desse” e “eu não gosto desse”.

A decisão pela suspensão do jovem, de 18 anos de idade e que não teve sua identidade revelada, foi tomada em comum acordo entre a família e os diretores da escola. Informações dão conta que o rapaz tinha o hábito de dirigir “palavras inamistosas” aos outros estudantes, algumas consideradas pela polícia como “sérias”.

Num caso parecido, um nova-iorquino de 17 anos também foi indiciado depois de ameaçar colegas da escola: num baile de formatura, ele distribuiu uma carta desejando que os outros estudantes tivessem o mesmo fim das vítimas da Virginia Tech. Ao ser detido, ele argumentou que tudo não passou de uma brincadeira, mas não escapou do interrogatório e teve que pagar fiança para ser liberado.

Em todas as escolas do país a vigilância tem sido reforçada e qualquer indício de violência ou comportamento diferente registrado nos alunos tem sido alvo de investigação. Segundo a psicóloga Mary-Ann Austin, por mais radicais que possam parecer, as medidas adotadas por algumas instituições de ensino são capazes de reduzir as chances de um novo massacre: “Nós, educadores, temos a responsabilidade de nos antecipar a estas tragédias”, afirmou.

Repercussão contra imigrantes

Os tiros que mataram 33 pessoas em Virginia Tech também atingiram os imigrantes. Em blogs e na imprensa, o assunto foi discutido amplamente e muitos americanos aproveitaram para questionar o sistema imigratório do país.
Dois dias depois do ocorrido, milhares de camisetas com inscrições do tipo “Acabe com os estrangeiros ilegais e não com as armas” (Ban Illegal Aliens. Not Guns) circulavam por algumas cidades dos Estados Unidos.

O assassinato em massa promovido pelo estudante sul-coreano Cho Seung Hui não sai das manchetes de todo o país. O crime que chocou o mundo – e não foi o primeiro massacre a acontecer em escolas dos Estados Unidos – abriu espaço também para debates contra o porte de armas no país e, obviamente, contra os imigrantes. Seung Hui tinha visto de estudante e estava na Virginia estudando inglês há mais de 14 anos.

Os americanos deixaram mensagens incriminando o sistema imigratório do país. “Então pessoas com vistos de estudante podem comprar armas legalmente?”, questionou uma delas. “Acabem com os vistos de estudantes. Pelo menos por uns anos”, declarava outra. A maioria das manifestações defendia o enrijecimento nas leis de imigração e criticava o governo federal por permitir que “estrangeiros entrem no país para matar os americanos”.

Em blogs, advogados esclareceram que a arma provavelmente foi adquirida ilegalmente, pois imigrantes sem residência permanente no país não têm o direito de comprar armas. Nas emissoras de tevê, como no programa Larry King Live (na rede CNN) e num debate no Canal Fox News, os telespectadores podiam se manifestar através de telefonemas e não pouparam palavras de ordem contra os indocumentados no país. “O fato de um estrangeiro ter cometido um crime bárbaro deste não é justificativa para tamanha revolta contra os imigrantes”, tentava argumentar um professor universitário que participava da mesa-redonda.



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