Casa Branca finaliza
novo plano de imigração
Um novo plano de imigração já
está nas mãos do presidente George W. Bush. A exemplo do projeto apresentado
pelos representantes Luis Gutierrez e Jeff Flake, em março deste ano, o
documento prevê o aumento na concessão de vistos para trabalho temporário e
reforço na segurança da fronteira e nos pontos de entrada no país (portos e
aeroportos). No entanto, a proposta também inclui algumas más notícias, como
as que determinam o aumento das taxas e multas para obtenção da cidadania e
o fim do benefício extensivo aos cônjuges e filhos dos imigrantes, numa
decisão que vai atingir mais de 3,5 milhões de pessoas. Esta complicação
imposta aos indocumentados tem como objetivo selecionar os candidatos ao
Green Card com base na capacidade e habilidades profissionais de cada um.
Nas palavras da Casa Branca, as medidas vão tornar os Estados Unidos mais
competitivos em relação às outras nações e ainda venceriam a resistência dos
republicanos no Congresso.
“É importante a aprovação deste projeto ainda este ano”, deixou escapar o
presidente Bush em visita recente a um posto policial na fronteira dos EUA
com o México, ressaltando que espera a compreensão de deputados e senadores
para uma reforma imigratória ampla.
Há cerca de um ano, ele próprio apareceu em rede nacional de televisão para
garantir seu empenho pessoal na aprovação de lei nesse sentido. O desejo da
Casa Branca esbarrou, porém, na má-vontade dos políticos do próprio partido
do Governo. Com a maioria democrata depois das últimas eleições, a aprovação
do projeto representa, agora, um verdadeiro teste para o líder da maior
potência do mundo.
Detalhes
Os detalhes sobre o novo projeto ainda são vagos, já que, na verdade, a
informação foi obtida por um jornal norte-americano junto a fontes em
Washington DC. Extra-oficialmente, sabe-se que o documento foi preparado por
assessores de Bush e advogados do Partido Republicano com a nítida intenção
de atrair a simpatia de deputados e senadores mais conservadores. Um dos
pontos, por exemplo, exigiria dos imigrantes o retorno ao país de origem e o
pagamento de dez mil dólares de multa para obtenção do visto de trabalho
temporário. O custo com a renovação seria de no mínimo outros 3,5 mil
dólares e, como na proposta passada, para obter a cidadania o candidato
teria que atender a alguns requisitos, como fluência em inglês e ficha limpa.
Esse projeto estabelece dois tipos de vistos: Y (trabalhadores temporários)
e Z (indocumentados). Os trabalhadores temporários poderiam ser contratados
por dois anos e os indocumentados teriam direito a três anos de visto. Após
esses primeiros anos podem pedir residência permanente.
Sem perdão
As condições para obtenção do visto temporário e cidadania estão mais
rígidas dentro deste novo projeto, mas ainda não é possível garantir que os
deputados e senadores contrários ao que chamam de “anistia” vão votar pela
reforma. Bush já disse que também não concorda com o perdão ao crime da
ilegalidade sem a aplicação de multas, mas deixou claro que tem trabalhado
em conjunto com os democratas – que agora têm a maioria no Congresso – para
encontrar uma solução que represente um meio-termo entre garantir cidadania
automática para todo imigrante e a deportação.
Mas a líder democrata no Congresso, Nancy Pelosi (D-São Francisco), e o
senador Edward M. Kennedy (D-Massachusetts) já alertaram que somente os
votos dos democratas não serão suficientes para a aprovação do novo plano –
mesmo no partido há opositores à idéia. “Devemos proteger nossas fronteiras
e criar mecanismos para que a lei seja cumprida, mas temos que promover uma
reforma que honre a tradição norte-americana de ser uma nação de imigrantes”,
afirmou Pelosi. Pelo menos 12 milhões esperam a aprovação da reforma.
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