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De um extremo a outro das Américas

Algumas pessoas vêem a vida passar. Outros preferem vivê-la. Se possível, intensamente. Para isto, descobrem curas para doenças incuráveis, inventam equipamentos que revolucionam o modo de viver da população mundial, inovam artisticamente, superam marcas esportivas ou embarcam em aventuras que a maioria da população sequer sonharia.

É exatamente nessa última categoria que se enquadra Fernando Franceschini, um fotógrafo brasileiro, natural de Porto Alegre, radicado nos Estados Unidos. A própria vida de Fernando se confunde com seu espírito aventureiro.

O inquieto gaúcho conhece todos os Estados Unidos, com exceção dos estados de Washington, Oregon e Idaho. Ele chegou até mesmo a tirar carteira de motorista especial, para dirigir caminhões nos EUA, a fim de fotografar as paisagens e as pessoas do país, de maneira muito peculiar.

De Los Angeles a Porto Alegre

Depois de ter vivido em Los Angeles por seis anos, Fernando resolveu voltar para Porto Alegre. Mas, enquanto a ex-esposa e o filho foram de avião, ele montou numa moto BMW 1100 GS, ano 94, e deixou a cidade americana no dia 26 de dezembro de 1994 com destino ao Brasil.

Na época, não havia a facilidade de se pesquisar pela Internet, então o fotógrafo informou-se com uns amigos mexicanos que viviam na Califórnia sobre qual seria a melhor alternativa para a viagem. Embora morasse perto da fronteira com o México – a fronteira fica entre San Diego (EUA) e Tijuana (México) -, eles recomendaram pegar outra rota. “Optei por cruzar a fronteira pelo lado leste, no Golfo do México.

Por isto, segui para o Texas pela I 10 e fui até a cidade de Brownsville, que faz divisa com Matamoros, no México”, conta Fernando.

Ele mesmo se surpreendeu com a tranqüilidade de sua viagem. “Nem chuva peguei no trajeto”, brinca o aventureiro. Fernando credita a boa sorte a algumas felizes coincidências. Uma delas ocorreu na estrada em direção a Brownsville, quando ele ia atrás de uma picape velha e, na hora da ultrapassagem, o motorista fez um sinal a ele e lhe entregou um papel. Rapidamente, guardou e seguiu viagem.

Ao parar num posto, leu o prospecto e viu tratar-se de um folheto religioso, que dizia: “E se você morresse hoje? O que faria?“ O motorista do veículo veio conversar com ele depois e lhe deu uma pedras, dizendo ser a pedra santa. “Não sei se foi coincidência, mas minha viagem foi super bem protegida”, assegura o fotógrafo.

Futebol abre portas

Outro fator que ajudou muito Fernando durante a viagem foi sua indumentária brasileira. O Brasil acabara de vencer a Copa do Mundo nos EUA, em 1994, e ele paramentou-se com a bandeira brasileira. “Isto serviu para abrir várias portas. Pude constatar como o brasileiro é querido pelos outros povos e como o futebol brasileiro é reverenciado. Por onde passava, ouvia os gritos de ‘Romário, Romário, Romário’. Foi incrível”, relembra.

Ao chegar à fronteira do México com a Guatemala, soube que precisava de um visto para entrar no país. Teve, então, de voltar à cidade onde havia um consulado. Lá, viu um jornal, de Pasadena, Califórnia, onde havia o retrato de um homem com duas crianças e a legenda, em inglês, dizendo serem torcedores brasileiros. Na verdade, era o próprio cônsul guatemalteco com dois de seus netos.
Obviamente, eram fãs da seleção brasileira. O visto saiu sem problemas, difícil foi recusar o convite do simpático senhor para conhecer a família na Cidade da Guatemala.

Ao viajar sozinho, Fernando sentiu que os estranhos se tornam mais receptivos e dispostos a oferecer ajuda do que quando se viaja em grupo. “É algo psicológico, tanto o solitário como os outros são mais solidários e abertos a trocar informações e demonstrar que os seres humanos podem ser bons uns com os outros”, analisou o aventureiro.

