A vida nos EUA,
segundo Aline
A
história da gaúcha Aline Tonini é parecida com a de muitos imigrantes que
vêm para os Estados Unidos: ela realizou o tão desejado sonho americano aos
23 anos, passou por momentos de deslumbramento com as novidades na nova
terra, sofreu com o coração apertado de saudade da família e alternou
sentimentos quase na mesma freqüência com que comprava os cartões
telefônicos para falar com os amigos na distante Santa Cruz do Sul. O relato
desse caleidoscópio de sensações está no livro ‘Como é viver nos Estados
Unidos?’, que Aline decidiu escrever depois de voltar ao Brasil e ser
questionada tantas vezes sobre o ‘american way of life’. “Funciona como uma
espécie de diário, uma narrativa do ambiente que encontrei entre 2003 e
2005, na fria Lowell, região de Boston”, explica a publicitária, que lançou
a obra há alguns meses e participou da recente feira do livro de Miami, no
pavilhão brasileiro.
Livro-guia
O livro, na verdade, bem poderia servir de guia para quem alimenta o desejo
de morar na América. “Acredito que o choque do idioma seja o mais difícil, o
mais traumático. Toda a alegria em chegar na América, todo entusiasmo vira
nada quando nos sentimos uma formiguinha, um ser que não consegue entender o
que o outro diz”, reflete a autora.
Como já deu para notar, no caso dos imigrantes que já vivem aqui será
inevitável a identificação de alguns trechos do texto. Por exemplo, quando
ela fala sobre o sistema de trabalho no país, as jornadas pesadas, o
pé-de-meia e até os ‘schedules’ de quem trabalha em restaurantes, limpeza de
escritórios, construções ou, como ela fez naquela época, em um supermercado.
Criação dos filhos
Aline também ressalta no livro a personalidade dos americanos: “De um modo
geral (...) são um povo frio, áspero, a impressão é de que não se apegam às
pessoas como nós, brasileiros”. Ela, durante o tempo em que viveu aqui,
reparou também que, devido à vida corrida das famílias, as relações
matrimoniais sofrem um “afrouxamento”, que acaba refletindo na criação dos
filhos. “Os pais perdem o controle sobre seus filhos desde muito cedo”,
acredita. A alimentação, o trânsito, os serviços públicos e acomunidade
brasileira nos EUA são outros pontos que mereceram destaque na narrativa de
Aline e nas fotos do marido, Jean Leandro Mocheres, que ilustram uma espécie
de apêndice do livro, que pode ser adquirido em lojas brasileiras de Pompano
Beach (Central do Brasil, Pantanal, BrasilMart e CPAD).
Na parte final do texto, a autora faz menção ao que chamou de sonho da volta:
“Muitas vezes adiamos o sonho de retornar para a casa em função das
economias – a americana e a brasileira”, explica, argumentando que essa
decisão realmente precisa ser muito bem planejada. Ela encerra a obra, aliás,
descrevendo a emoção de voltar ao ninho. “Felicidade! Estamos explodindo de
tanta alegria”, finaliza Aline.
Mais uma
obra a caminho?
Aline Tonini
escreveu sobre seus dias de América, mas há outros trechos de sua vida que
mereceriam ser contados em livro. Ela e o marido, Jean Leandro, se
conheceram em junho de 2001 através da Internet, numa sala virtual de bate-papos
envolvendo pessoas da cidade onde cresceram, Santa Cruz do Sul, distante
cerca de 150 km da capital Porto Alegre. Descobriram que tinham amigos
comuns e compartilhavam muitas idéias e projetos... mas havia um problema:
Leandro morava nos Estados Unidos. “No início achei que era brincadeira,
pois na Internet nunca se sabe quando o outro fala a verdade”, lembra.
Depois de quatro meses de muitos e-mails e telefonemas diários, a relação
dos dois ficou intensa e, apesar da distância, sentiam-se cada vez mais
próximos. Então ela resolveu que embarcaria para a América ao encontro dele,
mas “o Bin Laden resolveu amedrontar o mundo com seus atos terroristas”.
Mudança de planos, foi Leandro que deixou tudo nos Estados Unidos e voltou
para o Brasil. O sonho americano para Aline ficou adormecido até 2003,
quando aconteceu a mudança para Lowell (Massachusetts).
Os dois anos seguintes estão descritos no livro ’Como é viver nos Estados
Unidos?’, lançado pela Editora Gazeta Santa Cruz, mas o curioso é que Aline
e Leandro estão de volta à América e, dessa vez, em Pompano Beach. “Confesso
que sentimos um choque no retorno ao Brasil, depois de experimentarmos a
vida dura, mas organizada daqui. Com a minha cabeça de hoje, não sei se
escreveria o mesmo livro”, assume a gaúcha, que deixou alguém cuidando da
produtora que o casal abriu no Rio Grande do Sul.
Os dois querem ampliar os negócios e, para tanto, o fotógrafo e cinegrafista
Leandro já tem marcado na agenda uma série de eventos da comunidade. Já
Aline planeja escrever um segundo livro. Uma continuação do primeiro? “Não
vou adiantar nada. Será uma surpresa”, afirma, misteriosa. Até uma nova obra,
o contato com Aline pode ser feito e-mail alinetonini@ibest.com.br ou pelo
telefone (954) 708-3442.
Por Carlos
Wesley - AcheiUSA Newspaper
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