‘Cash back’: cuidado,
pois legislação prevê detenção de até cinco anos
Uma
prática que tem se tornado rotineira nas transações imobiliárias envolvendo
a nossa comunidade no sul da Flórida chamou a atenção das autoridades
norte-americanas. E os brasileiros devem ficar atentos a isso, pois – de
acordo com uma recente lei aprovada pelo Senado dos EUA – o ‘cash back’,
onde dinheiro é oferecido a quem quer adquirir um imóvel como incentivo pelo
negócio, passou a ser considerado crime e pode ser punido com até cinco anos
de detenção. A irregularidade está na fraude camuflada neste processo: para
devolver a quantia ao comprador, os intermediários acabam supervalorizando o
preço da residência e toda a documentação junto à instituição financeira é
produzida a partir de elementos e informações falsas.
A legislação (Senate Bill 1824) é clara: qualquer pessoa, seja o corretor
imobiliário ou mesmo as outras pessoas envolvidas na compra, que violar o
dispositivo estará cometendo delito (third-degree felony), passível de
punição com até cinco anos de prisão. A medida foi tomada depois de que as
fraudes nas transações imobiliárias começaram a se multiplicar de forma
assustadora no país, em especial aqui na Flórida, o estado com maior índice
de fraudes neste segmento – e os condados de Miami-Dade e Broward lideram
este ranking negativo. Nas últimas semanas, brasileiros foram presos ou
estão sendo procurados pela Polícia exatamente por problemas do tipo aqui na
região.
Segundo a realtor Vanessa Moraes, da Continental Properties de Delray Beach,
além de fraude, o esquema é um péssimo negócio para quem está comprando a
casa: “Os valores do financiamento, das taxas e do seguro do imóvel são
todos baseados na quantia total do empréstimo junto ao banco. Ou seja, se o
valor for inflacionado, o comprador vai passar 30 anos pagando juros e taxas
mais elevados. O dinheiro vivo no momento de fechar o negócio acaba saindo
muito mais caro. Não valeria a pena, mesmo se não fosse crime”.
O problema chamou a atenção de Vanessa depois que ela colocou um anúncio no
AcheiUSA para divulgar programas especiais de incentivo Governo da Flórida
para reduzir o preço da compra da primeira casa. “Recebi inúmeros
telefonemas de brasileiros querendo saber qual a quantia que receberiam de
cash back.
Depois percebi que esta trata-se de uma prática normal na comunidade e
alguns até acham que é uma espécie de bônus oferecido na hora da compra”,
ressalta a realtor paulista, alertando que os bancos já estão promovendo
auditorias para investigar e avaliar os preços reais apontados nas
transações. E em caso de irregularidade todos os envolvidos podem acabar na
cadeira.
Com a crise no mercado imobiliário, muita gente acabou buscando saídas para
dar liquidez aos imóveis. O broker Mário Mesquita, da Mario’s Realty
Company, lembra que os proprietários que têm pressa em fechar o negócio
propõem ajuda nas taxas do closing costs, entre 3% e 6%, o que é
perfeitamente legal: “Mas sempre alerto aos meus corretores para recusarem
propostas como as de cash back, pois isso representa uma maquiagem na
documentação do negócio – o HUD. Infelizmente tem muita gente fazendo isso,
achando que está tudo ok”.
Para o broker Narciso Reyes, da Mortgage Woks, ligada à Continental
Properties, existem outras maneiras de fazer bons negócios sem usar
artifícios ilegais. “Há programas interessantes para todos os tipos de
comprador, mesmo aqueles sem crédito ou social security number. Mas
desconfie sempre dos negócios que prometem ganhos repentinos. O bom negócio
pode demorar tempo para ser concretizado”, destaca Narciso, acrescentando
que os repetidos casos acabam manchando a boa reputação da comunidade
brasileira.
Por Carlos Wesley - AcheiUSA
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