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Um crime silencioso

Infelizmente, os crimes de abuso são mais comuns do que imaginamos – e muitas vezes passam despercebidos, apesar da sua violência e gravidade. Isso porque as vítimas se recusam a denunciar a ocorrência, já que há casos em que os agressores estão dentro da própria casa. De acordo com as estatísticas do FBI, quase dois terços destes crimes não são reportados às autoridades, numa grave perpetuação de um modelo que atinge principalmente as mulheres, que representam 90% deste universo. Aqui nos Estados Unidos, os imigrantes são alvos preferenciais destes crimes, pois estão mais vulneráveis aos ataques. A boa notícia é que os condados de Broward e Palm Beach possuem serviços de atendimentos às vítimas de abuso e violência doméstica em português e prestam todo tipo de atendimento, desde proteção contra o agressor, conselhos, tratamento e até orientação jurídica.

 


Karina Lapa é terapeuta de um centro de tratamento em Broward

“Os crimes de abuso sexual e violência doméstica ainda são um tabu para a sociedade, em especial nas famílias de origem latina e sistema patriarcal. Mas isso precisa acabar e somente com conhecimento do problema e denúncias o quadro pode ser alterado. A mídia, aliás, tem prestado uma ajuda importante”, explica Karina Lapa, terapeuta do Sexual Assault Treatment Center do condado de Broward e diretora do South Florida Counseling Agency.

Agressão X processo imigratório

Advogada no Brasil, com atuação na Defensoria Pública do Rio de Janeiro, Ana Martins é hoje o que chamam de victim advocate do condado de Palm Beach, especializada em prestar ajuda jurídica às vítimas destes crimes, em especial as de língua portuguesa. “As imigrantes muitas vezes têm receio de denunciar, mas a lei garante toda a proteção. E pouca gente sabe que, em alguns casos, a vítima tem direito a se candidatar ao Green Card”, conta a carioca, que atua na Corte de Palm Beach.

Segundo a pastora Eliane Menezes, da Igreja Presbiteriana de Pompano Beach, a mensagem é simples: “Precisamos mostrar às vítimas destes crimes que elas não estão sozinhas e que existem meios de ajuda”. Ela lembra que os agressores podem ser de qualquer nível social ou cultural, mas concorda que as mulheres imigrantes são mais visadas, pela seu status imigratório e desconhecimento das leis.

Mas a pastora também acredita que este padrão pode ser quebrado.

“Quando se tem informação, não há porque permanecer numa relação abusiva”, concluiu Eliana, que trabalhou muitos anos no Centro de Mulheres e Família de Louisville (Kentucky) e escreveu trabalhos sobre o tema.
 

Algumas formas de violência doméstica e abuso sexual:

- o silêncio como forma de punição
- rasgar roupas ou quebrar objetos de valor do outro
- o uso elevado da voz ou de atos para intimidação
- críticas constantes acerca da capacidade ou desempenho sexual
- ciúme em excesso, chegando ao ponto de investigar a vida do outro
- determinar a roupa que o outro deve vestir ou o que fazer
- agressões físicas
- tratar o outro como um serviçal
- humilhação pública
- ameaças veladas
- imposição do ato sexual
(
adaptado do livro ‘From the Power and Control Wheel’, de K. Johnson)

Onde buscar proteção e ajuda:

As vítimas de abuso recebem conselhos, orientação e outros serviços, inclusive em português. É seguro e confidencial.

  • Women in Distress of Broward County
    Telefone 761-1133 (24 horas)

  • Sexual Assult Services of Palm Beach County
    Telefones 833-7273 (833-RAPE) ou 1-866-891-RAPE (toll free

  • Sexual Assault Treatment Center (Fort Lauderdale)
    Telefone (954) 761-7273 (hotline)


Na próxima edição:
- Vítimas de abuso podem ser qualificadas ao Green Card
- Casos na comunidade brasileira
- Mais estatísticas destes crimes

 

Por Carlos Wesley - AcheiUSA Newspaper



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