Por Marta Ramos
O título de minha coluna refere-se à festa da passagem de ano em Copacabana.
Não pode ser considerada a melhor do mundo, como apregoou o secretário de
Turismo do Rio, Antonio Figueira de Mello, que disse ter recebido este prêmio
internacional da World Travel Guide, entregue durante a festa da virada, no
Palco Sol, em frente ao Copacabana Palace.
Para mim, a melhor deve ser qualquer uma que permita a você voltar para casa a bordo de qualquer veículo de quatro rodas, e não camelando pelas ruas imundas da Zona Sul carioca, em plena madrugada do primeiro dia do ano. O secretário afirmou que colocar fogos de artifício é mole, mas é muito difícil colocar dois milhões de pessoas em paz numa comemoração.
Não concordo, pois programar shows de grandes cantores, fogos de artifício maravilhosos e atrair esta multidão para Copacabana é fácil. Colocar o povão lá na praia é fácil. Difícil é tirar. É um absurdo que há muitos anos, e com a multidão só aumentando, a prefeitura e os prefeitos que se sucedem não pensam numa maneira das pessoas irem de volta para casa depois da festa.
Ir é até relativamente fácil, pois não faltam táxis e ônibus até lá pelas 11 da noite. Mas, assim que acabam os fogos e até muitas horas depois, ninguém consegue um táxi, nem um ônibus ou um jegue da mesma raça dos políticos que governam o Rio. As duas milhões de pessoas, mais uma vez, não tiveram como sair de Copacabana, porque os serviços básicos, como transporte público, não funcionaram.
Metrô? Bilheterias fechadas, bilhetes vendidos muito antes e somente 107.000 pessoas puderam usá-lo. E, abusaram, porque na manhã seguinte, os carros estavam atolados de lixo. Os usuários deixaram garrafas vazias, copos, cocos, papeis, latas, além de muita areia e outros detritos dentro dos carros do metrô.
Será que não puderam botar nos lixos que estão nas plataformas? Tinham que deixar dentro dos carros? Que povinho mais sem educação! Nas ruas e nas praias, ficou o lixo deixado pela “multidão de duas milhões de pessoas em paz”. Pois, elas entraram em guerra com os garis da prefeitura, deixando toneladas de sujeira. A falta de educação mais básica e de civilidade, fruto da ignorância ancestral que os políticos tupiniquins fazem questão de conservar no povo brasileiro, transformou Copacabana em uma grande pocilga.
Não dava para andar nas ruas, atravancadas pelo lixo e pelas poças de água suja, pois choveu sem parar a noite toda. No entanto, mesmo assim, todo mundo teve que andar de volta para casa, pela falta total de qualquer transporte. No nosso caso, tivemos que andar mais de oito quilômetros, desde o Copacabana Palace até Ipanema. E debaixo de chuva..Que não deu trégua,das nove da noite do dia 31 de dezembro até 2 de janeiro.
Fiquei com muita pena em ver as pessoas aguentando aquela chuva intermitente, esperando os fogos da virada. É claro que a chuva é um fator imprevisível, mas a organização do retorno da multidão, o trânsito tem que ser organizado pelo poder público. E o poder público é uma vergonha: inoperante, enlouquecido, despreparado, fraco e totalmente desorganizado...
Os governantes só fazem bobagens. Proibiram o estacionamento de carros
particulares nas quatro principais ruas de Copacabana, fecharam o bairro todo de
Copacabana a partir das 18:00 horas do dia 31, interditaram completamente,
inclusive para táxis e ônibus, as avenidas Copacabana e Barata Ribeiro das 23
horas até às 2 da manhã, Mas, já eram 4h30 da madrugada e os ônibus não
apareceram, os taxistas também sumiram, devem ter ido se divertir e comemorar o
Ano Novo.
E o povo, ó, na água! Literalmente... Como sempre, pagou o pato! Cansei de ver mães carregando crianças chorando de cansaço e sono, idosos se arrastando, gente bebâda tropeçando, uma inhaca no ar, um cheiro insuportável, gases de várias procedências, um horror... Parecia aquele filme : “A Noite dos Mortos Vivos”. Ou será aquele videoclip do Michael Jackson “Thriller” ?
Outra madrugada carioca
Voltar para casa de madrugada no Rio é complicado... Que o diga um dos meus hóspedes, um procurador da Justiça Federal, que se arriscou a voltar para minha casa caminhando, vindo de uma discoteca de Ipanema. A madrugada estava fresca e agradável, um convite irresistível a uma “promenade” e a discoteca ficava só a três quadras de distância. Saindo da casa noturna, numa esquina da praça em frente, estava uma viatura da Guarda Municipal com dois guardas. Quando passou por eles, foi insultado aos gritos de “Mané, ei Mané... Otário! Está voltando sem mulher para casa? Não pegou ninguém? Babaca! Voce não é de nada mesmo! V....o!! Maneeeeeé!”.
Agora vou comentar: esta é a Guarda Municipal que recebe para proteger os cidadãos de bem? Estes boçais estavam provocando o meu amigo para que fim? Não precisam responder, todo mundo já sabe. Com raras exceções, são verdadeiros marginais que não se dão ao respeito e que são tão ignorantes que não devem nem saber que estão praticando assédio moral, o que poderia valer um processo, se o procurador resolvesse revelar sua identidade. Acham muito fácil achacar e desacatar cidadãos indefesos e desarmados.
Mas, meu amigo estava achando a madrugada tão bonita, a brisa tão fresca, o ar tão leve , as ruas tão desertas, o Rio tão bom...Deixou para lá, apressou o passo, fez que não ouviu, respirou fundo e chegou são e salvo em casa...Um sábio, ele!
Outro caso: um leitor do jornal O Globo escreveu na seção de cartas deste jornal, contando que estava passeando numa área arborizada do Aterro, depois das onze da noite, quando um policial à paisana apareceu do nada, apontando a arma para ele. Pediu seus documentos, contou que estava lá “fazendo segurança”, disse que ele podia prosseguir, e depois continuou submetendo outras pessoas ao mesmo tratamento. É mole? Imaginem se alguém entra em pânico e corre deste louco?
Estes dois fatos mostram o perigo dos logradouros públicos cariocas à noite e estou aqui protestando, e não difamando a nossa Cidade Maravilhosa. É um acinte o relaxo, o despreparo, o desmazelo que imperam nas ruas do Rio de Janeiro, sujas e fedidas, cujo povo há muitos anos só elege políticos que não valem nada, uns demagogos, populistas, desonestos e corruptos, para deixar bem light minha coluna.
Na próxima, vou falar do Cocorvado. Até lá!
Sobre a colunista: Marta Maria de Castro Batista Ramos email: martaramos53@yahoo.com |