Por Ialdo Belo
Acho que um ano nunca começou tão idiota como este. A falta de assunto é tão
grande que qualquer bobagem, mas qualquer mesmo, vira “hit’ na internet e
consequentemente na mídia que tenta acompanhar a internet.
Para não dizer que estamos por fora, listaremos nesta primeira coluna as
bobagens que estão, mas não deveriam ser, notícias.
A música (?) é besta, o sujeito bobo e a dança horrorosa. Resultado? Assunto obrigatório até com repercussões internacionais! Como pode um país com a história e cultura musical como o Brasil atingir esse nível? Esse é um caso para ser analisado por psiquiatras e não por especialistas de marketing.
Ok, a moça tá fazendo intercâmbio, legal... Mas será que a Paraíba é um lugar tão atrasado assim para todo esse rebuliço em cima de uma frase de comercial de TV?
Todo mundo viaja e para lugares bem melhores que o Canadá. Se a moça estivesse na Groelândia dava até pra espantar. Mas bonito mesmo é ver a reação do pai dizendo que vai antecipar a viagem de volta para que ela possa ficar protegida junto da família. Como assim? Alguém ameaçou Luíza? Não! Lendo uma entrevista do pai e pronunciador da frase para a revista Época, a gente descobre que Luíza está voltando para faturar um cascalho, e pelas palavras do pai, alto. E já existem planos de desfiles de moda e até comerciais de xampu.
Bobo sou eu que não fui pro Canadá...
Bem, para ter dois úteros tem que possuir duas entradas e como esse é um jornal de família não sou eu quem vai ficar repetindo a palavra. O fato é que a inglesinha bonitinha ganhou notoriedade e virou “hit” ao dar um entrevista para a televisão afirmando ter perdido a virgindade... duas vezes!
Uau! Tem mulher que reclama horrores por ter perdido uma, mas pra ser “hit”
tem que perder duas, sem reclamar.
O próximo movimento, na minha opinião, seria uma promissora e rentável carreira
na indústria pornô.
A ver.
Esta deve ser inédita: a bronca que o chefe da Guarda Costeira italiana deu no capitão do navio encalhado virou um “hit” tão grande que estão vendendo até camisetas com a tal frase!
Ou seja, até na hora da tragédia o que vale mesmo é faturar um qualquer, não importando a dor das famílias das vítimas.
Se o assunto é “hit”, ganhar fácil é a palavra de ordem em qualquer idioma.
Eike
Baptista
Este é um “hit” do bem, mas, como não deixa de ser “hit” e ter gerado besteirol,
tem que estar aqui.
Eike é um caso quase único do rico bem amado, que não é chamado de ladrão quando se toca no nome. O homem é um sucesso em tudo o que faz e por conta disso está presente em tudo, até no patrocínio de Bruno Senna na F1. O resultado é que até os mendigos sabem quem é Eike, que um dia foi conhecido por ser o Sr. Luma de Oliveira. Mas enquanto a ex-mulher desfila mostrando os seios na Avenida, o agora com brilho próprio Sr. Baptista desfila com a carteira cada vez mais recheada a ponto de que, ao que tudo indica, será o homem mais rico do mundo até 2016.
Difícil é definir quando o presidente venezuelano não é besteirol. Huguito já
deveria ser considerado assim um Clóvis Bornay do besteirol: hour-concours, sem
ter direito a nada do que fala ou faz ser publicado. Mas ele é um “hit” quando
diz que os EUA estão tornando os líderes latino-americanos cancerosos; ele é um
“hit” quando diz que não disse isso; é um “hit” quando recebe o ditador iraniano
e é uma desgraça quando fecha o Consulado da Venezuela em Miami só para tirar o
direito de voto a 20.000 venezuelanos que certamente votariam contra ele nas
eleições deste ano.
Cá
entre nós, uma mulher gostosona te chama pra ir dormir com ela, fica peladona,
mete a mão nas tuas “partes”, digamos assim, e depois vem dizer que foi
estuprada? Que estava bêbada e não se lembra de nada?
Essa nem os cientistas engolem já que ficou provado que porre não causa amnésia. A própria senhorinha viu o absurdo das afirmações e tentou voltar atrás, ficando no disse-me-disse, mas tarde demais. A polícia já tinha sido envolvida, o rapaz expulso do programa e o que é pior: o assunto já tinha virado “hit”.
Pra mim tudo não passou de um golpe publicitário para alavancar a audiência
da desgastada atração, mas seja o que for o fato é que já aconteceram coisas
piores no tal BBB, só que na época virar “hit” ainda não era moda.
Sobre a colunista: Ialdo Belo
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