Por Tonia Elizabeth
Brasileiro Lucas Mendonça mostra suas habilidades e dotes artísticos no espetáculo ‘Odysseo’ em cartaz em Miami

Ele é o único latino-americano num espetáculo grandioso, que tem feito muito sucesso pelos Estados Unidos. Lucas Tormin Mendonça conta ao AcheiUSA, com exclusividade, como entrou para o Odysseo – um show majestoso, que reúne 70 cavalos e 50 artistas. Odysseo é a nova versão do famoso Cavalia e tem como diretor artístico um dos pioneiros do famoso Cirque de Soleil: Normand Latourelle. O sucesso tem sido tão grande que o espetáculo teve sua temporada em Miami prorrogada até meados de abril.
Lucas Mendonça foi ginasta no Brasil por cerca de dez anos e treinou junto com alguns campeões mundiais. O atleta revela que chegou a ser o terceiro no Brasil na modalidade de cavalo com alças.
Lucas, de 23 anos, mineiro de Uberaba criado em São Paulo, conta como sua carreira começou na terra do Tio Sam: “Eu vim para os Estados Unidos, sozinho, aos 17 anos, para treinar ginástica com um dos maiores campeões do mundo, Vitaly Scherbo. Um amigo me havia indicado o treinamento. O objetivo era me aperfeiçoar e aprender um pouco de inglês, por cerca de dois meses. Após observar meu desempenho, o próprio Vitaly disse que, se eu decidisse ficar mais tempo, ele provavelmente me conseguiria uma bolsa. Comecei a competir para o clube dele e, com isso, recebi várias propostas de bolsa. Fui aceito pela Faculdade do Estado de Michigan, mas decidi ficar em Las Vegas mesmo onde eu tinha minha ‘família americana’, que me havia adotado durante meu intercâmbio. Segui no College of Southern Nevada”.
Há cinco anos nos Estados Unidos, Lucas revela como surgiu o convite para a carreira artística: “Estava treinando na faculdade e o técnico geral do Cavalia me conheceu e perguntou se eu queria mudar a minha vida. Achei o desafio interessante.”
Lucas Mendonça diz que não se arrepende da decisão tomada: “Valeu a pena. Adoro o que faço. O espetáculo é lindo, o grupo é muito unido e estou muito feliz, graças a Deus.”
Ele conta que não tinha experiência com cavalos: “No Brasil, meu tio tinha fazenda… eu montava cavalos…mas não tinha tanto conhecimento. Entrei no espetáculo como acrobata. No nosso treinamento, todos aprendemos equitação. Apesar de eu não ter muitos números com o cavalo, a gente aprende a lidar com os animais e entendê-los. Eles têm vontade própria muitas vezes, sua própria cabeça… e às vezes decidem que não vão fazer o que têm que fazer... É preciso conhecê-los e entendê-los, para lidar com eles. Na fase da chamada ‘criação’ do espetáculo, no Canadá, a gente aprendeu e treinou muito.”
O artista já está no Odysseo – entre criação e turnê – há cerca de um ano. Entre suas especialidades está o jump stilt : “É praticamente uma perna de pau com fibra de vidro, que te permite pular. É como ter um trampolim nos pés”. Ele se desenvolveu em números aéreos também, como a lyra – “uma espécie de arco ou bambolê, que fica pendurado”–e outros números circenses, como o chinese pole, onde é necessário muita força e equilíbrio.
Carinho do público é recompensador
Lucas revela a maior alegria da carreira nos palcos: “A melhor sensação é quando você termina o show e sente a energia forte do público. O agradecimento do público aos artistas e o nosso para eles. Não há maneira de explicar”. Já a maior dificuldade é ficar longe da família e a adaptação à diversidade: “Eu sou o único brasileiro e muitos dos meus costumes são diferentes do resto do pessoal. São treze nacionalidades diferentes. Entender e respeitar as diferenças é, às vezes, difícil, quando se convive diariamente.”
Quem vê o espetáculo não sabe como esses artistas/atletas tiveram que preparar-se para as apresentações: “Durante a fase de criação, treinávamos das 8 horas da manhã às 6 da tarde. Isso durou cerca de cinco meses."
Lucas está entusiasmado com o sucesso do seu trabalho e está longe do Brasil, mas o Brasil está pertinho dele, no coração: “Pretendo continuar no Cavalia, mas quero abrir minha própria companhia, no Brasil, e compartilhar lá tudo que eu aprendi aqui.”.
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