Na capital guatemalteca, ela embarcou num avião com destino a Santiago do Chile. No total, a viagem foi de 16 mil quilômetros, sendo 12 mil de moto e 4 mil de avião. Para cruzar a fronteira do Chile para a Argentina, ele teve de percorrer cerca de 20 quilômetros numa estrada chamada Caracoles, que fica ao pé do Monte Aconcágua. O cruzamento se dá por um túnel, onde, ao final, é feita a aduana, do lado argentino.

Na Argentina, obviamente não foi o futebol brasileiro que abriu as portas para Fernando fazer amizades. Os argentinos ficaram encantados com a moto na qual ele viajava e paravam para perguntar sobre a motocicleta, que era uma novidade em todo o mundo e estava circulando pelas estradas argentinas. “Foi o ano em que a BMW relançou esta moto. E eles estavam extasiados”, explicou.

Ao entrar em território brasileiro, pela cidade de Uruguaiana, o policial perguntou para onde estava indo, e Fernando respondeu: “Ali para Camboriú (Santa Catarina). O cara ficou me olhando com cara de espanto. Claro que as duas cidades ficam distantes, mas para quem havia feito a viagem que fiz era mesmo perto. Dei uma passada por Porto Alegre e segui para encontrar a família em Balneário Camboriú”.

Foi esta a maneira escolhida por Fernando para retornar ao Brasil, onde viveu durante um período. Entretanto, seu espírito aventureiro o levou de volta para Los Angeles. Agora, ele mora em Fort Lauderdale, na Flórida, onde se prepara para outra aventura.

Aventura continua em 2008

No verão do ano que vem no Hemisfério norte, Fernando e seu sobrinho, Roberto Carlan, sairão de Fort Lauderdale e irão de moto até San Antonio, no Texas. De lá, subirão até Seattle e cruzarão a fronteira com o Canadá. Aí é seguir até Anchorage, capital do Alasca. “Nossa intenção é ir até Pur de Bay, no extremo norte do Alasca, a 900 milhas de Anchorage, onde não há estrada asfaltada” , revela Fernando.

Depois, eles retornarão para os EUA e farão uma parada “ técnica” em Fort Lauderdale de um mês para iniciar a viagem para o sul do continente, a fim de chegar lá no verão do Hemisfério Sul.
Desta vez, porém, Fernando disse que fará todo o trajeto de moto. Até mesmo para cruzar o Canal do Panamá, ele já tem um plano. Os dois devem fazer um cruzeiro de três dias até Cartagena, na Colômbia, e depois retomar a estrada até chegar a Ushuaia, na Patagônia, extremo sul do continente americano.

Segundo Fernando, a viagem tem um cunho cultural. “Vamos fotografar todas as etapas da viagem e levaremos microcâmeras nos nossos capacetes para registrar todo o percurso e enviar o material em tempo real para os websites dos parceiros que desejarem apoiar esta aventura”, diz. No final da viagem, a dupla lançará um DVD com imagens e um livro de fotografias.

Durante algumas etapas, há a possibilidade do artista plástico Fernando Vignoli acompanhar os motociclistas num carro de apoio e pintar quadros para registrar cenas das três Américas. A também artista plástica Carmem Gusmão, mulher do aventureiro, pode integrar a trupe em alguns pontos para pintar quadros.

Claro que eles estão em busca de parceiros para viabilizar esta grande aventura e querem inclusive parceiras com veículos de comunicação que possam divulgar em seus websites o dia-a-dia da viagem através de links, com imagens em real time. O custo desta aventura nem deve ser muito elevado. De acordo com a estimativa de Fernando, deve ficar em torno de US$ 5 mil por pessoa. Você tem interesse que sua empresa patrocine esta aventura? Então entre em contato com Fernando Frances-chini através do telefone (954) 639-2828. Assim, você também estará embarcando nesta aventura.
 



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