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A dança foi o melhor
remédio para Felix
Bailarino brasileiro do grupo Momentum de Miami, superou problemas
físicos com seu talento para o balé e agora faz sucesso nos Estados
Unidos
A
companhia de dança contemporânea Momentum, de Miami, tem entre seus
bailarinos um brasileiro, que além de excelente profissional possui uma
história de vida bem interessante. Odman Félix é um goiano de 32 anos,
vivendo há dois em Coral Gables, que começou na carreira quase por acaso:
depois de ser atropelado por uma motocicleta na infância, acidente que o
deixou imobilizado por um longo tempo, ele esteve ameaçado de não voltar
a andar devido à fragilidade das pernas. No entanto, os conselhos de seu
médico fizeram com que ele buscasse na dança e no esporte o estímulo – e
a cura – para superar o problema. “Era isso ou muletas”, simplifica
Félix.
E assim foi feito. Na adolescência, a rotina diária era preenchida pela
ginástica rítmica e, já aos 17 anos, ele ingressou na faculdade de
educação física e também nas aulas da Companhia Rhema de Teatro e Dança.
Passou por vários estilos: jazz, clássico, moderno, afro e chegou a ser
um dos coreógrafos da companhia de Goiânia, onde recebeu vários prêmios
e o apoio do Departamento Nacional de Cultura. Com o diploma de curso
superior, Félix abriu sua própria academia, misturando num mesmo local
os exercícios físicos em aparelhos e a sua maior paixão, a dança.
Em 2004, porém, ele deixou família e patrimônio para trás em busca de um
grande sonho nos Estados Unidos. A parada inicial foi na Flórida, mais
especificamente no Miami Dade College, para matricular-se no programa de
dança daquela instituição. Desde então, tudo aconteceu muito rápido na
vida do bailarino. Na primeira semana de aula, ele foi convidado por uma
de suas professoras a participar de uma audição do Momentum e, como
agradou tanto, não saiu mais de lá. Hoje ele não só integra o corpo de
baile do grupo, que tem quase 25 anos de estrada, como eventualmente
substitui a diretora artística da companhia nos ensaios e é responsável
por algumas classes.
Paralelamente,
ele vem participando ainda de outros projetos, como os da Dança
Contemporânea de Miami, do cubano Baila USA e do conceituado Actor’s
PlayHouse – neste último tendo atuado no musical Narnia. E não é só isso:
ele é personal trainer e tem vários alunos, não só na dança, mas também
nas atividades físicas. “Alcancei meus objetivos em pouco tempo mesmo,
mas também ralo muito. O importante é que estou muito feliz com o que
conquistei”, confirma Felix.
Mas quem pensa que a vida aqui nos EUA foi sempre um mar de rosas para o
brasileiro está enganado. Poucos minutos antes de sua primeira
apresentação no Momentum, em 2005, ele recebeu no camarim a notícia da
morte da sua mãe. “Não tinha como voltar ao Brasil naquele momento e
precisei buscar forças em Deus para terminar o espetáculo”, lembra Félix,
que aqui também recebeu a notícia da morte do pai, no mesmo ano. Ele
enfrentou as adversidades se dedicando ainda mais aos seus trabalhos.
Apesar de duas irmãs também viverem nos Estados Unidos, em Boston e em
Atlanta, as saudades do Brasil são grandes. “Não quero me desligar do
meu país jamais, mas não penso em voltar agora. Tenho meus alunos e uma
carreira que está florescendo. Além disso, pretendo abrir na Flórida uma
academia de dança em breve, o que seria a realização de um sonho”,
explica o bailarino. Até lá, ele terá outro diploma, da New World School
of Arts, onde estuda atualmente... e certamente uma carreira bem
consolidada.

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